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“Cavalleria Rusticana” é destaque no Municipal (24/10/2013)
Por Nelson Rubens Kunze

É uma ótima ideia desbravar repertórios brasileiros esquecidos ou pouco executados, seja na música sinfônica, de câmara ou na ópera. É o caso de Jupyra, de Francisco Braga (1868-1945), que está em cartaz no Theatro Municipal de São Paulo, em dobradinha com a Cavalleria rusticana, de Pietro Mascagni (1863-1945). Nascido no Rio de Janeiro, Francisco Braga completou sua formação musical na Europa, com Jules Massenet, e sofreu influência da música alemã, especialmente de Wagner. Em 1900, tornou-se professor do Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, e, em 1909, teve seu poema sinfônico Insônia estreado na inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Francisco Braga também é o compositor de nosso Hino à Bandeira.

Já conhecíamos a música de Jupyra, com passagens bonitas e uma orquestração competente, da gravação realizada pela Osesp e John Neschling em 2002. A montagem do Municipal, contudo, demonstra que falta à ópera um desenvolvimento dramático mais consistente, fazendo com que os números se sucedam sem grandes surpresas ou emoções.


Cena de Jupyra, de Francisco Braga, apresentada no Municipal [foto: Sylvia Masini/divulgação]

Houve um grande empenho na encenação, dirigida por Pier Francesco Maestrini, que apresenta uma bonita e bem realizada cenografia (Juan Guillermo Nova e Giuseppe Cangemi). Chama a atenção o nível de detalhes e o rico acabamento da floresta tropical, que lembra pinturas do século XIX. Figurinos são de Carla Galleri e a luz de Pascal Mérat. Também o elenco se esforçou e demonstrou suas qualidades. A soprano Angeles Blancas Gulin fez Jupyra, contracenando com Marcello Vannucci como Carlito. Taís Bandeira fez Rosália e Angelo Veccia, Quirino.

A fragilidade dramática e pouca eficiência de Jupyra ficaram ainda mais evidentes ao lado da pequena obra-prima que se seguiu, a Cavalleria rusticana. Essa sim prende o espectador em seu genial arco dramático, que constrói tensões – com uma magistral alternância de trechos de caráter mais líricos e outros mais dramáticos –, que finalmente conduzem ao trágico desenlace final. Não por acaso a Cavalleria é um marco na história da ópera, considerada o início do “verismo” (tendência que trouxe para a ópera o “realismo” da vida cotidiana).


Cavalleria, de Mascagni, em montagem de Pier Francesco Maestrini [foto: Sylvia Masini/divulgação]

Foi muito feliz a encenação, também dirigida por Maestrini e realizada pela mesma equipe da Jupyra. Mais uma vez servindo-se de belos cenários, super bem realizados, em cenas luminosas, o diretor transfere a ação para um campo fora da cidade. Paradoxalmente, ao não apresentar concretamente a praça e a igreja, Maestrini acaba realçando ainda mais o modo de vida conservador e a religiosidade enraizada daquela pequena comunidade siciliana. A ideia engenhosa e funcional de transformar o marido Alfio em um mafioso potencializa a ofensa da traição; o duelo ganha ares de execução.

E foi excelente o desempenho do elenco. A soprano espanhola Angeles Blancas Gulin tem uma voz privilegiada e desempenhou o papel de Santuzza com grande entrega e emoção. Fernando Portari fez um ótimo Turiddu, demonstrando mais uma vez que é um dos mais preparados e maduros artistas brasileiros da atualidade. E foi surpreendente a atuação de Angelo Veccia como o mafioso Alfio (nem parecia o mesmo cantor que fizera o Quirino da Jupyra). Completaram o elenco da Cavalleria rusticana as igualmente muito boas Adriana Clis, como uma atraente e distinta Lola, e Lídia Schäffer, interpretando a mãe Lucia.

As óperas ainda tiveram a participação correta do Coral Lírico (preparação de Mário Zaccaro) e do Coral Paulistano (preparação de Bruno Facio). A música foi realizada pela Orquestra Sinfônica Municipal, com regência de Victor Hugo Toro, também diretor musical. E se cabe um porém, ele está aqui: o desempenho instrumental, carente de um maior refinamento e leveza, fez com que a orquestra ficasse um nível abaixo em um espetáculo que, no geral, apresentou alta qualidade artística.

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Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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