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A OER de Jamil Maluf e o fim de um ciclo virtuoso (20/2/2014)
Por Nelson Rubens Kunze

Na semana passada, a Fundação Theatro Municipal de São Paulo, por meio de seu diretor artístico, o maestro John Neschling, e seu diretor executivo, José Luiz Herencia, anunciou uma reestruturação das atividades da Orquestra Experimental de Repertório (OER), corpo estável da casa. A OER, criada em 1990 pelo maestro Jamil Maluf – que desde então era seu diretor e regente titular –, passará a ser dirigida pelo maestro Carlos Moreno, conhecido por sua atuação junto à Orquestra Sinfônica da USP e, mais recentemente, à Orquestra Sinfônica de Santo André.

Quem acompanhou esses mais de 20 anos da Orquestra Experimental de Repertório dirigida por Jamil Maluf sabe que este projeto era especial. Em concertos, óperas, balés ou música para cinema, a orquestra sempre se distinguiu por sua originalidade e frescor, e por um raro rigor e acabamento artísticos. E a percepção dessa singularidade era unânime, de público e crítica. Além de ter sido a melhor “escola” para dezenas de músicos que hoje ocupam cadeiras nas orquestras profissionais, a OER enriqueceu a cidade com produções que fizeram diferença, pois ela logrou solucionar a equação artística mais desafiadora: propor algo novo, com qualidade irretocável, para um público ativo e participante que lotava suas apresentações.


Jamil Maluf, que criou a Orquestra Experimental de Repertório em 1990 [foto: divulgação]

A OER idealizada pelo maestro Jamil Maluf foi uma orquestra que levou música de qualidade para a população, mas que também esteve fortemente engajada na profissionalização de jovens instrumentistas. Foi uma orquestra de música erudita no sentido mais rigoroso do termo, mas que também se articulou com a música popular brasileira, com o cinema, com as novas mídias e as novas linguagens (e sem concessões bregas ou populistas). A OER fez programas autorais sem ser elitista e promoveu qualidade sem discriminação.

Mas a OER do maestro Jamil Maluf, por sua riqueza e multiplicidade, não cabe na nova estrutura que se implementa no Theatro Municipal de São Paulo. Já no projeto desenhado pela gestão anterior, a OER fora enquadrada no departamento de formação – junto com as escolas –, contrariando a vontade de Maluf. E, no ano passado, quando se aventaram mudanças na OER, o secretário da Cultura Juca Ferreira já tinha exposto a intenção de integrar a orquestra em um amplo projeto de educação musical.

A reestruturação proposta pela fundação visa redefinir o papel da OER para enquadrá-la em seu setor pedagógico, transformando-a em uma “verdadeira orquestra jovem de excelência, a ponta da pirâmide da estrutura de formação musical do teatro”. Ela será o último degrau na profissionalização dos instrumentistas. “Queremos transformar a OER na melhor orquestra jovem do Brasil”, disse o maestro John Neschling.

A reestruturação da OER não é o fim da OER, insistiu o maestro John Neschling, afirmando que ela manterá seu espaço, seus músicos, seus monitores e seu calendário de apresentações. É verdade. E a indicação de um nome como o de Carlos Moreno – maestro que em sua carreira já deu demonstrações inequívocas de seu potencial de realização e de seu compromisso com a excelência – é um início auspicioso para a nova etapa que a OER enfrenta a partir de agora.

Contudo, se a reestruturação não é o fim da OER, ela é o fim, sim, de um ciclo virtuoso, que se insere na história da cultura paulista como uma das mais criativas e bem-sucedidas iniciativas da música clássica de nossa época. É o fim de um ciclo em que a OER produziu apresentações criativas e de excelência, acessíveis e comprometidas com a contemporaneidade. E o mérito deste ciclo que ora se encerra cabe a seu idealizador e realizador, o maestro Jamil Maluf, como com justiça reconhecem também os diretores da fundação.

Tanto maior é a responsabilidade da fundação em seu projeto de construir o novo e moderno Theatro Municipal que todos desejamos. Estaremos atentos para que, na vertente pedagógica de sua nova fase, a Orquestra Experimental de Repertório encontre seu lugar e possa seguir sua trajetória de brilho.

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Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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