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Novos desafios e paradigmas na gestão de instituições musicais (12/1/2016)
Por Nelson Rubens Kunze

Todos sabemos que para construir uma saudável atividade musical é preciso formar bons músicos, grupos e orquestras, que possam se apresentar em bons espaços, teatros e salas sinfônicas. O que de vez em quando passa despercebido, contudo, é que para operacionalizar essa atividade é necessária, na retaguarda, uma estrutura funcional de gestão. Foi pensando nisso, que a Oficina de Música de Curitiba organizou uma aula inaugural na abertura de sua 34ª edição, em que especialistas expuseram suas experiências e ideias sobre o tema “Novos desafios e paradigmas na gestão de instituições musicais no Brasil”. Tive o prazer de mediar o debate, que teve a participação de Claudia Toni, uma das mais experientes gestoras do país, Paulo Zuben, diretor artístico e pedagógico da organização social Santa Marcelina Cultura (Emesp e Projeto Guri), e Marino Galvão Junior, diretor-presidente do Instituto Curitiba de Arte e Cultura, organização social que faz a gestão da Oficina de Música, da Camerata Antiqua, da Capela Santa Maria e de outros órgãos culturais curitibanos.

O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli, e o maestro Cláudio Cruz [divulgação / Gilson Camargo]

Após uma breve fala de boas-vindas do maestro Cláudio Cruz, diretor artístico da Oficina de Música (é de Cláudio a ideia de provocar mais reflexão sobre os diversos assuntos relacionados à atividade musical – ainda haverá outras palestras e debates), e de Marcos Cordiolli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba (equivalente a nossa secretaria municipal), Claudia Toni deu início a sua exposição falando de sua experiência na área. Apesar do muito que ainda há por fazer, Claudia tem certeza de que, sob todos os aspectos, avançamos bastante em relação “à precariedade da organização” dos anos 1950 e 1960.

Após abordar a reestruturação levada a cabo pela Osesp a partir de 1996 – da qual participou como diretora executiva entre 1998 e 2002 – Claudia Toni falou da importância do fortalecimento das instituições. Nesse contexto, citou a implantação do modelo das organizações sociais em São Paulo (inspiradas na tradição britânica das “charities”). A segunda questão que Claudia compreende como fundamental é a educação musical. A gestora afirmou que a estruturação de um sistema de ensino não pode prescindir de uma política pública. Nesse sentido, Claudia lamentou a falta de iniciativas em todos os níveis da federação. Antes de encerrar sua fala, Claudia insistiu sobre a necessidade de construirmos políticas públicas para a música. “Se há uma rede pública de ensino – apesar de seus problemas –, por que não há uma na área da cultura? Se existe um SUS na área da saúde – com todos seus problemas –, por que não construímos uma política pública para a música?”, indagou.

Concordando de forma geral com as colocações de Claudia, Paulo Zuben iniciou sua fala contando de sua própria formação como músico, e de como uma visita ao Projeto Guri (projeto de inclusão social por meio de formação musical desenvolvido no estado de São Paulo) operou uma guinada em sua vida. Naquele momento, Paulo compreendeu que o ensino e a formação são a chave para a transformação de nossa realidade cultural. Em seguida, Paulo contou um pouco sobre a criação e implantação das organizações sociais (entidades privadas sem fins lucrativos que fazem a gestão do equipamento público), uma parceria público-privada – “não se trata de uma privatização, já que não há fins lucrativos nem transferência de patrimônio, que segue em poder do estado”, esclareceu. O diretor ainda lembrou da dificuldade na implantação do novo modelo por conta da ruptura com a situação anterior – por exemplo, todos os professores da Emesp tiveram de passar por novo processo de seleção atendendo ao critério do mérito: “queremos ter o melhor professor de fagote, o melhor professor de história da música, os melhores em todas as áreas”. Para finalizar, Paulo ainda destacou todas as carências e dificuldades que ainda têm de ser superadas – uma delas é o prédio da Emesp, um antigo hotel, que, apesar de reformas, é inadequado para uma escola de música – e convocou todos a lutar e brigar por uma formação musical cada vez melhor.

Paulo Zuben, Claudia Toni, Nelson Rubens Kunze e Marino Galvão Junior [divulgação / Gilson Camargo]

Em consonância com as colocações de Claudia e Paulo, Marino Galvão Junior começou sua exposição afirmando ser muito mais difícil administrar ou reestruturar algo que já existe – por conta dos atritos decorrentes disso –, que criar algo novo desde o começo. Também ele reconhece a importância fundamental da formação, comentando que esse conceito orienta a Oficina de Música desde sua criação. Marino, que assumiu a função de presidente do Icac em maio passado, diz que o modelo da organização social tem se fortalecido e que o contrato de gestão mais recente foi o primeiro a incluir a realização da Oficina (até então, apenas poucas semanas antes do início do evento é que se conseguia a confirmação de sua realização, dificultando muito sua produção).

Marino insistiu na ideia de que é preciso entender que, para que se tenha, por exemplo, uma boa Camerata Antiqua, é fundamental que se tenha igualmente uma boa estrutura administrativa, funcional e competente. A Camerata Antiqua, evidentemente, é o mais importante, mas sem uma gestão adequada ela não existe.

Em seguida, Marino falou de sua carreira e processo de formação, e contou que realizou um curso de gestão cultural em Milão, na Itália – na época, 2012, também algo novo na Europa. A particularidade do gerenciamento dos espetáculos artísticos (música, dança, teatro, ópera) é a necessidade de competência e conhecimento interdisciplinar das áreas administrativa, jurídica e artística.

Marino também lamentou o fato de não termos uma regulamentação de âmbito nacional para a área da cultura (também, portanto, a falta de uma política pública nacional), e citou um exemplo italiano, onde, por meio de uma nova legislação, estabeleceu-se uma gestão diferenciada para os 14 maiores entes lírico-sinfônicos do país, garantindo processos mais ágeis e mais adequados para as tarefas culturais. Marino ainda chamou a atenção de que a questão do financiamento não pode pautar as políticas públicas culturais, e de que uma visão conjunta nacional poderia finalmente abordar questões cruciais como a desoneração e a teoria da fatalidade (impossibilidade de ganho de produtividade no trabalho artístico artesanal).

Seguiu-se um debate, também aberto ao público, em que se reforçou a ideia de “formação” (em contraposição à ideia do “espetáculo”), a necessidade do fomento à música de câmara e ao canto coral (em contraposição ao fomento do tradicional modelo da “big symphony orchestra”), e a necessidade imperativa do debate em torno de uma ampla política pública nacional, que articule ações hoje muitas vezes desorientadas, dispersas ou sobrepostas.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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