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Verdi... ou o macarrão da mamma (16/10/2008)
Por João Luiz Sampaio

O que há de tão especial em Verdi? A pergunta foi feita por um editor durante uma reunião de pauta e se transformou em pauta para o centenário de morte do compositor. Ouvi maestros, cantores, críticos, que falaram sobre a evolução do drama verdiano, o cuidado na criação dos personagens, a recriação no palco da relação entre arte e sociedade, as grandes cenas, o cuidado com o texto... O comentário do qual me lembro ainda hoje, no entanto, nada tem a ver com técnica. "Verdi é como o macarrão da mamma", me disse Sergio Casoy.

E por que lembrei disso? É que mergulhei em Verdi. Às vezes acontece. Nada programado. Passei os últimos dias assistindo à minissérie "Verdi: Sua Vida, Sua Obra" (La Vita di Verdi, no original), lançada em box de DVDs da Versátil. E, em uma dessas promoções, levei para casa uma caixa da Decca, "The Essential Verdi", cinco discos dedicados a trechos de cinco óperas do compositor - "La Traviata", "Il Trovatore", "La Forza del Destino", "Rigoletto" e "Aida". Não, o filme não esgota a imensidão da vida, e da obra, de Verdi. E, não, os trechos das cinco óperas acima não compõem o Verdi essencial. No entanto, ambos lançamentos oferecem um olhar interessante sobre o compositor.

O motivo que contradiz o título da caixa "The Essential Verdi" é a própria obra do compositor. Suas primeiras óperas mantém uma ligação bastante grande com a tradição, Donizetti, Rossini, Bellini; em sua fase final, no entanto, estamos diante da revolução da idéia e da forma do drama musical italiano. Nesse caminho, o que fascina é a evolução, quase que ópera a ópera, das idéias musicais - e teatrais - do compositor. Assim, "Rigoletto", "Trovatore" e "Traviata" são símbolos da busca por uma caracterização mais profunda, e humana, dos personagens, da mesma forma que "La Forza del Destino", mesmo com os problemas que tem, é ponto de passagem obrigatório na evolução da estrutura dramática verdiana, já desenvolvida e praticamente consolidada em "Aida". Mas, no Verdi essencial, como deixar de fora a recriação de "Lady Macbeth"? As grandes cenas no Escorial retratadas em "Don Carlo"? A riqueza de personagens como Simon? A síntese e precisão dramática de "Otello"? A obra-prima que é "Falstaff"?

Cada leitor tem os seus momentos preferidos de Verdi e pode completar a lista de acordo com seu gosto pessoal. E aí eu volto a me lembrar do macarrão do Sergio. Uma das principais preocupações do filme de Renato Castellani é mostrar como a obra de Verdi sempre despertou nas pessoas reações apaixonadas, de proximidade. Ele soube, nos diz o roteiro, sintetizar a alma italiana, refletir sobre ela e levá-la, por meio da arte, a um de seus mais convincentes meios de expressão. Da mesma forma, no entanto, em sua linguagem bastante pessoal, que dialoga de maneira fluente com suas origens, Verdi foi um grande pensador da condição humana, com uma música que não conhece fronteiras. Você pode, afinal, não ser italiano - mas sabe que o gosto do macarrão da mamma é sempre especial.

Serviço:
Giuseppe Verdi - Sua vida, sua obra
Direção: Renato Castellani
Caixa com 4 DVDs
Lançamento Versátil

Clique aqui para ver mais detalhes ou para comprar.





João Luiz Sampaio - é editor executivo da Revista CONCERTO e colaborador do jornal O Estado de S. Paulo

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