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Auscultando a música: grandes compositores vão ao pneumologista (13/3/2013)
Por Marco Aurélio Scarpinella Bueno

“Diga: trinta e três.” Em uma época em que a tomografia computadorizada relegou o raio X de tórax a segundo plano e o transplante de pulmão é uma realidade oferecida pelo SUS, deve causar estranheza a alguns pacientes quando seus médicos, ao examiná-los, lhe peçam o tal 33. Na verdade a ausculta torácica (parte da Semiologia médica que estuda os sons respiratórios e os seus significados) ainda é amplamente usada por seu baixo custo e boa sensibilidade, sendo capaz de detectar diversas alterações que auxiliam no diagnóstico das doenças pulmonares.

Para realizá-la os médicos se utilizam do estetoscópio, famosa invenção do Dr. René Laennec, que nos idos de 1816 se deparou com uma paciente obesa com mamas enormes.  Para exercer a profissão sem violar as normas sociais de então, que não enxergavam com bons olhos a técnica de colocar o ouvido em contato direto com a superfície do tórax dos pacientes, Laennec se utilizou de um cone de papel enrolado que ampliava os sons torácicos, tornando-os mais altos quando comparados à ausculta direta. Surgia não somente um dos aparelhos que mais revolucionou a história da medicina, mas também a técnica da ausculta torácica.

Mas é claro que grandes compositores do passado sofreram de afecções respiratórias sem nunca terem sido examinados por um médico que usasse o mais rudimentar dos estetoscópios. Antonio Vivaldi (1678-1741), mestre do Barroco tardio, parece ter sofrido de asma desde a infância. Termos usados por seus biógrafos como strettezza di petto (“aperto no peito”, algo bem conhecido de asmáticos mal controlados) o impediam de realizar os serviços religiosos após sua ordenação como padre em 1703. Assim obteve o posto de professor no Pio Ospedale della Pietà, onde suas talentosas alunas causavam furor ao interpretar as composições que surgiam com uma incrível rapidez.

Franz Joseph Haydn (1732-1809), o pai do Classicismo vienense, foi outro que padeceu com sintomas respiratórios crônicos, se bem que relacionados às vias aéreas superiores. Por mais de trinta anos Haydn se queixou aos médicos da família Esterházy de sintomas de obstrução nasal e dificuldade respiratória, e às vezes tinha tanta dor que não conseguia compor. Mesmo assim seu catálogo de obras ultrapassa 1.100 composições, sem falar que foi dele a formatação do gênero sinfônico e do quarteto de cordas. Imaginem se conseguisse respirar direito...

Apesar dos médicos acertarem no diagnóstico – polipose nasal – as quatro cirurgias a que Haydn foi submetido não resolveram o problema, deixando-o cético em relação aos avanços da medicina da época. Um pólipo nasal significa o crescimento de um tecido inflamatório que se projeta dos seios paranasais e obstrui a passagem de ar pelas narinas. De uma forma geral os pólipos nasais associam-se a problemas alérgicos, e se a poluição atmosférica é um problema inerente aos dias de hoje, o mesmo não pode ser dito dos ácaros existentes na poeira. Ou vocês acham que aquelas perucas empoladas tão típicas do Classicismo eram limpas adequadamente?

Na época da tísica pulmonar

Mas a criação do estetoscópio não foi o único momento importante da história da medicina para o posterior desenvolvimento da Pneumologia como especialidade. Quando o médico alemão Robert Koch identificou em 1882 o Mycobacterium tuberculosis, imputando-o como agente causador da tuberculose, a doença já causara a morte de centenas de milhares de pessoas, entre elas diversos compositores que entraram para a história. Aparentemente a tísica pulmonar (como era conhecida até o final do século XIX) foi responsável por ter encerrado a carreira de vários mestres da música, sem predileção por idade, nacionalidade e muito menos estética musical.

