Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Segunda-Feira, 19 de Fevereiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Nelson Freire: quem sabe faz ao vivo (15/12/2015)
Por Irineu Franco Perpetuo

O Natal está chegando, e quem ainda for apegado à extemporânea prática de presentear com CDs tem agora duas opções com tudo para agradar incréus ou devotos dos mais diversos credos. A Sanctus Recordings está lançando no Brasil registros de dois recitais dados por Nelson Freire na década de 1980.

Nelson Freire live in Toronto capta a unanimidade do piano brasileiro se apresentando no Canadá, em 25 de março de 1984. Já Nelson Freire live in Miami mostra-o nos EUA, em 13 de dezembro do mesmo ano.


Capas das gravações ao vivo em Toronto e Miami, em 1984, relançados pela Sanctus [imagem: divulgação]

Fanáticos pelo astro mineiro (como o autor dessas linhas) talvez já conheçam os dois discos. O de Toronto saíra pela pequena etiqueta Alphée, enquanto o de Miami fora editado pela também pequena Audiofon. Esses CDs eram bastante difíceis de encontrar em qualquer lugar do mundo, mesmo na época em que foram lançados, e agora se encontram à disposição de todos que quiserem desfrutar do caleidoscópico talento do Reverendo Nelson.

Os discos cobrem uma espécie de “limbo” fonográfico na carreira do pianista. Depois das gravações recentemente reeditadas na caixa The Complete Columbia Album Collection, que compreende registros feitos entre 1967 e 1982, Freire ficou um bom tempo sem entrar em estúdio. E, na verdade, sua trajetória discográfica só adquiriria o ímpeto atual depois de sua entrada, em 1999, como o único brasileiro dentre os 72 participantes de Great Pianists of the 20th Century, projeto da Philips que se anunciava como uma espécie de enciclopédia em disco do piano ao longo do século que estava para se encerrar. Em consequência do êxito de seu volume (montado a partir de uma seleção de fonogramas pré-existentes), Freire assinou contrato de exclusividade com a Decca, com os resultados que estamos todos conhecendo.

Pois bem: o disco do pianista no projeto da Philips reunia faixas dos dois CDs que a Sanctus agora está trazendo ao mercado brasileiro. Do recital de Miami veio aquele compositor ao qual talvez associemos Freire de forma mais imediata: Chopin, com o Improviso nº 2, a Mazurka, op. 41, nº 1 e a Mazurka, op. 24, nº 4. A apresentação de Toronto contribuiu de forma ainda mais generosa, com a Sonata K. 332, de Mozart e, sobretudo, com uma leitura profunda e incandescente da Fantasia, op. 17, de Schumann.

Dada a distância relativamente reduzida entre os dois concertos (nove meses), surpreende que as coincidências de repertório sejam pequenas. As únicas peças que Freire apresenta em ambos os recitais são Evocación e Navarra, de Albéniz, Poissons d'or, de Debussy, e A lenda do caboclo, de Villa-Lobos.

Em Miami, é possível ouvi-lo tocar, dentre outros itens, a Sonata Alla turca, de Mozart, e quatro movimentos da Prole do bebê nº 1, de Villa-Lobos. Em Toronto, por seu turno, ele encara a vigorosa Sonata nº 4, de Scriabin.

Além de documentos da exuberância de um Nelson Freire na flor dos 40 anos de idade, os discos possuem qualidade artística e sonora suficiente para se deixarem saborear como páginas de grande música interpretadas de forma superlativa por um astro de primeiríssima grandeza. Eu só fiz uma breve pausa para escrever esse texto mas, agora que terminei, retomarei sua audição seguida e prazerosa. Convido você a fazer o mesmo.

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Fevereiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 1 2 3
 

 
São Paulo:

24/2/2018 - Orquestra Sinfônica de Santo André

Rio de Janeiro:
20/2/2018 - Adriana Ballesté - violão

Outras Cidades:
22/2/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046