Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Segunda-Feira, 11 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
O Cavaleiro Gluck no Theatro São Pedro (3/6/2014)
Por Jorge Coli

Bela ideia foi a de programar Ifigênia em Táuris, que Gluck compôs para o público francês, no Theatro São Pedro.

A importância de Gluck para a história da cultura – e não apenas para a história da música – é imensa. Não há exagero em dizer que a reforma neoclássica das artes, feita dentro do espírito Iluminista, teve com ele sua primeira proclamação militante: foi o manifesto de sua ópera Alceste (1767).

Ele expunha ali os princípios de simplicidade, de natural, meios destinados a reconquistar força expressiva e dramática – os mesmos que presidiram a regeneração da pintura que Jacques Louis David impôs em 1784 com O juramento dos Horácios. E, da mesma maneira que David eliminou a pintura galante e ornamentada do Antigo Regime, Gluck condenou a sofisticação virtuosística da ópera que o precedia.

Sua marca na história da música foi imensa: Beethoven, Berlioz, Wagner, entre outros, têm nele sua mais antiga raiz. E.T.A. Hoffmann o celebrou em uma novela fantástica, a admirável O cavaleiro Gluck. Lembrança do ano 1809.


Christoph Willibald von Gluck em quadro de Joseph Siffred Duplessis, de 1775

Mas Gluck não foi apenas um marco histórico. Ele foi também o primeiro autor moderno de óperas, no sentido de que suas obras nunca saíram do repertório. Tudo o que foi composto antes dele, de Monteverdi a Händel e Rameau, desapareceu dos teatros, e só recentemente, graças a um esforço de retorno e de ressurreição é que essas obras são redescobertas e encenadas.

Mas Orfeu, Alceste, Armida, as duas Ifigênias (em Tauris e em Áulide), de Gluck, foram sempre apresentadas com regularidade até nossos dias. Nunca saíram de cartaz. Quero dizer: suas óperas magníficas, que ressuscitaram em nova expressão as tragédias da antiguidade, sempre falaram ao público como música viva.

Orfeu é a mais frequente nos palcos; as outras são menos representadas. Assim, foi uma alegria assistir Ifigênia em Táuris no Theatro São Pedro.

Com alguns apesares.

Musicalmente, foi uma bela apresentação. Orquestra e coro em grande forma, regência enérgica e vibrante de Alessandro Sangiorgi. Lício Bruno conferiu ao rei Thoas uma força impressionante. Pílades e Orestes, que encarnam a força da amizade, foram defendidos com bravura por Flavio Leite e o argentino Luciano Garay.


Flavio Leite e Luciano Garay como Pílades e Orestes [foto: Décio Figueiredo/divulgação]

A também argentina Mónica Ferracani emprestou sua bela voz, e sua grande musicalidade à protagonista (Ouça Mónica Ferracani cantando Un bel di vedremo, de Madama Butterfly).

É verdade que sua pronúncia incompreensível impedia de identificar o idioma em que estava cantando, que tanto podia ser o francês do original, como o servo-croata, o turcomano, ou uma língua qualquer de sua invenção. Acrescente-se que, embora muito sensível, faltava lhe o temperamento da atriz trágica para esse papel poderoso.

Seu acanhamento certamente deve se ter agravado por causa da montagem. Gluck escreveu a mais elevada música, mais nobre, que tece a alma de personagens também nobres e elevados. Isso pressupõe a grandeza do gesto, as belas atitudes, as posturas soberbas, a dignidade altiva.

Ao invés, o que houve foi uma concepção pífia, parecendo quase amadorística, pobrezinha, tudo muito mirrado, sem paixão nem exaltação, um clima assim de teatrinho em colégio de freira. A montagem do São Pedro, de outro argentino, Gustavo Tambascio, certamente em crise de inspiração, parece ter sido inspirada da concepção que Pierre Audi realizou para a Ópera Nacional Holandesa (DNO), em Amsterdam, em 2011 (veja aqui a integral da versão holandesa). Uma imitação pálida ainda mais sumária, mais árida e mais anêmica do que o modelo, que já não era muito feliz.

Mas não importa. Estava lá a música sublime do Cavaleiro Gluck, belamente interpretada. Já é muito.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

15/12/2017 - Ópera Falstaff, de Verdi

Rio de Janeiro:
15/12/2017 - Nádia Figueiredo - soprano

Outras Cidades:
17/12/2017 - Porto Alegre, RS - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046