Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 11 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Farewell to Martha Herr (3/11/2015)
Por Irineu Franco Perpetuo

Querida como mestra, imitada como artista, admirada como pessoa: a soprano Martha Herr não conseguiu pouca coisa em suas seis décadas de uma vida recentemente concluída.

Fiquei triste e chocado como todo mundo ao descobrir, pelo Facebook, que ela nos havia deixado tão prematuramente. Sim, aquele cabelo, aquelas roupas coloridas, aquele sorriso e aquele talento bem que poderiam ter ficado mais tempo conosco. Voraz, o câncer levou alguém que certamente ainda teria muito a contribuir por aqui nas diversas áreas do fazer musical a que se dedicou.


A soprano Martha Herr em ação no 49º Festival Villa-Lobos, em 2011 [fotos: Marcelo Rodolfo/reprodução]

Nascida nos EUA, onde amealhou os sólidos conhecimentos que tão generosamente disseminaria por aqui, Martha não negava a origem no saboroso sotaque que décadas de residência no Brasil não conseguiram apagar. Seria, contudo, mesquinho não reconhecê-la como brasileira pela magnitude da importância de sua atuação pela música de nosso país – na verdade, pouca gente nascida por aqui poderia apresentar credenciais nessa área tão expressivas como as dela.

Para meu gosto, quem melhor captou seu talento e temperamento foi o também saudoso Eduardo Guimarães Álvares (1959-2013), com as impagáveis Marthóperas (2006), para voz solo, a ela dedicadas, que tratam o universo do canto lírico com a mistura de inteligência, bom humor e insight que definiam tanto compositor, quanto intérprete.

Em uma trajetória marcada por dezenas de estreias de obras de compositores nacionais e estrangeiros, seria difícil até começar a fazer uma lista do que Martha realizou de mais relevante, da Europera V, de John Cage (1912-1992), em 1991, ao papel-título de Olga, de Jorge Antunes, no Theatro Municipal de São Paulo, em 2006, passando pelo labORAtorio, de Flo Menezes, em 2004. Saudosista, andei remexendo suas antigas gravações com o Grupo Novo Horizonte e a percussão do Grupo Piap, sob regência de seu ex-marido John Boudler (quem os ouviu executar, ao vivo, a Cantata para América Mágica, de Ginastera, dificilmente conseguirá aceitar outra interpretação da mesma peça), até chegar em um CD mais recente: A música de Gilberto Mendes, do Selo Sesc, cuja primeira faixa é Martha cantando Cavalo azul, de 1961.

Versátil, Martha interpretava também o repertório do século XVIII, de Gluck e Mozart, e atuou na histórica produção manauara da tetralogia O anel do nibelungo, de Wagner, mas era mais associada à música dos séculos XX e XXI – como o Pierrot lunaire, de Schönberg, do qual podemos ver um trecho aqui, em gravação de 2012, no Festival Virtuosi, no Recife.

Martha foi ainda uma pesquisadora ativa e uma professora daquelas que, sem exagero, marcaram época, graças a uma longa e frutífera atuação no Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo. Tentar elencar seus principais alunos seria tão injusto como não reconhecer em Andrea Kaiser sua linha de continuidade técnica, estética, artística e espiritual.

Andrea deu apenas um dos múltiplos depoimentos emocionados que apareceram no Facebook em seguida ao falecimento de Martha. Eram amigos, colegas, alunos e – muito significativamente – discípulos “por tabela”: gente que não chegou a estudar com Martha, mas que se sentia, de alguma forma, influenciada pela força de seu exemplo. A estes junto, agora, o meu – algo atrasado, mas não menos sincero ou sentido.

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

19/12/2017 - Ópera A flauta mágica, de Mozart

Rio de Janeiro:
16/12/2017 - Linda Bustani - piano

Outras Cidades:
29/12/2017 - Ilhabela, SP - Concerto de Gala de Ano Novo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046