A lista abrange de Henry Purcell (1659-1695), mestre do Barroco inglês morto aos 36 anos e dono de um extenso catálogo que inclui odes aos reis Carlos II e Jaime II; ao polonês Karol Szymanovski (1882-1937), que faleceu em um sanatório suíço aos 54 anos. Um dos líderes do movimento Jovens Poloneses, o estilo de Szymanovski mesclava concepções musicais de Wagner, pitadas de misticismo oriental e um forte sentimento de nacionalismo musical, influenciando toda uma geração de compositores poloneses surgido no período entre as duas guerras mundiais.

Nesta triste lista de vítimas da tuberculose podemos incluir nomes de diversos mestres, todos mortos antes de completar 50 anos de idade!  Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) lembrado hoje em dia por um belo Stabat mater e por um par de óperas cômicas que ajudaram a consolidar o estilo italiano do gênero; o compositor, maestro e pianista Carl Maria von Weber (1786-1826), “pai” da ópera romântica alemã repleta de cenários fantásticos que marcou sobremaneira o jovem Wagner; além dos menos badalados Nikolai Rubinstein (1835-1881), Alfredo Catalani (1854-1893) e Anton Arensky (1861-1906).

No Brasil não podemos nos esquecer do talentoso Glauco Velásquez (1884-1914), compositor que deixou Darius Milhad fascinado quando de sua estada no Rio de Janeiro como adido cultural. E se a arte imita a vida não podemos nos esquecer do declínio de Violetta Valéry, a heroína de La Traviata de Giuseppe Verdi, acometida pela tuberculose; assim como a pungente ária Che gelida manina cantada por Rodolfo para sua consumida Mimi em La Bohème de Giacomo Puccini.

O caso Chopin

Um dos primeiros biógrafos de Frédéric Chopin (1810-1849), Édouard Ganche, não faz menção às “mãozinhas frias” tais quais as de Mimi, mas vejam que relato interessante publicado em Chopin: sa vie et ses ouvres de 1913: “Pele muito clara. Pomo de Adão proeminente e as bochechas murchas. Até suas orelhas lembram aqueles que são consumidos pela doença”. Epíteto do compositor romântico que revolucionou a linguagem pianística com seus prelúdios, polonaises e baladas, Chopin posava de dândi pelos salões de Paris mesmo com a saúde constantemente frágil em decorrência da falta de ar, os seguidos acessos de tosse e as infecções respiratórias frequentes. Em seu atestado de óbito o Dr. Jean Cruveilhier escreveu como causa da morte “Tuberculose dos pulmões e da laringe”, mesmo confidenciando a outros profissionais que Chopin morrera de uma doença que “eu nunca vi!”

Herói nacional da Polônia o compositor, que jamais retornou à pátria após a invasão russa em 1831, deixou como último desejo a intenção de que seu coração fosse enterrado em solo polonês. E é aí que começa um dos mistérios médicos mais intrigantes da história da música. Uma análise mais detalhada da vida de Chopin mostra que além dos sintomas respiratórios crônicos que já se manifestavam desde a infância, queixas diversas como diarréias recorrentes e dificuldade em ganhar peso sugeriam algum diagnóstico diferencial que não exclusivamente a tuberculose.

Logo que chegou a Paris, antes de completar 22 anos, Chopin anotou em seu diário que o “ar não passava pelo nariz” o que poderia denotar a presença de pólipos nasais. Em outra passagem revela que só possuía um testículo – “o outro jamais desceu” está escrito em seu diário – o que poderia explicar porque ele e a escritora George Sand (pseudônimo de Amandine Dupin) não tiveram filhos (ela teve duas crianças de seu primeiro casamento). O período em que o casal passou em Palma de Mallorca (1838-1839) assinala o início do declínio da saúde do compositor e é rico em observações da amante sobre a vida cotidiana: “Chopin sempre tem dor de barriga e diarréia após comer carne de porco”. Estes e outros comentários sempre chamaram a atenção não apenas do Dr. Cruveilhier, mas de vários outros profissionais em relação ao diagnóstico de tuberculose pulmonar. Ainda mais porque o pai de Chopin também sofria de infecções respiratórias de repetição, assim como a sua irmã mais velha que faleceu aos 47 anos de uma hemorragia pulmonar e a caçula, morta aos 14 anos por uma hemorragia digestiva.

