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Nelson Freire em HD: sublime (17/7/2013)
Por Irineu Franco Perpetuo

Você já deve ter lido algo a esse respeito na edição de junho da Revista CONCERTO, em texto de Jeremy Nicholas para a revista inglesa Gramophone. Porém, tudo que é dito apenas uma vez permanece inédito, como dizia Nelson Rodrigues. Assim, não custa nada repetir aqui: acaba de sair no mercado internacional um vídeo com Nelson Freire que é um escândalo.

Lionel Bringuier & Nelson Freire live at the Royal Albert Hall (Bel Air Classiques) documenta uma apresentação ao vivo, na edição de 2010 do BBC Proms, de Londres. No repertório, um dos cavalos de batalha do pianista: o Concerto nº 2 em fá menor, de Chopin. Eu comprei em blu ray, mas o produto também está disponível em DVD.

Em seu recente livro Les Grandes Pianistes du XX Siècle (Buchet Chastel, 2013), o crítico francês Alain Lompech, no capítulo dedicado a ele, afirma que “nem iconoclasta, nem acadêmico, Freire toca de modo natural, sem esforço, sem sublinhar com um traço vermelho o que deve ser escutado em uma obra”.


 Nelson Freire [foto: divulgação]

Não estamos falando aqui de frieza nem de “trava”, evidentemente, e sim de uma musicalidade refinada e elegante que dispensa qualquer traço de afetação. Freire não faz “caras e bocas”, e prescinde de arroubos que nos demonstrem que está tocando de modo sublime: o discurso sonoro fala por si – e não fala pouco.

Já ao final do primeiro movimento, o público prorrompe em aplausos. Sinal do excesso de “leigos” na plateia? Sinceramente, não sei. Talvez os tais “leigos” fossem os mais profundos conhecedores do teclado – pois, aqui em casa, deu-me vontade de também sair batendo palmas.

Por outro lado, qualquer desejo de fazer barulho, movimentar-se ou, simplesmente, respirar, acaba sendo suspenso pelo segundo movimento da obra, em que Freire mostra dotes de prestidigitador, evocando um mundo sonoro rico em cores e poesia, e fazendo o tempo ao seu redor parar.

Ah, tem bis, sim, e é exatamente aquele que você estava esperando: a melodia da ópera Orfeu e Eurídice, de Gluck, na transcrição de Giovanni Sgambati.

O disco é complementado com outras peças, do repertório francês. Começa com a abertura Le Corsaire de Berlioz e traz ainda a Sinfonia nº 3 de Albert Roussel e a segunda suíte de Daphnis et Chloé, de Ravel.

Porém, devo confessar que, embora não faltem méritos à Filarmônica da BBC e ao jovem regente francês Lionel Bringuier (que completa 27 anos em setembro próximo), fico obsessivamente repetindo o Chopin, o tempo todo, para desfrutar plenamente o privilégio de apreciar o maior pianista brasileiro de todos os tempos em HD, capturado no auge de sua forma, e executando, com extrema maturidade, um repertório que vem depurando a longo de décadas .

Pelo que me disseram, Freire gravou o mesmo concerto com Bringuier em Colônia, para um disco a ser completado com obras de Chopin para piano solo. E, no ano que vem, deve registrar com o maestro Riccardo Chailly e a Orquestra Gewandhaus, de Leipzig, a integral dos concertos para piano de Beethoven.

Enquanto essas novidades não chegam, já reservei meu ingresso para 4 de agosto, na Sala São Paulo, quando ele deve interpretar o concerto de Schumann com a OSB, regida por Roberto Minczuk. Não sou de dar palpite na vida dos outros, mas acho que você deveria fazer o mesmo. 





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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