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Grande apresentação marca 75 anos da OSB (11/8/2015)
Por Nelson Rubens Kunze

Com um ótimo concerto no sábado, dia 8 de agosto, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Brasileira comemorou os 75 anos de sua criação. Se o ponto alto do concerto foi a inspirada interpretação do pianista Arnaldo Cohen do Concerto Imperador, de Beethoven, a orquestra, sob direção de seu titular Roberto Minczuk, tampouco decepcionou. O programa originalmente previa o Momoprecoce, de Villa-Lobos, mas Cohen preferiu substituir pelo Beethoven. Para não deixar a música brasileira de fora, a direção artística optou por abrir a apresentação com as Variações temporais I – Beethoven revisitado, de Ronaldo Miranda. Assim, o programa, que encerrou com a Eroica de Beethoven, ficou todo centrado no compositor alemão.

 
Arnaldo Cohen e Roberto Minczuk em ação com a Sinfônica Brasileira [foto: Cícero Rodrigues/divulgação]

As Variações temporais, de Ronaldo Miranda, compositor carioca que há muitos anos é professor da ECA-USP em São Paulo, foram encomendadas e estreadas pela Osesp no ano passado. A obra, rica em ideias e bastante contrastada, é escrita em acessível e contagiante linguagem tonal, com acentos próprios da música do século XX. A leitura da OSB teve o equilíbrio correto entre energia e lirismo.

Arnaldo Cohen é artista de exceção. Desde 2004 professor da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, o pianista é daqueles intérpretes que identificamos com repertórios românticos e virtuosísticos (há ótimas gravações suas dos concertos de Liszt e Rachmaninov, com a Osesp). Aqui, no Imperador de Beethoven, Cohen demonstrou uma rara compreensão e profundidade na interpretação, em uma leitura super emocionante. Especialmente o segundo movimento, levado com extremas tensão e concentração, foi daqueles momentos a reter na memória por tempos. E sem dúvida a OSB e Minczuk, em perfeita sintonia com o solista, contribuíram para o sucesso da interpretação.

O concerto se encerrou com a Sinfonia nº 3 de Beethoven, a Eroica, obra que entrou para a história da música como ponto de inflexão entre o Classicismo e o Romantismo. Roberto Minczuk dirigiu a sinfonia de cor e, apesar da opção por uma orquestra de dimensões relativamente grandes, com apropriado senso estilístico. Com competência técnica inquestionável, o maestro, que deverá encerrar sua gestão na OSB em 2016, demonstrou mais uma vez sua suprema maturidade musical. E, aqui também, a orquestra aniversariante respondeu bem e exibiu excelente forma.

A Orquestra Sinfônica Brasileira chega aos 75 anos com renovados desafios. Primeiro, superar definitivamente a grave crise de 2011, quando, após um malfadado processo de reestruturação, o grupo se cindiu (até hoje, uma pequena parte de instrumentistas não se apresenta sob a direção de Roberto Minczuk). Depois, ocupar os palcos da Cidade das Artes, a sede que conquistou no ano passado, incrementando a ambiciosa programação artística construída nos últimos dez anos. E, por último mas não menos importante, manter e desenvolver seu pioneiro modelo de fundação apoiada em parcerias público-privadas. Hoje, a orquestra é mantida por patrocínios – diretos ou incentivados pela Lei Roaunet –, que vão desde a Prefeitura do Rio de Janeiro até empresas como BG Brasil, Vale, BNDES e Carvalho Hosken.

Que o futuro da Orquestra Sinfônica Brasileira se inspire neste momento, que é o do talento de seus jovens músicos, do brilhantismo de sua direção e do engajamento e ideais de seus gestores e conselheiros!


[Veja também]
Matéria de capa da edição de agosto da Revista CONCERTO sobre os 75 anos da OSB (para assinantes)

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Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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