Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 18 de Junho de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
"Salomé" é grande realização do Festival de Ópera do Theatro da Paz (26/11/2012)
Por Nelson Rubens Kunze

Não são questões “simples” as que a ópera Salomé, de Richard Strauss, aborda. A peça de Oscar Wilde (1854-1900), na qual o libreto se baseia, trata da redenção em meio às mais intensas experiências humanas: desejo, morte, ódio, vingança, adultério, amor... É um assunto incômodo, que exige certa dose de coragem, por revolver as nossas mais íntimas questões existenciais. Assim, não é por acaso que a apresentação de Salomé, no início do século passado, esteve associada a histórias de censura, proibição e a polêmicas – como também a ópera, de Richard Strauss (1864-1949), estreada em Dresden, na Alemanha, em 1905. Em um ato de 1 hora e 40 minutos ininterruptos de música, a obra desemboca em um turbilhão de êxtase pelo desejo consumado na morte. Salomé também é uma grande criação por tematizar esses mistérios da psique humana.

Por conta da complexidade do argumento e da partitura musical – para grande orquestra, na típica escrita do Romantismo straussiano –, confesso que recebi com certo ceticismo a notícia de que o Festival de Ópera do Theatro da Paz pretendia montar o título. Tanto maior foi o meu entusiasmo ao assistir ao bom resultado que a estreia do último sábado, dia 24 de novembro, alcançou.


Cena da ópera Salomé, no Theatro da Paz, em Belém do Pará [foto: divulgação]

Com um significativo reforço de músicos convidados, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob direção do regente titular Miguel Campos Neto, tocou a complexa e densa partitura com muita convicção, proporcionando belos momentos orquestrais. Campos Neto soube conduzir o espetáculo com propriedade e sempre atento ao discurso dramático.

Igualmente convincente como um todo foi o elenco, que apresentou boas surpresas, como a mezzo soprano Josy Santos, que fez a Pajem. O tenor Giovanni Tristacci cantou Nabarroth, a mezzo Andreia Souza interpretou a rainha Herodíade e Paulo Queiroz demonstrou bom desempenho como Herodes. Rodrigo Esteves, que interpretou Jokanaan, tem uma voz privilegiada e foi, sem dúvida, um destaque na noite.

Mas espetacular foi a performance da soprano holandesa Annemarie Kremer como princesa Salomé. Após um início um pouco tímido, a artista logrou desenvolver paulatinamente sua força dramática. Em seguida à ótima dança dos sete véus (com direito a nu frontal!), Kremer encarou o derradeiro ápice da obra – a consumação de seu desejo com um beijo na boca da cabeça decepada de Jokanaan – com uma entrega rara de se ver no palco lírico (linda iluminação de firmamento estrelado – acho que vou me lembrar desta cena por um bom tempo...).


Cena da ópera Salomé, no Theatro da Paz, em Belém do Pará [foto: divulgação]

Ficou para o fim falar da encenação funcional e competente, que sem dúvida concorreu para o sucesso da montagem (direção cênica de Mauro Wrona). Uma grande estrutura qual uma concha ovalada, que continha as escadarias do palácio, proporcionou uma visão impactante ao mesmo tempo em que garantiu boas soluções para a movimentação dos atores (cenografia de Duda Arruk). Esse cenário reforçou a sensação de cerceamento, potencializando a solidão e desesperança dos atores. Os figurinos de época foram de Elena Toscano. Destaque ainda para o ótimo trabalho de iluminação realizado por Caetano Vilela, que mais que “iluminar” a cena enriquece, com suas propostas visuais, o desenrolar da narrativa. A supervisão artística foi de Gilberto Chaves, também coordenador geral do festival.

Creio que uma das razões para o bom resultado da montagem tenha sido o equilíbrio e a perfeita conjunção da realização musical com a cênica. Os diversos elementos operaram em um mesmo nível, gerando um todo orgânico e consistente.


Cena da ópera Salomé, no Theatro da Paz, em Belém do Pará [foto: divulgação]

Sem dúvida, esta produção de Salomé do Festival de Ópera do Theatro da Paz alça Belém a um novo patamar artístico. E se a programação desta 11ª edição do festival foi ambiciosa – antes ainda teve Cavalleria rusticana e João e Maria –, ano que vem tem mais: informalmente já se fala no Navio fantasma e em Trovatore para comemorar os bicentenários de Wagner e Verdi, além do Elixir do amor, de Donizetti.

Uma proposta justa para servir a esta cidade musical e a um dos teatros mais belos e tradicionais do país, que é o centenário Theatro da Paz.

[Nelson Rubens Kunze viajou a Belém e assistiu à ópera Salomé a convite da Secretaria de Cultura do Estado do Pará.]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Julia Lezhneva: Triunfo barroco na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (12/6/2018)
Movimento Violão, 15 anos de atividades eternizadas num lançamento de fôlego Por Camila Frésca (4/6/2018)
Dois elencos, duas Traviatas Por Jorge Coli (28/5/2018)
Uma grande surpresa e um grande concerto para piano Por João Marcos Coelho (25/5/2018)
Suisse Romande: Master class na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (15/5/2018)
Um matrimônio espirituoso, vivo e musical Por Jorge Coli (8/5/2018)
“Fausto” é novo marco artístico do Festival Amazonas de Ópera Por Nelson Rubens Kunze (7/5/2018)
Clássico em terreno popular: o encantador recital de Cristian Budu na série “Tupinambach” Por Camila Frésca (3/5/2018)
Um "Faust" digno dos grandes teatros internacionais Por Jorge Coli (2/5/2018)
Cristian, Jamil e OER empolgam o Municipal lotado Por Irineu Franco Perpetuo (30/4/2018)
Verdi futurista aterrissa no Theatro Municipal do Rio Por Nelson Rubens Kunze (30/4/2018)
Ótima "Traviata" estreia em Belo Horizonte Por Nelson Rubens Kunze (27/4/2018)
A Camerata Romeu e a reinvenção da música Por João Marcos Coelho (26/4/2018)
Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp Por Nelson Rubens Kunze (25/4/2018)
Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
 

 
São Paulo:

18/6/2018 - Caio Guimarães e Lucas Nogara - pianos

Rio de Janeiro:
19/6/2018 - Maur Trio

Outras Cidades:
19/6/2018 - Recife, PE - Orquestra Sinfônica de Recife
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046