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Filarmônica de Goiás tem destacada temporada e prepara OS (23/4/2014)
Por Nelson Rubens Kunze

Vamos lá: quantas orquestras no Brasil têm de fato uma temporada anual de concertos, que seja anunciada com antecedência e cuja realização seja um compromisso público? Dez? Em São Paulo temos a Osesp, o Theatro Municipal, a Osusp, o Theatro São Pedro e, recentemente, a Sinfônica de Campinas. No Rio, a OSB e a Petrobras Sinfônica. E ainda há a Filarmônica de Minas Gerais, as sinfônicas do Espírito Santo, Sergipe, Mato Grosso e do Theatro da Paz, a Amazonas Filarmônica. Mais alguma?

A este restrito clube soma-se a partir deste ano a Filarmônica de Goiás, que em março lançou sua temporada 2014 (leia mais aqui). Se já salta aos olhos a lista dos artistas convidados (José Feghali, Daniel Guedes, Ovanir Buosi, Alessandro Borgomanero, Arnaldo Cohen, Washington Barella, Jean-Louis Steuerman – para citar apenas algumas das estrelas nacionais; há também as internacionais), maior ainda a surpresa em relação à programação, com uma inteligente mescla de barrocos, clássicos, românticos e modernos, incluindo música brasileira (conheça a temporada aqui). A nova orquestra – que tem como diretor artístico e regente titular o maestro britânico Neil Thomson, como regente associado Marshal Gaioso, e como diretor de ação cultural Alessandro Borgomanero – ocupa o Centro Cultural Oscar Niemeyer, um teatro com uma sala de cerca de 1800 lugares, que também serve de palco para alguns de seus concertos.

Outras apresentações são realizadas no tradicional Teatro Goiânia, mais modesto e intimista (cerca de 700 lugares), no centro da cidade. Foi ali que assisti, na última quinta-feira, dia 17 de abril, ao primeiro concerto da série Quinta Clássica da Filarmônica de Goiás, que teve como artista convidado o violonista Fabio Zanon. Sob direção do titular Neil Thomson, a orquestra interpretou o prelúdio das Bachianas Brasileiras nº 4, de Villa-Lobos, o Concerto para violão e orquestra op. 67, de Malcolm Arnold, e a Sinfonia nº 1, Primavera, de Robert Schumann.


Público com o programa do dia 17/4, no Teatro Goiânia [fotos: divulgação/Rafaella Pessoa]

Com o teatro totalmente lotado, a Filarmônica de Goiás realizou um bonito concerto. Para além de seu gestual preciso e abrangente, Neil Thomson sabe dar espaço para a orquestra, criando momentos inspirados em concentrada integração com os músicos. O Prelúdio da Bachiana de Villa deu mostras do equilíbrio entre os naipes, e a sinfonia de Schumann – um desafio para a jovem orquestra – revelou o potencial dos instrumentistas. A interpretação orgânica, em que se reconhece o cuidado com dinâmicas e articulações, certamente evoluirá quando os timbres dos diferentes naipes ganharem mais coesão, um resultado que só o tempo (e quiçá melhores instrumentos) proporcionará.


Neil Thomson, o novo diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Goiás

Mas o mais interessante da noite foi o concerto do britânico Malcolm Arnold (1921-2006), que raramente é ouvido (Zanon crê que a apresentação tenha sido a estreia da obra no Brasil). A peça tem uma instrumentação peculiar – cordas, uma flauta, um clarinete e uma trompa – na qual por vezes os sopros, individualmente ou em grupo, quase como solistas, estabelecem diálogos com o violão e a orquestra. Escrita em linguagem tonal, a música flui em frases inspiradas, em que os dois movimentos externos – mais rítmicos e movimentados – emolduram o lento central, que tem um tratamento mais tímbrico e melancólico. Sem dúvida, o concerto, dentro do enxuto repertório para violão e orquestra, é uma ótima alternativa ao Aranjuez de Rodrigo e mesmo ao concerto de Villa-Lobos.

E foi muito boa a realização da Filarmônica de Goiás e do ótimo Fabio Zanon (diga-se de passagem que também esteve muito bem resolvida a amplificação do violão). Zanon é um mestre, que sabe extrair do violão a intensidade de um instrumento de percussão ou o lirismo de uma melodia cantada. Em perfeita sintonia com o maestro e a orquestra, o concerto de Arnold ganhou uma leitura de emocionante musicalidade.


Fabio Zanon e Neil Thomson em concerto da Filarmônica de Goiás

Tudo isso já seria motivo de comemoração e grande felicidade, mas a Filarmônica de Goiás tem planos mais ambiciosos, que geram promissoras expectativas. Dirigida administrativamente pela jovem e dinâmica superintendente Ana Elisa Santos Cardoso – ela mesma musicista formada em Goiânia, com mestrado em piano nos Estados Unidos –, a filarmônica já tem pronto o projeto de contratação de uma organização social da cultura (OS), que em um futuro próximo (ainda este ano) deverá assumir a gestão da orquestra. Trata-se de uma parceria público-privada, por meio da qual uma entidade sem fins lucrativos firma um contrato de gestão com o estado e, seguindo as orientações estabelecidas pelo poder público, recebe recursos para dirigir profissionalmente a orquestra (um molde parecido ao da Osesp e da Filarmônica de Minas Gerais).

Resolvido este quesito realmente fundamental, a Filarmônica de Goiás poderá perseguir, sem aquelas conhecidas amarras burocráticas, seu objetivo maior, que é o de consolidar no estado de Goiás uma orquestra sinfônica de qualidade.

Curitibanos e paulistanos poderão conferir o trabalho da Filarmônica de Goiás em início de maio: sob direção de Neil Thomson e com a participação do violinista Ittai Shapira, a orquestra se apresentará no dia 2 no Canal da Música da capital paranaense, e no dia 4 na Sala São Paulo.

[Nelson Rubens Kunze viajou e assistiu ao concerto em Goiânia a convite da Filarmônica de Goiás.]

Texto editado no dia 23/04, às 22 horas.

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Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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