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Não é 51, mas é uma boa, ótima ideia (12/3/2014)
Por João Marcos Coelho

O pianista Jeremy Denk toca a monumental Sonata Concord, de Charles Ives, em recital na Sala São Paulo no dia 30 de abril próximo. E, menos de dois meses depois, ele estreia como diretor musical do 68º Ojai Music Festival, que se realizará entre 12 e 15 de junho naquela pequena cidade californiana de 7.500 habitantes; e também do 4º Ojai North Festival, entre 19 e 21 de junho. Inquieto e provocador, Denk já programou a sua estreia como libretista de uma ópera cômica com música de Steven Stucky baseada em... O estilo Clássico, o fundamental livro escrito pelo pianista Charles Rosen, de leitura obrigatória para músicos e estudantes de música. O pianista descreve a ópera como “uma carta de amor a Mozart, Haydn e Beethoven, e uma sátira da pompa clássica”.

Ele também vai fazer a integral da obra para violino e piano de Ives, e tocará Ligeti/Beethoven, uma junção que ele já fez em uma gravação sensacional para a Nonesuch.


Jeremy Denk com uma partitura dos Estudos de György Ligeti [foto: Michael Wilson/divulgação]

Dá uma vontade danada de estar em Ojai, em junho, para assistir a essa estreia mundial. Mas este festival merece elogios também por outro motivo. O evento convida a cada ano um diretor musical diferente – e assim cada edição tem um ineditismo e enfoques totalmente diversos entre si. O festival nasceu em 1947. E de lá para cá já teve – tá sentadinho aí na sua cadeira? – nomes como Stravinsky, Boulez, Lukas Foss, Michael Tilson Thomas, Simon Rattle, Kent Nagano, Oliver Knussen, John Adams, Pierre-Laurent Aimard, Mitsuko Uchida, Dawn Upshaw, entre muitos outros nomes expressivos (dê uma sapeada no site: www.ojaifestival.org).

É, com certeza, a melhor maneira de impedir o engessamento de um festival de música. E pode ainda ser uma boa estender o comportamento a entidades como orquestras sinfônicas. Já pensaram como seria interessante termos compositores e músicos como Nelson Freire e Antonio Meneses como diretores musicais de ao menos uma série de concertos ao longo de uma temporada musical sinfônica?

O que é bom para Ojai pode, de repente, ser um tônico rejuvenescedor para a nossa convencionalíssima vida musical.

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João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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