Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Segunda-Feira, 23 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
A música não pode provocar tédio (22/7/2015)
Por João Marcos Coelho

Num artigo de 1996 em que defendia o então ameaçado Festival de Donaueschingen, um dos mais importantes e tradicionais espaços dedicados à música contemporânea na Alemanha, o compositor Helmut Lachenmann intitulou-o simplesmente A música está morta, parafraseando Nietzsche. Parafraseou também Schönberg, quando este disse (segundo Lachenmann) que “o artista tem o direito de fazer tudo, menos uma coisa: provocar tédio”. Ele adaptou-a para algo como a arte só tem um princípio e dever: desafiar.

Lachenmann estava se insurgindo contra o pós-modernismo que dopa os ouvidos de hoje com um caldeirão de misturas de músicas dos séculos passados – e, por tabela, fecha portas para a música que de fato está se reinventando e construindo o presente e o futuro.

No Brasil, iniciativas como a Camerata Aberta – extinta há poucos meses e que ainda teima em ressuscitar num concerto hoje, quarta-feira, dia 22, na Sala São Paulo, dentro do Festival de Inverno de Campos do Jordão – acabam sufocadas por vagalhões de sons domesticados. Vale lembrar a reflexão do filósofo-pianista-compositor Vladimir Safatle: “A função da música é dar forma ao que somos ainda incapazes de pensar. Ela produz formas de relação e experiência temporais, em larga medida, ainda impensáveis. Creio que é neste sentido que as afirmações de Lachenmann devem ser lidas. Dizer que a música está morta é uma maneira de lembrar que a música não deveria apenas confirmar nossos sonhos e embalar nossas lembranças, mas nos fazer sonhar de outra forma e produzir curto-circuitos em nossos afetos. No entanto, a música que procura tal redimensionamento do campo da experiência tem muita dificuldade em se fazer ouvir em um mundo no qual a colonização das formas de pensar passa, de forma privilegiada, pelo embotamento musical. Somos musicalmente sujeitados por uma música cada vez mais terapêutica”.


Camerata Aberta, que se desligou da Emesp, mas segue atuando de forma independente [foto: divulgação]

Música terapêutica é outro nome para músicas pós-modernas. “Música terapêutica”, define Safatle, titular de Estética do Departamento de Filosofia da USP, “é um tipo de produção musical que visa ser o espaço de reconciliação com nossa identidade, de reconfirmação de nossos ideais e promessas. Por isso, ela é quase uma terapia. Pois, como toda terapia, ela é uma reconstrução das condições anteriores, que devem ser restauradas. Haverá sempre uma profunda dinâmica de restauração em tais músicas, como toda terapia é uma restauração. No entanto, a música que se coloca como redimensionamento do campo da experiência saberá explorar o estranhamento e o sentimento de deslocalização, o que é o avesso de toda terapia. Ela saberá nos levar à forma do que ainda não tem figura em nossas vidas”.

Dá o que pensar. As palavras de Lachenmann e de Safatle são incrivelmente adequadas para justificar a insistência da Camerata Aberta, sua teimosia em continuar em ação – apesar dos ventos em contrário soprando da vida musical institucionalizada.

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

25/10/2017 - Trio de Sopros da Orquestra Jovem do Estado

Rio de Janeiro:
31/10/2017 - Orquestra Sinfônica Brasileira

Outras Cidades:
27/10/2017 - Ribeirão Preto, SP - Festival Música Nova Gilberto Mendes
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046