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Um começo promissor (16/2/2016)
Por Jorge Coli

Calor senegalesco, como, ao que parece, não se deve dizer ou escrever. Mas calorão mesmo, nesse domingo 14 de fevereiro. A climatização do Municipal de São Paulo ainda não estava funcionando.

Apesar disso, o concerto, às 17h, não falhou. O prefeito Haddad estava lá, a postos, em seu camarote. A observação que segue não tem nada de política: sinto-me feliz quando vejo um prefeito que emprega sua tarde de domingo para ouvir Mahler. Bem que poderia haver outros administradores, de qualquer partido, assim.

Era a Sinfonia nº 2, Ressurreição. Um delírio de música, absurdo, monumental, fenomenal, com uma hora e meia de duração, exigindo imensa orquestra, coro enorme e duas solistas. Mahler tem algo de cinematográfico, e suas sinfonias são herdeiras das experiências que outros compositores desenvolveram nos poemas sinfônicos. Elas situam paisagens sonoras amplas, sutis ou brutais, com invenções surpreendentes sempre. Apesar da ambição e da imensidão, cada detalhe é cuidado. Pede o equilíbrio entre o gigantesco e o minucioso.

Grande música que faz a delícia dos maestros porque permite expor de modo espetacular as qualidades das formações musicais que dirigem. É, porém, um risco: sustentar, aguentar durante tanto tempo exigências tão grandes e tão grandes intensidades, não é simples.

Além das qualidades cada vez melhores da Orquestra Sinfônica Municipal, do Coro Lírico, das solistas Camila Titinger e Lidia Schäffer, o que se teve na tarde calorenta de domingo não se limitou a questões técnicas bem solucionadas. Foi um magnífico empenho coletivo, para que o resultado fosse vivo poderoso. Pode-se dizer que, literalmente, os músicos – que estavam sem paletó naquela sauna – suaram as camisas.

Belo concerto, promissor para o resto da temporada deste ano.

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Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

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