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Ruggiero Ricci e Hahn-Bin: glória, notoriedade e esquecimento (3/9/2012)
Por Camila Frésca

No último dia 6 de agosto, um dos ícones do violino no século XX despediu-se da vida: aos 94 anos e depois de brilhar nos palcos por décadas, Ruggiero Ricci se foi deixando seu nome para sempre marcado entre os grandes violinistas. Refletindo sobre sua carreira e sobre os caminhos tortuosos que levam à glória póstuma ou ao esquecimento de um intérprete, lembrei-me de um jovem violinista que vem ganhando notoriedade por sua performance inusual: o sul-coreano Hahn-Bin. Mas vamos primeiro a Ricci.

Contemporâneo e amigo de outro gigante – Yehudi Menuhin –, Ricci nasceu na Califórnia filho de um imigrante italiano, trombonista amador e que sonhava em transformar os sete filhos em músicos. Ruggiero Ricci foi apresentado ao violino logo cedo – embora preferisse o piano. Porém, a insistência de seus pais fez com que ele começasse a tocar aos 5 anos de idade, logo se revelando uma criança prodígio. Com 10 anos, fez sua estreia profissional em San Francisco tocando o Concerto para violino de Mendelssohn. O grande sucesso fez com que ele logo fizesse turnês pelos EUA e Europa.


Ruggiero Ricci  [foto: divulgação]

Ricci, que como Menuhin teve em Louis Persinger seu principal mentor, desenvolveu então uma típica carreira de menino-prodígio, deixando plateias boquiabertas e sendo submetido a uma pesada rotina de apresentações. É claro que tal esforço tem seu preço, e mais tarde ele afirmaria: “Eu era uma criança muito solitária. Para se ter uma ideia, eu costumava jogar oito tipos diferentes de paciência”. Além da pressão, uma carreira de tal magnitude é acompanhada e avaliada por muitos. Ao avançar na adolescência, Ruggiero Ricci foi cobrado por alguns críticos por sua habilidade técnica estar ultrapassando sua capacidade interpretativa. “Quando eu era criança, fui saudado como uma espécie de ‘sensação’, mas depois passei por alguns anos ruins. É muito difícil quando se tem 14, 15 ou 16 anos: você não é mais um prodígio mas também não é um artista maduro”, contou numa entrevista em 1988. Foi nesse momento, no entanto, que ele passou a se interessar e se aprofundar num repertório que iria colocá-lo definitivamente na linhagem dos grandes violinistas: os 24 Caprichos para violino solo de Paganini. Ricci costumava tocar as peças, extremamente virtuosísticas, para os soldados norte-americanos que lutavam na Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, em 1947, tornou-se o primeiro a gravar as obras – que nem de longe desfrutavam da difusão atual.

“É claro que, quando criança, eu estava sempre tentando provar que era capaz de tocar mais violino que o cara ao lado, e foi assim que cheguei a Paganini”, ele confessou à revista The Strad em 1989. “Depois que saí do exército, dei um recital solo em Nova York – o que era uma raridade naquela época – como forma de chamar a atenção. É muito difícil construir um programa para uma grande cidade: você precisa de uma coisa diferente. Tudo já foi feito, mas por outro lado, ao fazer algo incomum, as chances de que seja um trabalho fraco são grandes. De qualquer forma, eu me forcei nessa direção porque ninguém tinha ainda tomado este caminho, e foi dessa maneira que me tornei um especialista em Paganini.”

Vencida a transição prodígio X artista maduro e tendo encontrado um nicho inexplorado ao qual seu extraordinário talento poderia dar uma contribuição inédita e de enorme valor, Ruggiero Ricci desenvolveu uma carreira extremamente bem-sucedida, tocando e dando aulas pelas cinco décadas subsequentes e realizando mais de 500 gravações.

Ouça Ruggiero Ricci interpretando Paganini aos 12 anos de idade, clique aqui.

****

Você já ouviu falar de Hahn-Bin? O jovem violinista sul-coreano tem causado surpresa e estranhamento no mundo clássico por conta da forma como se apresenta. Algum dia pretendo me aprofundar mais no perfil desse artista, mas por hora gostaria apenas de apontar alguns pontos em comum com Ricci. Tal como esse ícone da tradição violinística, Hahn-Bin começou a tocar violino aos 5 anos de idade e logo se revelou um prodígio. Era igualmente uma criança solitária: “meus pais raramente estavam em casa. Quando eu voltava da escola, ia tocar violino porque me sentia sozinho. Encontrei meu melhor amigo no instrumento.”


Hahn-Bin/ Amadeus Leopold [foto: divulgação]

Dado o talento incomum, Hahn-Bin foi estudar na Juilliard School e se tornou pupilo de ninguém menos do que Itzhak Perlman: “foi o único homem da minha vida que sempre me aceitou, desde o começo, do jeito que sou”, declarou o jovem artista sobre o mestre. Apaixonado e devotado à música clássica, Hahn-Bin foi se interessando, cada vez mais, pela Pop Art e por ícones como Andy Warhol, e foi dessa mistura entre clássico e pop que nasceu sua persona artística: “sou um artista performático que canta, dança e fala através do violino”. Hahn-Bin afirma que sua aparência é parte de sua arte e que sua missão como artista é levar a música clássica às pessoas. Embora com um aspecto nada usual para um virtuose do violino, sua música é absolutamente convencional, e sua interpretação musical segue a trilha dos virtuoses românticos e pessoais – tal como os grandes nomes do século XX, do qual Ricci foi um dos últimos representantes. Se sua postura no palco parece fruto de convicções sinceras, ela não deixa de ser um diferencial importante: será que, como Ricci, Hahn-Bin não seguiu nessa direção, “porque ninguém ainda tinha tomado este caminho”? O músico tem atualmente 25 anos e já se apresentou no Carnegie Hall e em séries de música conceituadas, como a do MoMA. Recentemente mudou seu nome artístico para Amadeus Leopold, em homenagem a Mozart e também ao violinista Leopold Auer, notável pedagogo húngaro que foi o professor de Jascha Heifetz.

De qualquer forma, Ricci se tornou uma lenda e gravou seu nome no panteão dos grandes violinistas. Mas o que acontecerá com Hahn-Bin, num mundo ainda mais povoado, com excesso de informação, e que já viu de tudo? Será interessante acompanhar essa trajetória.

Saiba um pouco mais sobre Hahn-Bin/ Amadeus Leopold assistindo a esse vídeo. Clique aqui.

Ou visitando o site do artista. Clique aqui.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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