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O Reverendo Nelson e a incrível Philharmonia (16/9/2014)
Por Irineu Franco Perpetuo

Quando o homenageado merece, nenhuma comemoração é excessiva. Tendo inaugurado, em abril, com um recital solo, a série de assinaturas da Sociedade de Cultura Artística, o pianista Nelson Freire, que sopra 70 velinhas no mês que vem, regressa agora à cidade, na temporada do Mozarteum Brasileiro.

Devido à virtual suspensão de nossas atividades de concerto por conta da Copa do Mundo, os meses de agosto e setembro acabaram ficando superlotados de atrações internacionais. Porém, mesmo em uma época de abundância de ofertas, a apresentação do Reverendo Nelson se destaca. Não apenas pela presença do maior astro da música erudita no Brasil, mas pela participação dessa orquestra de qualidade superlativa que é a Philharmonia, de Londres.

No cenário altamente competitivo da capital inglesa, nenhuma orquestra pode se dar ao luxo de estar abaixo do nível excelente. Na plácida The Lark Ascending, do britânico Vaughan Williams (1872-1958), o grupo, sob regência de Vladimir Ashkenazy, procurou criar o clima meditativo adequado para as longas linhas melódicas entoadas com lirismo e afinação pela jovem violinista norte-americana Esther Yoo, de 20 anos.

O melhor, obviamente, estava por vir. Nelson Freire não precisa de efeméride para ser aclamado no Brasil. Trata-se de um craque que já entra em campo com o jogo ganho e, antes de tocar uma nota, foi ovacionado de maneira calorosa ao se apresentar para solar em um concerto que está em seu repertório desde os 12 anos, e que ele acaba de lançar em disco: o Imperador, de Beethoven.


Nelson Freire, solista da pequena turnê da Philharmonia, de Londres, pelo Brasil [foto: divulgação]

Um dos segredos do fascínio de Freire é representar, no terceiro milênio, uma ligação com a chamada “era de ouro do piano”, de meio século atrás. Em um concerto como o Imperador, ele é capaz de entregar tanto a atmosfera grandiosa requerida no primeiro movimento, quanto a agilidade virtuosística exigida no terceiro.

É na pura poesia do movimento lento, contudo, que sua arte parece se revelar de forma mais intensa. Difícil não levitar quando ele executa o Adagio un poco mosso do concerto de Beethoven – ainda mais acompanhado por uma Philharmonia cujos integrantes possuem gama de dinâmica e refinamento de fraseado que possibilitam um diálogo de mais alto nível com o solista.

Devo confessar que, quando Nelson Freire toca com orquestra, normalmente eu deixo a apresentação no intervalo, para continuar com sua sonoridade na cabeça, sem interferências. Esnobar a Philharmonia, porém, seria auto-sabotagem e crime lesa-música.

E não me arrependi nem um tiquinho de ter ficado para a segunda parte, quando a orquestra interpretou a Sinfonia nº 5, de Sibelius, de 1915. Em um misto de misticismo e alcoolismo, o compositor dizia ter escrito a obra sob inspiração direta de Deus, visualizando um cortejo de 16 cisnes no final da partitura.

Não é preciso ser místico ou alcoólatra, de qualquer forma, para desfrutar da fértil imaginação musical de Sibelius. Lançando mão de uma coreografia idiossincrática, Ashkenazy manipulou com maestria as inesgotáveis gradações entre pianíssimo e fortíssimo oferecidas pelos músicos da Philharmonia para descortinar todo o colorido e originalidade do caleidoscópico mosaico sonoro do compositor finlandês. Feliz de quem saiu da Sala São Paulo antes do bis e, sem ser submetido ao “samba de branco” executado por Ashkenazy e sua orquestra, pôde voltar para casa apenas com a mágica interpretação de Sibelius no coração.

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Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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