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Filarmônica de Minas Gerais e Antonio Meneses conquistam público uruguaio (31/10/2012)
Por Nelson Rubens Kunze

Viajar é bom. Viajar para ouvir música, melhor ainda (mesmo que, nos dias de hoje, viajar de avião não seja uma coisa tão divertida – Guarulhos é longe, tem muita gente e muita fila e os aviões são tudo menos espaçosos, um problema ampliado para quem tem quase dois metros de altura).

Assim, lá fui eu a Montevidéu no último fim de semana, para assistir ao concerto da Filarmônica de Minas Gerais, que, já vou logo dizendo, foi um grande sucesso. A performance foi no domingo, dia 28 de outubro, no tradicional Teatro Solis. Terceira apresentação de sua primeira turnê internacional – a Filarmônica mineira vinha de duas noites no Colón de Buenos Aires e seguiria ainda para concertos em Córdoba e Rosário –, a orquestra esteve sob a regência de seu maestro titular e diretor artístico, Fabio Mechetti, e contou com a participação do violoncelista Antonio Meneses.


Fachada do Teatro Solis, em Montevidéu [foto: divulgação]

O concerto iniciou-se com a abertura de O Guarani, de Carlos Gomes (bom aquecimento para o que viria a seguir), a qual Mechetti realçou, com propriedade, a veia lírica. Seguiu-se o Concerto para violoncelo de Dvorák. Após um inicio um pouco desconcentrado, a apresentação engatou em uma leitura bastante convincente. Meneses é mesmo um artista de exceção e recompensou a ovação da plateia com um belíssimo bis de Bach.

Mas foi na Quarta sinfonia de Tchaikovsky que a Filarmônica de Minas Gerais deu provas, mais uma vez, do grande trabalho que vem realizando. Com naipes uniformes e equilibrados, a orquestra exibiu um som compacto mas maleável, com belas intervenções dos instrumentos solistas. Ao mesmo tempo em que constrói os grandes arcos interpretativos, Mechetti se distingue pelo cuidado especial que tem com os acabamentos – e o resultado é sempre muito bom. Foi essa também a avaliação do público uruguaio, que aplaudiu com entusiasmo. De bis, a Filarmônica ainda tocou as Variações sinfônicas de Ginastera e o Prelúdio das Bachianas nº 4 de Villa-Lobos. (O resultado do concerto teria sido ainda melhor se a acústica do tradicional Teatro Solis de Montevidéu não fosse tão seca e pouco adequada para música sinfônica – uma pena, considerando essas brilhantes partituras românticas.)


Filarmônica de Minas Gerais, Antonio Meneses e Fabio Mechetti em Montevidéu [foto: divulgação]

O concerto da Filarmônica de Minas Gerais no Teatro Solis fechou a temporada do Centro Cultural de Música, entidade promotora de concertos internacionais (equivalente a uma Sociedade de Cultura Artística uruguaia), que neste ano comemorou 70 anos de existência.

Argumenta-se, de vez em quando, que orquestra sinfônica demanda importantes investimentos e que custa caro aos cofres públicos. É verdade. Mas não devemos deixar de incluir nessa conta – além de todo o impacto cultural e social que cerca a atividade de uma orquestra em sua região – a contrapartida que o estado recebe em termos da difusão de uma imagem de prestígio e de tudo que cerca a música clássica (educação, valores humanistas, consciência histórica, criação cultural etc.). Tenho certeza de que as milhares de pessoas que assistiram (ou assistirão) aos concertos da Filarmônica de Minas Gerais em sua turnê latino-americana levarão para casa uma ótima lembrança do estado de Minas Gerais – e, por extensão, do próprio Brasil.

Vida longa à Filarmônica de Minas Gerais!


[Clique aqui para conhecer a temporada 2013 da Filarmônica de Minas Gerais.]

[Nelson Rubens Kunze viajou a Montevidéu e assistiu ao concerto a convite do Instituto Cultural Filarmônica.]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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