Em 2008 o médico polonês Michal Witt, diretor do Instituto de Biologia Molecular e Celular de Varsóvia, aproveitou-se do fato do coração de Chopin estar depositado em uma urna na Igreja da Santa Cruz para solicitar ao Ministério da Cultura da Polônia que uma amostra do órgão fosse submetido a uma análise de DNA. Sua hipótese é que o compositor não morrera de tuberculose, e sim de fibrose cística, uma das doenças genéticas mais freqüentes em europeus brancos, e que afeta 1 indivíduo em cada 2.500 nascidos vivos.

A fibrose cística só foi descrita de forma sistemática em 1946, mas sabe-se atualmente que há mais de 1.300 mutações diferentes em um determinado gene que causam uma série de alterações nos sistemas respiratório, gastrointestinal e na fertilidade. Se mesmo no século XXI não é comum o pneumologista desconfiar de um adulto portador de fibrose cística (já que historicamente estes pacientes morrem na adolescência), imaginem em meados do século XIX. Mas é fato que 11% dos portadores do gene mutante são diagnosticados na idade adulta, e quando isto ocorre a doença é mais branda permitindo uma sobrevida maior.

O pedido do Dr. Witt ao governo polonês não deixa de mostrar que o médico foi influenciado pelo legado romântico de Chopin: “Não é certo mostrar àqueles pacientes que sofrem com fibrose cística que há mais coisas na vida do que um corpo frágil, e que eles não estão predestinados a morrer sem deixar algo de inspirador que realmente influencie as gerações por vir?” Infelizmente o governo polonês recusou a proposta alegando “não haver conhecimento suficientemente reunido”.

Espirrou, tossiu? benzetacil®!

Apesar de hoje em dia a velha penicilina descoberta pelo Dr. Alexander Fleming não amedrontar boa parte das bactérias, houve tempo em que sua aplicação intramuscular fazia muito marmanjo tentar emitir um “dó de peito” para disfarçar o choro causado pela dolorida injeção. Primeiro antibiótico a ser usado comercialmente em larga escala (desde 1941) a penicilina reduziu drasticamente a mortalidade de inúmeras doenças infecciosas, entre elas a pneumonia, que até então matava 70% dos pacientes.

Faz parte desta lista alguns compositores ilustres como Franz Berwald (1796-1868), que mesmo sendo o patrono da música clássica sueca nunca sensibilizou de fato os ouvintes de então, que jamais entenderam a originalidade de sua obra. Tendo composto bastante para as gavetas Berwald resolveu em um determinado instante trocar as partituras pelo instrumental cirúrgico ortopédico, tornando-se mais bem aceito como médico do que como compositor.

Outro que morreu de pneumonia foi o tcheco Leoš Janáček (1854-1928), artista de uma originalidade impressionante e autor de óperas fundamentais do século XX como Jenufa, Katya Kabanova, A raposinha esperta e Da casa dos mortos. Do início dos sintomas respiratórios (tosse e febre) em 9 de agosto ao óbito se passaram apenas 72 horas, sugerindo que a pneumonia de Janáček tenha apresentado complicações como septicemia. Tais dados são corroborados pelos relatórios médicos que indicam com detalhes não apenas os medicamentos usados, no caso as injeções de adrenalina para melhorar a pressão arterial, mas a incorporação do que havia de mais recente no diagnóstico pneumológico, o aparelho de Raio-X. 

Um pneumologista entre Brahms e Liszt

Franz Liszt (1811-1886) foi outro a falecer de pneumonia e certamente não teve seus pulmões examinados pelos Raios-X, já que o método só foi desenvolvido pelo físico Wilhelm Röntgen dez anos após a morte do compositor. Mas se os primeiros estudos sobre os “raios invisíveis” (daí o X) só foram publicados em 1896 após uma descoberta quase acidental, há outra anedota, essa no campo da música, que talvez mereça uma opinião pneumológica.

