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Por que ouvir música nova? (8/9/2008)
Por Leonardo Martinelli

Já é uma tradição paulistana: todo ano, no segundo semestre, alguns palcos da cidade cedem seu espaço para o Festival Música Nova, que junto com a Bienal de Música Brasileira Contemporânea (Funarte-Rio) e a Bienal de Música Eletroacústica de São Paulo, é um dos eventos fundamentais para a realização de música nova no país. Em sua 43ª edição, o evento traz este ano vários concertos que prometem propiciar a seu público o contato com o que há de mais novo realizado nos últimos tempos.

A cada ano, às vésperas do Festival, tem sido cada vez mais comum me procurarem pedindo indicações dos melhores concertos. Nesta edição fazer uma pré-seleção é uma tarefa ingrata, pois vários são os eventos que "prometem": Sciarrino, Ferraz e os ensembles Percorso, S:I.C. e Espai Sonor são apenas alguns dos muitos de uma lista que, por fim, englobaria o evento todo.

Porém, tão comum quanto o pedido de indicações, é eu ter que responder à pergunta "por que ouvir música nova?" e variações sobre ela. Minha maneira fácil de respondê-la é um simples "porque é legal", mas raramente meus interlocutores se deixam convencer pelo meu laconismo informal. Então, é quando tenho que evocar meus supostos dons retóricos para responder a esta inocente pergunta.

"Por que ouvir música nova?"

Porque é uma música freqüentemente bela.
Porque é uma música instigante e desafiadora.
Porque é a música de nosso tempo (e, particularmente, acho importante vivermos o tempo em que vivemos, inclusive musicalmente).
Porque eu quero saber/ouvir o que pensam/compõem os compositores de nosso tempo.
Porque é interessante testemunharmos um repertório que ainda não passou pelo julgamento estético-histórico (e assim tirar minhas próprias conclusões antes que os outros imponham as suas).
Porque, se o deslumbramento é um dos principais prazeres que a arte pode proporcionar, a novidade a pré-condição para isto.
Porque é uma música que exige uma escuta ativa, fundamental para não nos acomodarmos no sedentarismo estético vigente nas práticas musicais da atualidade.
Porque é ouvindo a música do presente que podemos ouvir a música do passado de forma madura.
Porque entrar em contato com novas formas de expressão é fundamental para apurarmos nossa percepção e fruição artística.
Porque é uma fina iguaria frente ao arroz-com-feijão cotidiano, e assim deve ser degustado.

Convencido? Espero que não. Então, prove por si mesmo!

Serviço:
43º Festival Música Nova
Em São Paulo e Santos, de 4 de setembro a 4 de outubro
Veja a programação completa clicando aqui.
Ou acesse o site do Festival Música Nova:
http://www.festivalmusicanova.com.br





Leonardo Martinelli - é compositor e jornalista. Foi editor-assistente da Revista CONCERTO entre 2009 e 2013, e atualmente é diretor de formação da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

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