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(Re)Nasce um importante espaço para a música de câmara de São Paulo (7/12/2012)
Por Camila Frésca

Na noite da última quarta-feira, dia 5, a cidade de São Paulo recebeu de volta um importante marco cultural: a sala de audições do Conservatório Dramático e Musical. A instituição antecedeu a criação do Teatro Municipal e foi responsável por formar importantes compositores, regentes e virtuoses da cidade no início do século XX. Inaugurado em 1906, por ele passaram, como alunos ou professores, gente do quilate de Mário de Andrade, Francisco Mignone e Camargo Guarnieri. Em seu período áureo, o Conservatório chegou a ter 1.400 alunos e recebeu artistas como Pietro Mascagni, Alberto Nepomuceno e Villa-Lobos. Mas o curso do tempo não foi indelével: após a década de 1940, a escola iniciou um processo de decadência artística e pedagógica, acompanhada de uma gradual deterioração de seu prédio. Na década de 1980, houve uma primeira tentativa de revitalização, não totalmente concluída. Com sérios problemas estruturais e de gestão, o Dramático foi desapropriado pela prefeitura em 2006, ano de seu centenário.

A colaboração intensa que houve entre a escola e o Teatro Municipal, nos primeiros anos de vida de ambos, foi retomada agora, já que o prédio é um dos que integram o complexo da Praça das Artes, espaço que vai servir para os ensaios dos corpos estáveis do Municipal e abrigar arquivos históricos. (Com aproximadamente 28.500 m², localiza-se no quarteirão atrás do teatro, formado pelas ruas Conselheiro Crispiniano, Formosa, Avenida São João e Praça Ramos de Azevedo.)


Salão do Conservatório Dramático e Musical [foto: divulgação / Sylvia Masini]

Com a casa lotada, o concerto de inauguração reuniu alguns dos melhores músicos de São Paulo, como o violonista Fabio Zanon, a soprano Adélia Issa e o Quarteto de Cordas da Cidade. O repertório, com peças breves mas não ligeiras, se iniciou com Sertão no estio, de Villa-Lobos. Seguiu com Stravinsky, Hans Werner Henze e Francisco Mignone. As três últimas peças encerraram a noite em alto nível: o Sexteto místico de Villa-Lobos, Introdução e allegro, de Ravel, e o Choros nº 7, “Settimino”, de Villa-Lobos, numa linda leitura.

O restauro do Conservatório e de sua sala de audições devolve a São Paulo um espaço para a música de câmara valiosíssimo: além de preencher a lacuna de locais desse tipo, o faz com uma ótima qualidade acústica. Haverá ainda outros eventos de lançamento, mas é importante que o Municipal – e a Fundação que agora passa a o gerir – invista numa programação regular de concertos, consolidando o espaço como a mais nova e atraente sala de câmara da cidade.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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