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Cristian Budu: do Prelúdio ao Clara Haskil (27/9/2013)
Por Irineu Franco Perpetuo

Eu estava no ônibus, a caminho do Theatro Municipal de São Paulo, no último dia 12 de setembro, para a estreia de Don Giovanni, quando recebi uma ligação da pianista Erika Ribeiro: “Meu, você não sabe! O Cristian ganhou o Concurso Clara Haskil!”

A emoção foi tão forte que quase desci no ponto errado. Voltando para casa, depois da ópera de Mozart, corri para a internet. Entrei no Facebook de Cristian Budu, e deixei os parabéns. Se não me falha a memória, desde 1993, com Ricardo Castro, no Concurso de Leeds, um brasileiro não ganhava uma competição pianística tão importante (não tenho pretensões a ser dono da verdade, nem minha memória é infalível; se você, leitor, se lembrar de outro caso, corrija-me, escrevendo para concerto@concerto.com.br).

Conheci o Cristian em 2007, quando ele foi o vencedor de Prelúdio, o concurso da TV Cultura, criado e apresentado pelo maestro Júlio Medaglia. Eu estava no júri. Na final, então com 19 anos, ele tocou o Concerto nº 2 de Rachmaninov, mas, para o meu gosto, suas melhores provas foram as anteriores, nas quais executou o Concerto para piano de Schumann – não por acaso, a obra da final do Clara Haskil (curta seu emocionante desempenho no vídeo divulgado pela competição). Já naquela época, fiquei impressionadíssimo não apenas com a facilidade técnica, mas com seu refinamento e generosidade, e uma vontade espontânea de fazer música de câmara com a orquestra – ele estava muito longe de querer impressionar plateia e jurados com malabarismos ou fogos de artifício.

A notícia completa da vitória de Cristian na Europa foi dada pelo site da Revista CONCERTO, que você pode ler aqui. Além de embolsar 25 mil francos suíços pela vitória, Cristian levou ainda o prêmio do público (3 mil francos) e o prêmio Children's Corner (2 mil francos). Presidido por Martin T:son Engstroem (fundador e diretor do Festival de Verbier), o júri era constituído ainda por Maria Tipo, Joaquín Achúcarro, Christopher Alder, Nicholas Angelich, Peter Frankl e Bruno Mantovani. Na final, ele derrotou concorrentes de peso, como o russo Dmitri Mayboroda – que, no ano passado, causou ótima impressão tocando Rachmaninov no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, com a Orquestra Experimental de Repertório, regida por Jamil Maluf.

“Eu não sou concurseiro, e nunca fui muito bom de fazer contatos”, afirma Budu, hoje com 25 anos, e ainda sob o impacto do resultado. Filho de imigrantes romenos, ele sempre sentiu uma afinidade natural com a homenageada pela competição, a pianista Clara Haskil (1895-1960), nascida na Romênia que, em 1942, radicou-se em Vevey – onde ela é nome de rua e do certame bienal criado em 1963, cuja 25ª edição Cristian venceu, juntando-se a uma galeria de nomes ilustres como Christoph Eschenbach, Richard Goode, Michel Dalberto, Steven Osborne, Till Fellner e Martin Helmchen (para falantes de francês, o site do concurso: clara-haskil.ch).


Budu entre Radu Lupu e Clara Haskil: duas de suas referências ao piano [fotos: divulgação]

Quem conhece esse jovem de fala mansa, que alternava lições de piano com aulas de danças regionais brasileiras com Antonio Nóbrega, sabe que está diante de um herdeiro dos ideais de discrição e humildade preconizados por Haskil. “Ouvi muitas de suas gravações, e admiro como ela unia delicadeza, franqueza e uma coisa direta, humana e calorosa”, conta. “Além do repertório, o que me atraiu para o concurso foi justamente a filosofia de Haskil: a música como comunicação humana”.

No começo do ano, Budu foi pedir a bênção de Nelson Freire. Ao ouvi-lo tocar a Kreisleriana, de Schumann, o sumo sacerdote do piano brasileiro declarou que ele deveria participar de um concurso de piano “grande” – e na Europa.

A coreana Wha-Kyung Byun, sua professora no Conservatório de Música da Nova Inglaterra, em Boston (EUA), também considerava que seria bom fazer um concurso “para pegar experiência”. A preparação foram duas aulas com Byun, mais duas com Eduardo Monteiro, o mago por detrás de tantos jovens talentos emergentes do piano brasileiro. “O Eduardo foi o santo da minha vida: ele me formou e abriu meus ouvidos”, sintetiza.

“O fato de que o júri não gostava de técnica muito pesada acabou me ajudando”, reflete. “Hoje eu dificilmente voltaria a encarar um Segundo de Rachmaninov. Meu gosto vai mais para o lado de Schubert, Schumann e Beethoven” – preferências não apenas de Haskil, mas também de outro de seus ídolos, Radu Lupu – não por acaso, também ele romeno.

Se, até a vitória no Clara Haskil, Guilherme Mannis era um dos raros regentes brasileiros a prestarem atenção no talento de Budu, convidando-o mais de uma vez a se apresentar com sua Orquestra Sinfônica de Sergipe, a história agora, previsivelmente, mudou.

“Nessas últimas duas semanas, eu não consegui encostar no piano. Fiquei só no telefone e no e-mail”, afirma o pianista. Ele não tem empresário, mas pretende se acertar logo com algum “para deixar de lado essa chatice toda e poder tocar”.

Internacionalmente, Budu já tem marcados concertos com a Sinfônica da Rádio de Stuttgart, na Alemanha, com a Orquestra da Suisse Romande, em Jerusalém, uma aparição no Festival do Ruhr (Alemanha), além de uma negociação com o Festival de Verbier, para 2014 ou 2015. No Brasil, há várias conversas avançadas, ainda carecendo de confirmação. Vale a pena acompanhar a agenda, pela Revista CONCERTO, e não perder a chance de ouvir esse talento empolgante do piano brasileiro.

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Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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