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Filarmônica de Goiás é promissora novidade da música clássica nacional (15/7/2015)
Por Nelson Rubens Kunze

Já escrevi aqui uma vez, com entusiasmo, sobre a Filarmônica de Goiás [clique para ler]. A orquestra é uma das grandes e promissoras novidades da música clássica nacional, o que pôde ser constatado novamente em seu segundo concerto na Sala São Paulo, no último sábado, dia 11 de julho. Desde sua última apresentação paulistana, no ano passado, nessa mesma época e na mesma Sala São Paulo, a Filarmônica de Goiás mostrou que deu mais um significativo passo em seu processo de amadurecimento. Sob regência de seu maestro titular e diretor artístico, o britânico Neil Thomson, o conjunto exibiu um bonito som (especialmente um timbre aveludado nas cordas), naipes coesos e equilibrados e convincentes intervenções solísticas, que – aliados a garra e energia de seus instrumentistas – transformaram o concerto em um emocionante acontecimento. No dia anterior, a orquestra já havia se apresentado – com enorme sucesso, pelo que me contaram – em Campos do Jordão, também dentro da programação do Festival de Inverno.

Tendo como solista o violoncelista Antonio Meneses, a Filarmônica de Goiás realizou um concerto no todo muito bom. A apresentação se iniciou com o famoso Concerto para violoncelo de Edward Elgar (1857-1934), e, como não poderia deixar de ser, Meneses foi o grande protagonista da obra. Com cuidada e brilhante técnica, o solista extraiu de seu instrumento uma sonoridade de rara beleza. Meneses tem absoluto domínio da partitura – toca com concentração e consciência – e sabe interpretá-la em fraseados plenos de musicalidade. Mas se Meneses não é nenhuma surpresa – o músico é reconhecidamente um dos maiores artistas de nosso tempo –, a Filarmônica de Goiás e Thomson ofereceram correto e sensível acompanhamento, em grande interação com o solista.


Sob regência de Neil Thomson, a Orquestra Filarmônica de Goiás se apesentou na Sala São Paulo [foto: Marecele Rocha/divulgação]

A constatação do avanço da orquestra, contudo, veio na segunda parte do programa, com a apresentação da Segunda sinfonia de Carl Nielsen (1865-1931), que leva o subtítulo Os quatro temperamentos. O compositor dinamarquês Nielsen tem sido mais apresentado neste ano, por conta de seus 150 anos de nascimento, e a obra revela a riqueza de seu trabalho e inspiração. A Filarmônica de Goiás fez música em alto nível, em consistente e viva interpretação. Thomson conduziu a orquestra com muita propriedade, com gestos claros e sensibilidade musical, desde o enérgico allegro colerico e seus ataques sonoros, passando pelos climas mais plácidos do allegro commodo e flemmatico e do andante malincolico, até o bonito e ritmado aAllegro sanguineo do último movimento.

A Filarmônica de Goiás foi constituída em 2012 como um projeto do governo do estado e tem entre seus diretores os músicos Alessandro Borgomanero (diretor de ação cultural) e Marshal Gaioso (regente associado). A orquestra está sediada no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, e tem direção executiva da dinâmica pianista Ana Elisa Santos. Além da importante temporada que a Filarmônica de Goiás realiza neste ano – com convidados como Sonia Rubinsky, Eduardo Monteiro, Fabio Zanon e Isaac Karabtchevsky e repertórios que incluem grandes obras do repertório universal (incluindo a integral das Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos) –, o governo do estado de Goiás prepara o passo decisivo para a consolidação deste seu projeto cultural, que é o de passar a gestão da orquestra para uma organização social (nos moldes da Osesp e da Filarmônica de Minas Gerais).

Em época de vacas magras e cortes indiscriminados, é um alento ver as autoridades públicas do governo de Goiás acreditando no valor da música clássica como difusor de cultura e vetor de promoção social!

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Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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