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John Neschling volta à Sala São Paulo em concerto especial (7/8/2012)
Por Nelson Rubens Kunze

A Orchestra della Svizzera Italiana, sob direção de John Neschling e com a participação do pianista vietnamita Dang Thai Son, apresentou-se ontem na Sala São Paulo dentro da Temporada Internacional 2012 da Sociedade de Cultura Artística (haverá ainda um concerto hoje, na Sala São Paulo, e um no dia 12, no Rio de Janeiro). Foi a primeira vez que o maestro Neschling retornou ao palco da Sala São Paulo desde sua demissão da Osesp, em 2008. Assim, era natural que as atenções do concerto se dirigissem a ele. E o maestro não decepcionou. Com a segurança de sua técnica e o seu talento extraordinário, Neschling dirigiu a orquestra com o refinamento e o senso de estilo de um artista no auge de sua maturidade. Ouvir o maestro Neschling em ação novamente após essa pausa – e na perspectiva desse recuo temporal – só fez reafirmar o brilhantismo desse músico singular.

A Orquestra della Svizzera Italiana – que foi fundada em 1935, na cidade de Lugano – já teve entre seus regentes maestros como Alain Lombard e Mikhail Pletnev e trabalhou com solistas do porte de Martha Argerich e Heinz Holliger. Em seu concerto de ontem a orquestra apresentou-se com uma bonita sonoridade, clara e coesa, com naipes equilibrados e com músicos solistas de ótimo nível (chamou-me a atenção o flautista, de bonito som e técnica limpa; alguém tem uma explicação para o fato de que grandes flautistas de nosso tempo – os sensacionais Aurèle Nicolet, Peter-Lukas Graf e o agora solista da Filarmônica de Berlim Emmanuel Pahud – sejam suíços?).


Maestro John Neschling em apresentação dia 6 de agosto na Sala São Paulo [foto: divulgação / Izilda França]

O concerto iniciou-se com a bonita Pastoral d’Été do compositor franco-suíço Arthur Honegger (1892-1955), e seguiu com o Concerto nº 2 de Chopin, com Dang Thai Son ao piano. Em uma interpretação no todo convincente, Thai Son exibiu novamente sua grande técnica e belo toque. Após o intervalo, a Orchestra della Svizzera Italiana executou uma bem acabada leitura da pouco ouvida Sinfonia nº 6 de Schubert.

Como bis, a orquestra tocou duas aberturas, uma de Rossini (L’Italiana in Algeri) e uma de Mozart (As bodas de Figaro), com toda a leveza e graça que essas partituras exigem. Quando parecia que o concerto ia terminar, o maestro Neschling pediu silêncio e confidenciou: “Estava com muita saudade de voltar para cá. E, como aqui a gente fez muita música brasileira, preparamos mais um bis especial: um Ponteio de Camargo Guarnieri”.

Com o Ponteio de Guarnieri, Neschling deixou um recadinho na Sala São Paulo...


P.S.: Mais algumas coisas me passaram pela cabeça após ouvir a Orchestra della Svizzera Italiana – para mim, até então, desconhecida. Deve haver algumas dezenas dessas pequenas orquestras clássicas espalhadas pela Europa (sem desmerecer a boa Svizzera Italiana). Quantas há no Brasil?

Lembrei-me da declaração da soprano Eliane Coelho em entrevista da edição deste mês da Revista CONCERTO (se você é assinante, clique aqui para ler; ou clique aqui para assinar). Em resposta à pergunta de Leonardo Martinelli sobre cantar no Brasil após tantos anos no exterior, Eliane diz uma verdade que não me soou muito lisonjeira: “Sempre vim [cantar aqui no Brasil] com espírito aventureiro, e por isso raramente perdi a paciência. Eu já vivi por aqui produções completamente caóticas, com figurinos que não estavam prontos no ensaio geral. Passei por produções em que as pessoas trabalhavam com fé no milagre brasileiro, de que no final das contas tudo acaba dando certo... O pior de tudo é que, de uma forma ou de outra, a cortina se abre e as coisas acontecem. E tem gente que até acha isso bom, mas com isso não se criam condições para discutir melhorias. [...] a ópera brasileira só atingirá o profissionalismo quando virar rotina. Afinal, são muito diferentes as demandas e as responsabilidades quando se fazem três ou sessenta apresentações ao longo de uma temporada”.

Ontem pudemos assistir na Sala São Paulo ao maestro John Neschling, o personagem que mais fez para mudar essa incômoda e vexatória realidade que vivemos na sexta maior economia do mundo!

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A reprodução integral deste conteúdo requer autorização.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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