Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 19 de Fevereiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Sinfônica Heliópolis abre temporada com “Quarta” de Gustav Mahler (6/5/2016)
Por Nelson Rubens Kunze

Acompanho o trabalho realizado pelo Instituto Baccarelli, projeto de inclusão social por meio da música, desde que funcionava na antiga fábrica de suco de laranja, lá mesmo da comunidade de Heliópolis, mas na outra ponta da Estrada das Lágrimas. A história é conhecida, já virou livro, enredo de escola de samba e recentemente inspirou o filme “Tudo que aprendemos juntos”, estrelado por Lázaro Ramos. Em 1996, após um grande incêndio na favela de Heliópolis, o maestro Silvio Baccarelli, em solidariedade, resolveu ajudar a comunidade oferecendo aulas gratuitas de violino em seu auditório na Vila Mariana. O trabalho era tão rico e recompensador, que começou a atrair outros músicos e profissionais. Dois anos depois, o projeto foi inscrito na Lei Rouanet e, desde então, passou a funcionar por meio de patrocínios privados incentivados, um modelo que, nas dimensões que alcançou, creio que seja único no país.

Em 2008, o Instituto Baccarelli mudou-se para sua sede atual, planejada especialmente para suas atividades, que consiste em dois edifícios construídos sobre um terreno cedido em comodato pela prefeitura da cidade. O prédio principal, de 5 andares, possui diversas salas de estudo com tratamento acústico, bem como espaços maiores para ensaio de grupos de câmara, corais e orquestras. O desenho das instalações ainda prevê a construção de um teatro próprio, no mesmo local, cuja construção, contudo, ainda não pode ser realizada.

Sob direção de Edmilson Venturelli de Souza e do maestro Edilson Ventureli, o Instituto Baccarelli mantém hoje 6 grupos de câmara, 20 corais e 4 orquestras, além da Orquestra Sinfônica Heliópolis, seu grupo de ponta. Criada em início dos anos 2000, como orquestra de formação de instrumentistas, a Sinfônica Heliópolis experimentou importante desenvolvimento sob direção do maestro Roberto Tibiriçá, que a conduziu de 2006 a 2011. Naquele período, a orquestra também empreendeu uma turnê de sucesso para a Alemanha, com apresentações no tradicional Festival Beethovenfest de Bonn.

Para avaliar o prestígio e a qualidade que a orquestra alcançou, basta dizer que, desde 2012, ela tem direção artística e regência titular do maestro Isaac Karabtchevsky, decano da regência brasileira. E que ela tem, como patrono, ninguém menos que o maestro Zubin Mehta, uma das maiores personalidades musicais de nosso tempo.

No sábado passado, dia 1º de maio, a Orquestra Sinfônica Heliópolis estreou sua temporada de concertos na Sala São Paulo. E, como em anos anteriores, escolheu uma sinfonia de Gustav Mahler, desta vez a Quarta. Sob regência de seu titular Karabtchevsky, os jovens músicos mostraram que sabem tocar como gente grande e confirmaram aquele velho lugar comum de que a “música clássica é universal e atemporal”. Como, senão, explicar que um grupo surgido de dentro de uma das comunidades mais vulneráveis da cidade de São Paulo possa interpretar de modo tão concentrado e emocionante uma partitura escrita no interior da Áustria há mais de 100 anos?

Pois foi isso que se ouviu – a Sinfônica Heliópolis, em trajetória de crescente qualidade, apresentou um belo e emocionante concerto. Os jovens músicos se empenharam na consistente leitura conduzida por Isaac Karabtchevsky, exibindo um bom resultado sonoro e musical. A parte de soprano solista do último movimento foi realizada pela argentina Paula Almerares.

Se hoje se discute a função das orquestras sinfônicas no mundo contemporâneo – reavaliando seu tradicional papel de mero reprodutor do patrimônio musical ocidental – sem dúvida o modelo do Instituto Baccarelli oferece uma resposta. A de que a música clássica e a excelência artística podem contribuir decisivamente para a formação de nossa juventude, para o crescimento humano e para a regeneração do tecido sociocultural de uma metrópole como São Paulo





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Fevereiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 1 2 3
 

 
São Paulo:

25/2/2018 - Julio Paravela - piano

Rio de Janeiro:
20/2/2018 - Adriana Ballesté - violão

Outras Cidades:
22/2/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046