Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quinta-Feira, 18 de Janeiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Bienal é rico manancial da criação erudita de nossos dias (13/10/2015)
Por Nelson Rubens Kunze

Abriu no último sábado, dia 10 de outubro, no Rio de Janeiro, a 21ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea. Criada em 1975, ela é hoje, no Brasil, o maior evento em torno da criação da música clássica de nossos dias. A bienal é realizada pela Funarte, órgão do Ministério da Cultura, e dirigida por Flavio Silva e Maria José de Queiroz Ferreira. Nesta edição, o evento tem 10 concertos com 66 estreias mundiais (entre obras encomendadas e concursadas) nas mais diversas formações, da orquestra sinfônica ao instrumento solo, passando pelos recursos eletroacústicos. No texto de apresentação do catálogo, Flavio Silva escreve que, entre 2010 a 2015, a bienal promoveu em média 34,3 estreias por ano. “É provável que poucas instituições estrangeiras, por prestigiosas que sejam, atinjam essa média”, diz. É de fato significativo o investimento realizado pelo MinC nos últimos anos. Corroborando a tese, o presidente da Funarte, Francisco Bosco, afirmou, em sua breve fala na abertura, que o evento “é de fundamental importância para a cultura nacional”.

Assisti aos dois primeiros concertos da bienal, sábado, com a Orquestra Juvenil da Bahia no Theatro Municipal, e domingo, um concerto com obras de câmara na Sala Cecília Meireles. Foram ao todo 14 estreias: sete obras encomendadas de consagrados nomes da música de nossos dias (Jorge Antunes, Paulo Costa Lima, Eli-Eri Moura, Liduíno Pitombeira, Silvio Ferraz, Raul do Valle e Aylton Escobar); e outras sete de autores que venceram o Prêmio Funarte de Composição Clássica 2014 (Alexandre Espinheira, Lucas Duarte, José Augusto Mannis, Alexandre Ficagna, Sam Cavalcanti, Mario Ferraro e Cadu Verdan). No geral, tivemos a mostra de um amplo e representativo painel da música clássica brasileira atual.


Orquestra Juvenil da Bahia sob regência de Ricardo Castro, no Municipal do Rio [foto: Sebastião Castellar]

Foi a primeira vez que ouvi ao vivo a Orquestra Juvenil da Bahia, grupo de ponta do projeto Neojiba, que esteve sob regência de Eduardo Torres e de seu diretor, Ricardo Castro. Equilibrada e com bonito som, a orquestra enfrentou bem o repertório, tarefa nada trivial considerando o ineditismo da música e a variedade de linguagens composicionais. Foi muito bom, também, o desempenho dos solistas das apresentações de câmara do segundo dia.

Quanto às obras, todas se revelaram trabalhos bem acabados, em um verdadeiro caleidoscópio de técnicas e tendências artísticas. Mas claro, há diferenças, especialmente quanto à maturidade da expressão. Dentre as peças concursadas, selecionadas por meio de edital da Funarte, chamou-me a atenção a criação do paraense Alexandre Ficagna, Escondido num ponto, que ademais teve excelente interpretação do Abstrai Ensemble (Pauxy Gentil-Nunes na flauta, Marcus Ribeiro no violoncelo, Pedro Bittencourt no sax e Marina Spoladore no piano). Ficagna foi muito feliz na utilização de ruídos instrumentais (inclusive piano preparado) na elaboração de um consistente discurso musical.

Se é verdade que um festival com as características da Bienal de Música Brasileira Contemporânea – ou seja, que abrange apenas criações de nossos dias – reforça um certo segregacionismo deste repertório, é lamentável que esse verdadeiro manancial da criação atual não seja mais explorado pelos programadores e diretores artísticos de nossa orquestras e entidades promotoras. A inserção dessas obras na programação regular de nossos teatros, ao lado de autores de outras épocas e estilos, estabeleceria um diálogo que poderia auxiliar para uma verdadeira e real revitalização da atividade musical erudita.

A bienal segue com concertos diários, sempre às 19 horas, na Sala Cecilia Meireles, até o próximo domingo, dia 18. No fim de semana, ainda haverá uma interessante programação extraordinária em torno de Mário de Andrade e Hans-Joachim Koellreutter, com exibição da ópera Café, mesa-redonda com o tema “Música e política, entre Mário de Andrade e Koellreutter”, e recital e palestra sobre o Grupo Música Viva.

[Nelson Rubens Kunze viajou ao Rio de Janeiro e assistiu aos concertos a convite da 21ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea]

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Janeiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3
 

 
São Paulo:

18/1/2018 - Espetáculo O compositor delirante

Rio de Janeiro:
24/1/2018 - José Carlos Vasconcellos - piano

Outras Cidades:
30/1/2018 - Paraupebas, PA - Academia Jovem Concertante
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046