Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sexta-Feira, 23 de Fevereiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Eliane Coelho e Gustavo Carvalho: um duo para seguir de perto (14/3/2016)
Por Irineu Franco Perpetuo

Uma voz, um piano. Dito assim, parece simples. E deveria mesmo ser. Ainda preciso que alguém me explique, porém, por que recitais como o de Eliane Coelho e Gustavo Carvalho, que abriu no domingo a série da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, em São Paulo, são tão raros em nosso país.

A velha história de que ópera não tem público no Brasil não resiste aos números de bilheteria de qualquer encenação (independentemente da qualidade) em território nacional. Pois bem: seria tão difícil assim convencer essas pessoas que afluem aos magotes aos teatros para verem tenores e barítonos se esfaqueando pelo amor de sopranos a comparecerem a uma apresentação em que as mesmíssimas vozes se colocam a serviço da musicalidade mais refinada, sem derramamento de sangue?


Eduardo Monteiro, Eliane Coelho e Gustavo Carvalho [foto: Márcio Sartorello/ActoFacto Imagens/divulgação]

Concertos como o do último domingo me dão a convicção de que nossa vida musical comportaria, sim, uma presença mais robusta da música de câmara vocal. Para quem acha esse repertório “difícil”, nada como a breve, porém elucidativa fala de introdução do curador da série, o incansável e hiperativo Eduardo Monteiro, explicando o Lied germânico e, sobretudo, a musicalidade superlativa de Coelho e Carvalho.

Bem pensado, o programa trazia nove canções de Brahms, ao lado dos sete Lieder de juventude de Alban Berg. Embora seja conhecido como um dos próceres do dodecafonismo, Berg compôs essas canções em um idioma romântico tardio, não muito distante de Mahler ou Richard Strauss – continuidade, portanto, do próprio Brahms.

Variada do ponto de vista anímico e cronológico, a seleção brahmsiana abriu com Meine liebe ist grün, e passeou por glórias da poesia germânica, como Der Tod, das ist die kühle Nacht, sobre versos de Heine, e O kühler Wald, com poesia de Clemens Brentano.

Articulando as frases sem comprometer o legato que confere plasticidade às melodias, Coelho tem uma dicção tão clara que quem dominasse o idioma alemão poderia, sem dificuldade, anotar os textos de todas as canções, palavra por palavra. E mesmo quem não tivesse a menor noção da língua de Goethe poderia compreender o sentido do que estava sendo dito.

Afinal, se no atual estágio de sua carreira virou redundante discutir a qualidade da voz da soprano carioca, não parece ocioso ressaltar os ganhos de expressividade que sua experiência operística traz a cada Lied. Para além de proferir as palavras, ela sabe conferir a cada uma delas o devido peso semântico. Conclusão óbvia: as décadas de vivência no mundo austro-germânico e a familiaridade com o universo estético dos compositores abordados fazem de Coelho uma intérprete ideal desse repertório.

Não menos ideal é a parceria com Gustavo Carvalho, cujo apetite intelectual pantagruélico transcende os limites do piano e da música, habilitando-o a compreender as diversas camadas de significado incrustradas em cada uma dessas pequenas obras-primas. Se um pianista de Lied não pode atropelar a voz, tampouco deve se esconder atrás da linha vocal. Com personalidade, refinamento e sensibilidade, Carvalho sabe responder às necessidades de sua parceira, amoldar-se às flutuações de tempo e, ao mesmo tempo, colorir e construir um discurso musical conjunto. Deu vontade de seguir esse duo de perto.

Clássicos Editorial Ltda. © 2016 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Fevereiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 1 2 3
 

 
São Paulo:

23/2/2018 - III Oficina de Piano USP

Rio de Janeiro:
25/2/2018 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
23/2/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046