Para os iniciados não é segredo que na Alemanha de meados do século XIX só havia duas opções possíveis em relação à apreciação musical: ou você seguia os mandamentos de Robert Schumann elegendo Johannes Brahms (1833-1897) como o “verdadeiro Apostólo” responsável por dar continuidade à tradição clássico-romântica, ou você era do time de Liszt (e, por conseguinte, de Wagner) e vibrava com os novos experimentos harmônicos que levavam a linguagem musical para novas direções. Alheios a polêmicas, Liszt e Brahms mantiveram uma distância respeitosa e continuaram a trilhar seus caminhos.

Mas há uma pequena história que merece ser relembrada. Em setembro de 1853 Brahms encontrou-se com Liszt em Altenburg, ocasião em que o compositor húngaro interpretou a recém terminada Sonata para piano (ironicamente dedicada a Schumann), um marco de inovação na escrita pianística. Para desespero de todos, Brahms adormeceu! O que realmente aconteceu? Desdém? Incompreensão? Ou será que Brahms começava a esboçar os primeiros sintomas de uma futura apnéia obstrutiva do sono, uma doença que começou a ser descrita de forma sistemática apenas em 1965?

A apnéia do sono ocorre enquanto a pessoa dorme, quando o palato mole obstrui a passagem de ar impedindo a oxigenação adequada dos órgãos, especialmente do cérebro. Em conseqüência há microdespertares (não percebidos pelo paciente) com fragmentação do sono e sonolência excessiva durante o dia, fazendo que os portadores adormeçam com facilidade no dia-a-dia, seja durante os concertos (por isso deve ser prontamente tratada!), seja nas salas de espera de médicos pouco pontuais. Um dos sintomas mais freqüentes dos portadores de apnéia do sono é o ronco, que costuma ser alto, e incomoda bastante a (o) companheira (o).

Posto isto voltemos à silhueta de Brahms. Mesmo antes de ostentar a imponente barba é possível perceber que seu manequim deve ter pendido mais para o XL que para o M. Além disso, a papada e o pescoço grosso favorecem (teoricamente) a diminuição da coluna de ar predispondo à obstrução. Como seu relacionamento com Clara Schumann foi platônico fica no ar a questão se roncava alto...

O ministério da saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde

Para os conhecedores da matéria, 1912 marca o início da música moderna com as composições do ciclo de canções Pierrot lunaire de Schönberg, Jeux de Debussy e a Sagração da Primavera de Stravísnki (que só foi estreada em 1913). Nesta época fumar cigarro ainda não era hábito e o consumo mundial anual era de “apenas” 100 bilhões de unidades. Até então a humanidade consumia tabaco de outras formas: rapé, fumo mascado, cigarrilha, cachimbo e charuto. Que o digam Johann Sebastian Bach, Händel, Rossini, Berlioz, Max Bruch, Carlos Gomes, Gabriel Fauré, Charles Gounod, Wagner e Mahler, entre outros adeptos do hábito. Fumar deve ter dificultado a recuperação de Anton Bruckner (1824-1896) após a drenagem de tórax a que foi submetido (discute-se o motivo), assim como de Edvard Grieg (1843-1907) que continuou a fumar após sofrer de tuberculose e acabou morrendo de insuficiência respiratória.

O discurso de que charuto não faz mal já foi contestado por publicações científicas sérias, que o associam a um risco maior de doenças cardiovasculares e câncer. É só nos lembrarmos de Giacomo Puccini (1858-1924), fumante inveterado de charutos, que teve um câncer de laringe diagnosticado após queixas crônicas de dor de garganta. O mestre italiano foi um dos primeiros pacientes a ser tratado com radioterapia, na época ainda em fase experimental. A mesma notícia preocupante foi recebida pelo finlandês Jean Sibelius (1865-1957) em 1911, ano em que foi submetido a uma intervenção cirúrgica por uma suspeita de câncer na garganta. O diagnóstico não se confirmou, mas o receio da morte impregna sua Sinfonia nº 4, a mais “psicológica” de suas partituras orquestrais. Heitor Villa-Lobos (1887-1959), que adorava um charuto cubano depois do jantar, passou os últimos onze anos de vida convivendo com um câncer de bexiga, sabidamente relacionado ao fumo.

