Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 23 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Ótimo concerto abre temporada comemorativa do Quarteto de Cordas da Cidade (7/4/2015)
Por Nelson Rubens Kunze

O Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, grupo pertencente ao Theatro Municipal, está comemorando 80 anos. Um conjunto de câmara de música clássica completar esta provecta idade não é algo trivial em nenhum lugar deste nosso mundo, o que dizer então aqui em nosso país. E certamente a vida do quarteto não deve ter sido fácil nem gloriosa em toda sua trajetória.

O grupo foi criado por Mário de Andrade (1893-1945), que em 1935 acabara de se tornar diretor do recém-criado Departamento de Cultura de São Paulo. Inicialmente, o conjunto se chamava Quarteto Haydn, depois Quarteto Municipal, até que, em 1981, ganhou a denominação atual. Sua primeira formação contou com os violinistas Anselmo Zlatopolsky e Ernesto Trepiccione, o violista Amadeu Barbi e o violoncelista Calixto Corazza. Desde 2002 o quarteto é formado pelos violinistas Betina Stegmann e Nelson Rios, o violista Marcelo Jaffé e o violoncelista Robert Suetholz.


Nelson Rios, Betina Stegmann, Marcelo Jaffé e Robert Suetholz [foto: Gabriel Novaes/divulgação]

Foi muito bom e emocionante o concerto de abertura da temporada 2015 do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, comemorativa de seus 80 anos, quinta-feira passada (02/04), véspera da Sexta-Feira Santa, em que apresentou As sete últimas palavras de Cristo na cruz, de Joseph Haydn, com a participação do cravista Nicolau de Figueiredo e do narrador Francisco Campos. A obra foi escrita em 1787 para orquestra, mas o próprio Haydn realizou a versão para quarteto de cordas (e um arranjo para piano e, posteriormente, ainda a transformou em um oratório para solistas, coro e orquestra). A encomenda original foi feita por um cônego de Cádiz, na Espanha, que solicitou a Haydn sete trechos musicais de caráter reflexivo, para acompanhar as rezas feitas entre cada uma das prédicas sobre as sete últimas palavras proferidas por Jesus ao ser crucificado.

Na apresentação do Quarteto da Cidade, a música veio intercalada com a narração de um texto de autoria do escritor português José Saramago. A ideia original foi de Jordi Savall, que, em início dos anos 2000, havia proposto a ideia a Saramago, conhecido por sua postura crítica em relação ao clero. Como consta na página da Fundação Saramago, o escritor “dedicou-se a um árduo trabalho de pesquisa, já iniciado quando de O evangelho segundo Jesus Cristo. No final, ‘escreveu sobre cada uma delas [as palavras de Cristo na cruz], não para explicar a música, mas para acrescentar ao seu evangelho as páginas que faltavam’”. Em 2007, o selo catalão AliaVox lançou a gravação de As sete últimas palavras de Cristo de Haydn pela Orquestra Le Concert des Nations, sob a direção de Jordi Savall, acompanhadas desses textos de José Saramago e também de Raimon Panikkar.

Mas voltemos à apresentação na Sala do Conservatório. Comecemos por Nicolau de Figueiredo, este músico extraordinário, que criou um baixo contínuo para acompanhar o quarteto de Haydn. A irreverência da proposta talvez possa ser atenuada pelo fato de a obra já contar com tantas variantes, mas o fato é que funcionou muito bem. O diferencial talvez tenha sido a própria sensibilidade musical de Nicolau, cujas intervenções de grande inventividade se adequaram perfeitamente à escritura haydniana. A execução ganhou um novo caráter de “afeto”, reforçando uma ligação mais forte da obra com o próprio século XVIII.

Foi muito apropriada também a narração feita por Francisco Campos. Com tom baritonal, Campos deu voz eloquente à mensagem humana de Saramago.

Sustentando todo espetáculo, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo demonstrou grande coesão e entendimento musical em emocionante interpretação. Betina Stegmann, o primeiro violino, toca com linda sonoridade e compreensão estilística, e suas intervenções têm sempre esmerado acabamento. O violinista Nelson Rios, o violoncelista Robert Suetholz e, na outra ponta, o violista Marcelo Jaffé completam o quarteto que exibe um raro equilíbrio entre qualidade de execução e o prazer de tocar, potencializando a comunicação de modo exemplar.

Que bom que o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo possa comemorar seus 80 anos com uma série de assinaturas e com apresentações em um espaço apropriado – a Sala do Conservatório. Por sua história e pelo brilhantismo de sua atual formação, o grupo merece isso e muito mais.

Vida longa ao Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo!

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

26/10/2017 - Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo

Rio de Janeiro:
30/10/2017 - Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse

Outras Cidades:
25/10/2017 - Curitiba, PR - III Festival de Ópera do Paraná
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046