Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Bienal de Música Contemporânea encerra edição confirmando sua importância (21/10/2015)
Por Camila Frésca

Na última segunda-feira, dia 19, encerrou-se a 21ª edição da Bienal de Música Brasileira Contemporânea, promovida pela Funarte. A convite da organização do evento, acompanhei as atrações do último final de semana (a Revista CONCERTO esteve também na abertura da bienal, e você pode ler as impressões de Nelson Rubens Kunze aqui). Além dos concertos, pude assistir a programação paralela que homenageou duas das mais importantes figuras da música brasileira no século XX: Mário de Andrade e Hans-Joachim Koellreutter.

A organização da bienal, encabeçada pelo incansável e meticuloso Flávio Silva, decidiu pensar esta homenagem propondo uma discussão que avaliasse em conjunto as ideias de ambos. Assim, na sexta-feira, às 15h30, foi exibido um vídeo da ópera Café, um libreto original de Mário de Andrade que foi musicado, muitos anos depois, por Koellreutter. A gravação, feita pela TV Cultura em 1996, é um registro precioso da única montagem realizada desta “tragédia secular”, que tem como ponto de partida a queda da bolsa de Nova York em 1929 e os desdobramentos que o evento causa na economia do café e na vida dos trabalhadores diretamente envolvidos com ela.

A exibição foi acompanhada por vários nomes de nosso meio cultural como Ricardo Tacuchian, Jorge Antunes, Edino e Nenem Krieger, Ana Buarque de Hollanda, Manoel Corrêa do Lago, Laís de Souza Brasil, Flávia Toni e Luís Gustavo Petri – que regeu a Sinfônica Municipal de Santos nessa montagem de quase 20 anos atrás e deu um depoimento antes do início da sessão. O filme foi o pontapé inicial para a discussão, que seguiu no dia seguinte com a mesa redonda “Música e política – entre Mário de Andrade e Koellreutter”, reunindo os pesquisadores Flávia Toni e Jorge Coli. No domingo, “Revivendo o Grupo Música Viva” trouxe uma palestra de Carlos Kater sobre o movimento criado por Koellreutter e sobre uma de suas principais integrantes, a pianista e compositora Eunice Katunda. Na sequência, a soprano Clarissa Cabral e a pianista Eliana Monteiro da Silva interpretaram peças de integrantes do Música Viva: além de Koellreutter e Eunice Katunda, Edino Krieger, Guerra-Peixe e Claudio Santoro.


Eliana Monteiro da Silva e Clarissa Cabral em recital dedicado a Eunice Katunda [fotos: divulgação]

Enquanto na parte da tarde esses eventos se desenrolavam no Espaço Guiomar Novaes, à noite aconteciam os concerto da bienal, na Sala Cecília Meireles. Acompanhei as apresentações de sexta (16) e sábado (17), e em ambas vários aspectos me impressionaram positivamente. O primeiro, é claro, é o fato de assistir a uma apresentação inteiramente formada por estreias mundiais (foram 8 na sexta e 9 no sábado). Além disso, há um clima geral de entusiasmo nos concertos, que reúnem compositores consagrados ao lado de jovens de menos de 30 anos, bem como peças de formações bastante distintas e de orientações estéticas diferentes. No geral, as peças eram bem ensaiadas e bem acabadas, com um time bastante grande de intérpretes – na maioria dos casos, músicos já ligados aos compositores dos quais apresentavam as obras. Tudo isso criou um ambiente variado e dinâmico, e no qual o público – em excelente número em todos os eventos que acompanhei, por sinal – é constituído por estudantes de música, profissionais do meio musical, interessados em geral e por uma boa parte dos compositores, que compareceu às diversas apresentações (e não apenas àquela na qual sua peça foi tocada).


Flo Menezes, Cláudio Cruz e Simone Menezes com a Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, no dia 18

Em que outra oportunidade, por exemplo, seria possível ouvir uma obra de um compositor de São Paulo, seguida por outra do Rio Grande do Sul, e uma terceira do Acre? Tudo isso em primeira audição e com a presença dos autores? Foi o que aconteceu, por exemplo, na sexta-feira, quando se pôde ouvir Fragmentos, para trombone solo, de Clayton Ribeiro (São Paulo, SP), seguida por Tempo e memória, para piano, acordeão, violino e percussão, de Antonio Borges-Cunha (Bom Jesus, RS) e, encerrando a primeira parte, Cercado de neblina com estilhaços no olhar, para flauta, clarinete, fagote, violino, viola, violoncelo, vibrafone e violão, de Rubens Tubenchlak (Rio Branco, AC).

Foi uma felicidade e uma surpresa ter podido acompanhar, pela primeira vez, eventos da Bienal de Música Brasileira Contemporânea. É uma iniciativa muito bem organizada e realizada e que, além da música de nossos dias, promove o encontro, a confraternização e a troca de ideias entre o meio musical. Considerando ainda sua continuidade e longevidade – a primeira bienal aconteceu em 1975, portanto lá se vão 40 anos –, é sem dúvida uma das mais importantes iniciativas no campo da música e das artes no Brasil. Já aguardo com interesse a próxima edição, em 2017.

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

16/12/2017 - Orquestra Sinfônica de Santo André

Rio de Janeiro:
21/12/2017 - Orquestra Johann Sebastian Rio

Outras Cidades:
16/12/2017 - Tatuí, SP - Orquestra Jovem do Estado de São Paulo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046