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O sedutor “Delírio” de Baldini e Karin (9/2/2015)
Por Irineu Franco Perpetuo

A morte do CD há anos é anunciada por muita gente (eu inclusive), porém felizmente nossos músicos não deram a menor bola, e vêm sabendo aproveitar o barateamento das tecnologias de gravação, as vantagens de distribuição e os programas de incentivo (como o ProAC, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo) para dar seu recado – muitas vezes, privilegiando o ainda tão pouco divulgado repertório nacional.

Talvez não haja excesso em diagnosticar algo como uma “febre” no ano passado – conforme Camila Frésca já comentou nesse espaço, tivemos uma média de dois lançamentos por mês em 2014.

Como o ano passado ainda não está tão distante assim, e dizem que o ano, no Brasil, efetivamente, só começa depois do Carnaval, gostaria de aproveitar para chamar a atenção para um dos melhores lançamentos fonográficos do final de 2014: Delírio, uma incandescente fusão dos talentos do violinista Emmanuele Baldini, spalla da Osesp, e da pianista Karin Fernandes, especialmente atenta a escolhas de repertório que fogem do mainstream de seu instrumento.


Em Delírio, Karin Fernandes e Emmanuele Baldini gravaram sonatas de Miguéz e Velásquez [foto: divulgação]

Repertório, por sinal, foi o primeiro item que me atraiu para o álbum. Agora que, no terceiro milênio, finalmente arrefeceram as “patrulhas ideológicas” do nacionalismo, que por tanto tempo rondaram a música brasileira, e o próprio nacionalismo revelou ser mais uma corrente histórica como as outras, os intérpretes finalmente se sentem mais livres para abordar a produção que não traz marcas evidente de “brasilidade”, nem se preocupa com o tal “caráter nacional”.

Assim, Baldini e Fernandes registraram a deslumbrante Sonata, op. 14, do músico que melhor encarnou as reformas republicanas no Brasil, Leopoldo Miguéz (1850-1902), bem como o par de sonatas para violino e piano do precocemente falecido Glauco Velásquez (1884-1914), cuja poética afrancesada soava ousada para o panorama cultural do Brasil da belle époque.

Não se trata de primeiras gravações: na discoteca aqui de casa, tenho três CDs anteriores da obra de Miguéz, e uma das de Glauco. Porém, não me parece exagerado afirmar que esses documentos do romantismo tardio brasileiro nunca soaram tão sedutores como agora. Qualidade do registro sonoro, apuro técnico, compromisso para com as obras, entendimento estético, bom gosto e refinamento musical fazem desse não apenas um “registro” das peças, mas uma verdadeira interpretação, que se deixa ouvir com gosto e prazer, repetidas vezes. Torço para que Baldini e Karin não parem por aí, e sigam explorando novas searas do repertório – seja ele “nacional” ou não.

[O álbum Delírio está disponível na Loja CLÁSSICOS]

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Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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