Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Terça-Feira, 20 de Fevereiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Redescobrindo Marcelo Tupinambá (24/4/2014)
Por Camila Frésca

Quando pensamos em compositores que, no final do século XIX e início do século XX, fundiram a tradição brasileira com a música de salão e a erudita e foram fundamentais na criação de uma música popular urbana no Brasil, logo vem à mente Ernesto Nazareth e, num segundo momento, Chiquinha Gonzaga. Mas, ao lado deles, há outros nomes que tiveram papel de destaque neste processo. Um desses, tão importante quanto os já citados, é Marcelo Tupinambá (1889-1953) – originalmente grafado Marcello Tupynambá. Hoje nome quase esquecido, Tupinambá foi um músico bastante popular e de intensa atividade que escreveu mais de 300 peças. Entre estas se encontram operetas, canções de câmara, maxixes, tangos, valsas e trilhas para o cinema.

Analisando o perfil do artista, Mário de Andrade escreveu, em 1924: “O que exalta a música de Marcello Tupynambá é a linha melódica. Muito pura e variada. O compositor encerra nela a indecisão heterogênea de nossa formação racial... É atualmente, entre os nossos melodistas de nome conhecido, o mais original e perfeito”. Depois de sua morte, no entanto, suas peças deixaram de ser publicadas e ele acabou por cair num grande esquecimento. Essa obscuridade promete ser interrompida agora, com o lançamento do site www.marcellotupynamba.com, pelos pesquisadores Alexandre Dias e Marcelo Tupinambá (bisneto do compositor).

Segundo Alexandre Dias, Tupinambá já foi chamado de “Schubert brasileiro”, pela qualidade de suas canções e, além de Mário de Andrade, era admirado por músicos como Villa-Lobos (que compôs uma sinfonia sobre tema dele), Darius Milhaud (que o classificou de “uma das glórias e joias da arte brasileira”), Ernesto Nazareth (que era seu amigo e compôs para ele a música Tupynambá), Souza Lima (que compôs duas improvisações sobre seus temas) e Eleazar de Carvalho.


Compositor Marcelo Tupinambá ao piano [foto: divulgação]

Marcelo Tupinambá foi o pseudônimo mais famoso usado por Fernando Álvares Lobo, nascido em Tietê, São Paulo, e filho de músicos portugueses. Seu tio era Elias Álvares Lobo, autor da primeira ópera escrita em português no Brasil, A noite de São João. Já seu pai, Eduardo Lobo, regeu a orquestra que recepcionou D. Pedro II no interior paulista. Tupinambá era também engenheiro, radialista, crítico musical e poeta, e teve ativa participação durante a Semana de Arte Moderna.

A música de Tupinambá exerceu enorme influência no gosto popular entre as décadas de 1910 e 1930, e os foliões, durante o período de Carnaval, saiam às ruas entoando as melodias do autor. As peças de Marcelo Tupinambá eram ouvidas nos teatros, cinemas, discos e mais tarde também no rádio e na TV. Essa enorme popularidade garantiu uma boa venda de partituras e a gravação de suas composições mais de 200 vezes, por artistas como Pixinguinha, Francisco Alves, Inezita Barroso, Eudóxia de Barros e Guiomar Novaes.

Toda essa história poderá ser mais bem conhecida e passada a limpo por meio do site, idealizado e coordenado por Alexandre Dias – que já realizou um trabalho semelhante com a obra de Ernesto Nazareth (www.ernestonazareth150anos.com.br). O carro chefe de www.marcellotupynamba.com é a disponibilização gratuita de 238 partituras de Marcelo Tupinambá (que correspondem a toda sua obra publicada). Mas, além disso, os navegantes encontram uma biografia do músico, cerca de 200 letras de canções, discografia, filmografia, vídeos, fotos, documentos e uma extensa bibliografia. As partituras podem ser baixadas em sua edição original (fac-símiles) ou em nova editoração, e, numa segunda etapa, devem ser incluídos também manuscritos do compositor.

Segundo revela Alexandre Dias, esse esforço hercúleo foi feito com recursos próprios e só se tornou possível por meio de parcerias com o arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, que mantém o acervo pessoal de Marcelo Tupinambá e forneceu as imagens escaneadas; a editora Irmãos Vitale, que autorizou a disponibilização de 136 partituras até fevereiro de 2015; e a família do compositor, que apoiou a empreitada e autorizou a disponibilização das demais partituras. Resta aos amantes da música brasileira dar sentido aos esforços de Dias aproveitando esta oportunidade única de conhecer um nome de referência da música brasileira do século XX.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

Mais Textos

Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Fevereiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 1 2 3
 

 
São Paulo:

21/2/2018 - Fábio Zanon - violão, Quarteto Osesp e Alunos da Academia da Osesp

Rio de Janeiro:
20/2/2018 - Adriana Ballesté - violão

Outras Cidades:
23/2/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046