Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Domingo, 21 de Janeiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Diário de Salzburgo 2015 – Parte 1 (25/8/2015)
Por Irineu Franco Perpetuo

Dia 1 (24/8): Orquestra Sinfônica de Boston e Andris Nelsons
Cheguei a Salzburgo às 14h, depois de um longo voo com escala em Frankfurt, e com insônia garantida pelo choro de uma criança que durou toda a travessia do Atlântico. A prudência aconselhava descanso, porém Carlos Rauscher, frequentador assíduo do festival, aconselhava o concerto da noite – a Sinfonia nº 6 de Mahler com a Sinfônica de Boston, regida por Andris Nelsons. Como conselho de Rauscher não é coisa que se despreze, o jeito foi enganar o sono atrasado com uma bela ducha, e ir ao Grosses Festspielhaus às 21h.

Amigos residentes em Boston haviam me descrito a sinfônica, em anos anteriores, como boa, porém burocrática. Além disso, a orquestra chegara a Salzburgo ainda depois de mim: às 17h do mesmo dia, vinda de Lucerna. Contudo, logo que soou o primeiro e assertivo tema da sinfonia, estava claro que não haveria nada de burocracia ou cansaço naquela noite. Sem empreender uma turnê europeia desde 2007, o respeitável grupo de Massachusetts parecia firmemente empenhado em fazer bonito na casa de verão da Filarmônica de Viena, e consolidar sua reputação no Velho Continente.


O letão Andris Nelsons, de 36 anos, diretor musical da Sinfônica de Boston [foto: Marco Borggreve/divulgação]

Sim, os metais tocaram gloriosamente, mas isso é o que se espera de uma grande orquestra dos EUA. A bela surpresa foi a musicalidade superlativa das cordas, executando Mahler de forma tão idiomática e refinada. E a culpa por boa parte desse resultado deve ser atribuída a Andris Nelsons, o letão de 36 anos que assumiu a direção musical de Boston na temporada 2014-15.

Quase eleito para a Filarmônica de Berlim, Nelsons mostrou não apenas o vigor e a energia aguardados em um músico da sua idade, como ainda um senso arquitetônico e atenção para o detalhe raros em regentes de qualquer idade. Deixe de lado aquele estereótipo das execuções bombásticas e superficiais que marcam as orquestras norte-americanas: com Nelsons, o Mahler de Boston é provido de intensidade emocional, mas não se restringe a som e fúria desprovidos de significado. Pelo contrário: depois de todo o vigor dos dois primeiros movimentos (retomado no quarto), eles entregaram a Salzburgo um andante moderato que parecia vindo de outro mundo musical – o Grosses Festspielhaus mergulhou em uma atmosfera de lirismo noturno e onírico, erigido em nuanças e meios-tons de fraseados e dinâmica. Mal posso esperar para ver, amanhã, o que eles farão com Shostakovich e Richard Strauss – com solos de um certo Yo-Yo Ma.

[O jornalista Irineu Franco Perpetuo viajou a Salzburgo a convite da Casa do Saber e da Latitudes Viagens de Conhecimento]



[Veja também]
Diário de Salzburgo 2015 – Parte 2
Diário de Salzburgo 2015 – Parte 3
Diário de Salzburgo 2015 – Parte 4
Diário de Salzburgo 2015 – Parte 5

Son(ho)s de uma noite de verão: quatro momentos do Festival de Salzburgo, por Leonardo Martinelli
Diário de Salzburgo 2014, por Irineu Franco Perpetuo

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Janeiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3
 

 
São Paulo:

21/1/2018 - Araceli Chacon - piano

Rio de Janeiro:
24/1/2018 - José Carlos Vasconcellos - piano

Outras Cidades:
27/1/2018 - Ilhabela, SP - Balés O lago dos cines, de Tchaikovsky e Melhor único dia (estreia), de Henrique Rodovalho
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046