Após o final da I Guerra Mundial o consumo mundial de cigarros aumentou em proporções assustadoras. Em 1920 era de 5 x 1011  unidades (500 bilhões), passando a 21,5 x 1011  em 1960 e 63,1 x 1011 em 2010. Em 1960, quarenta anos após o mundo de Marlboro (lamentavelmente não se trata do famoso festival de música de câmara que ocorre em Vermont, EUA) fazer a cabeça de compositores, regentes, instrumentistas e milhões de pessoas, o câncer de pulmão já matava mais que todos os outros tipos de câncer no homem (na mulher o câncer de pulmão ultrapassou o câncer de mama em 1980). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde o tabagismo, responsável pela morte de mais de 5 milhões de pessoas por ano no mundo, tornou-se a principal causa evitável de óbito no planeta.

Uma das ilustres vítimas do câncer de pulmão foi Dmítri Shostakóvitch (1906-1975), que fumava copiosamente para lidar com as azucrinações causadas por Stálin. Depois da morte do “Grande Líder” foi a vez de ser infernizado pelas críticas “anti-formalistas” de Tikhon Khrénnikov, secretário geral da União dos Compositores e o todo poderoso da música soviética de 1948 até o ocaso do comunismo. Além de câncer e doenças cardiovasculares não podemos esquecer que o cigarro é responsável por mais de 90% dos casos de enfisema pulmonar, que o diga Leonard Bernstein (1918-1990) que fumava três maços por dia e desde os meados dos anos de 1970 convivia com as limitações impostas pelo enfisema. Graças ao rico acervo em vídeo de seus concertos como regente é possível observar como a intensidade de seus movimentos (não a emoção!) foi diminuindo com o passar dos anos. É dele a constatação: “Uma das coisas boas de ser maestro é que não posso fumar enquanto estou regendo”.

Literalmente morto pelo hábito tabágico foi Anton Webern (1883-1945). Na noite de 15 de setembro de 1945 enquanto as forças de ocupação aliada garantiam o toque de recolher nos arredores de Salzburgo, Webern, que fora jantar na casa da filha, resolveu sair para fumar um charuto. O compositor foi advertido em inglês por um soldado. Não entendeu a ordem dada, acendeu o charuto e foi abatido por um tiro. O mais serialista dos discípulos de Schönberg teve um final digno de uma ópera de Leoncavallo: La commedia è finita!

Prescrição médica para o pós-modernismo
 
Sempre gostei de Gilberto Mendes, um compositor de ideias novas que completou 90 anos há pouco. Por isso sugiro a escuta atenta de suas obras quando alguém me pergunta como é a boa música de nosso tempo. No início dos anos de 1960 ele retornou de Darmstad decidido a criar uma Neue Musik diferente daquela praticada na Europa. Na época a Pneumologia brasileira ainda lutava para se separar do estigma da Tisiologia. Hoje seu Festival de Música Nova já completou 50 anos e a Pneumologia comemora seus 40 e poucos anos de especialidade.

Certa vez o compositor me disse ser asmático, razão pela qual vem pouco a São Paulo. A poluição não deve lhe fazer bem, obviamente. E um asmático jamais se esquece da sensação da falta de ar. É só escutar sua Asthmatour, uma bem sacada crise de asma com direito a uso de bombinha e falta de ar, só aliviada pela força dos versos do poeta Antonio José Mendes, filho do compositor: “a arma do ar contra a asma”. Para a tosse decorrente da doença do refluxo prescrevo Beba Coca-Cola que usa versos de Décio Pignatari. Quando Gilberto a compôs a comunidade médica ainda não havia estabelecido as bases científicas relacionando o refluxo ácido que vem do esôfago e do estômago com a tosse crônica.

E por falar em tosse, ela é a queixa mais freqüente no consultório do pneumologista, que se for um amante da música viverá sua especialidade além das consultas médicas, pois a quantidade de gente tossindo nas salas de concerto mereceria uma análise mais detalhada... Quem sabe em outra ocasião.

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Marco Aurélio Scarpinella Bueno - é médico e pesquisador musical.

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