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A temporada da Filarmônica de Minas Gerais (e algumas reflexões) (27/9/2012)
Por Nelson Rubens Kunze

A Filarmônica de Minas Gerais acaba de anunciar uma ótima temporada para o ano que vem. A orquestra, criada em 2008 e dirigida pelo maestro Fabio Mechetti, apresentará 24 concertos (divididos em duas séries de 12), que terão a participação de artistas como os maestros John Neschling, Roberto Minczuk e Rossen Milanov, os violinistas Chloë Hanslip e Ray Chen, os violoncelistas Antonio Meneses e Daniel Müller-Schott, e de pianistas como Vladimir Feltsman, Anna Vinnitskaya e Lilya Zilberstein, para citar apenas alguns. A temporada celebrará os 200 anos de Wagner (em um concerto que terá o primeiro ato de A Valquíria) e os 200 anos de Verdi (com a Messa de Requiem), e lembrará os 100 anos de nascimento de Britten (apresentando seu Concerto para piano nº 1) e os 100 anos da Sagração da primavera de Stravinsky. [Clique aqui para ler mais.]

Em uma realidade dominada por uma indústria cultural muitas vezes superficial e voltada ao entretenimento, cabe ao estado zelar pela manutenção de manifestações artísticas autorais ou de valor histórico. Assim como é dever público garantir uma educação universal de qualidade, um estado moderno e civilizado não pode prescindir de museus, teatro, música clássica, cinema, ópera, literatura... É em todo esse vasto manancial das artes e da cultura humanista que se encontram os caminhos para a solução dos grandes desafios enfrentados pela sociedade contemporânea.

 
Maestro Fabio Mechetti rege a Filarmônica de Minas Gerais [foto: divulgação]

São poucos os estados e as cidades brasileiras que reconhecem o valor da cultura, e que de fato assumem essa responsabilidade. No caso da música clássica, o estado de São Paulo foi pioneiro, desde quando Mario Covas, em um abrangente projeto urbanístico, investiu na construção da Sala São Paulo e na reformulação da Osesp, então sob a liderança do maestro John Neschling. Depois, foi o estado de Minas Gerais que enfrentou suas carências culturais clássicas ao criar a Filarmônica de Minas Gerais.

É nesse contexto, também, que ganha importância a defesa da excelência expressa pelo maestro Fabio Mechetti no catálogo de apresentação da nova temporada da Filarmônica de Minas Gerais. Excelência não significa elitização (digo eu), até por que a Filarmônica também tem cumprido exemplarmente sua função de difusão e popularização abrangente da música clássica em concertos ao ar livre e a preços populares. Excelência significa, isso sim, repertórios criteriosos (com música brasileira e contemporânea), exigência na performance e respeito ao público. E reconhecimento do mérito, tão vilipendiado em nosso país!


Estação da Cultura, futura sede da Filarmônica de Minas Gerais [ilustração: divulgação]

Criada há apenas 5 anos, a Filarmônica é mantida pelo estado de Minas Gerais por meio de uma Oscip, o Instituto Cultural Filarmônica, que é uma entidade privada que obedece a um contrato de gestão com o governo. Foi esse modelo que permitiu que, nesse brevíssimo tempo, se estabelecesse esse organismo cultural profissionalizado, que já repercute fora das fronteiras mineiras. O passo seguinte, e determinante!, é a construção da nova Sala de Concertos da Estação da Cultura, com inauguração prevista para 2014, e que a partir de 2015 sediará as temporadas da Filarmônica de Minas Gerais. [Clique aqui para ler mais.]

Dizem que mineiro trabalha em silêncio. Lá na Filarmônica de Minas Gerais eles trabalham fazendo música. Oxalá o governo de Minas Gerais reforce cada vez mais seu apoio e investimento nesse que já é um dos mais significativos projetos culturais clássicos de nossa época. Já estamos aguardando, ansiosos, pela nova Sala de Concerto da Estação da Cultura!





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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