Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 20 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
O Theatro Municipal que temos (9/6/2016)
Por Nelson Rubens Kunze

John Neschling pôs o dedo na ferida. No artigo “Que Theatro Municipal desejamos para São Paulo?”, publicado no Site CONCERTO (leia aqui) – e replicado alguns dias depois, de forma resumida, no jornal Folha de S. Paulo –, o maestro aponta o esdrúxulo modelo de gestão introduzido no Theatro Municipal de São Paulo (TMSP) como uma das razões para as dificuldades de fazer a casa funcionar.

De fato, o TMSP vive um problema estrutural mal resolvido. Como escrevi em 2013 (leia aqui), “por conta de receios em privatizar uma instituição pública, o então secretário Carlos Augusto Calil fez aprovar uma fundação de direito público para o Teatro Municipal de São Paulo (diferente, por exemplo, da Fundação Osesp, que é uma entidade regida pelo direito privado). Consciente, contudo, das restrições que uma fundação pública imporia à gestão, a mesma lei que criou a fundação deu a ela a autorização para celebrar um contrato de gestão com uma Organização Social (OS), para que essa, por sua vez, desempenhasse a função básica de prestadora de serviço, sem participação nos rumos programáticos ou conceituais da instituição. Na época, o secretário Calil resumiu claramente essa proposta: ‘Insisto, pois isso pode ser objeto de confusão, [no caso da Fundação do Teatro Municipal] não se trata de uma fundação privada como é a Osesp, trata-se de uma fundação pública. Portanto, não se pode falar em privatização. [...] A OS [que celebrará o contrato com a nova fundação] será uma prestadora de serviços para o teatro, ou seja, ela executará um contrato de gestão no qual as atribuições serão dadas pelo Conselho do Teatro Municipal. [...] Basicamente, será a contratação dos corpos artísticos e das produções artísticas’.”

Administrações por organizações sociais são parcerias público-privadas, em que programas públicos definidos pelo governo são executados por empresas privadas sem fins lucrativos. O relacionamento entre a esfera pública e a esfera privada é horizontal, de parceira, como se infere do próprio nome. Na área da cultura, as OSs operaram pequenas revoluções nos últimos 10 anos, como a Osesp, a Filarmônica de Minas Gerais, a Emesp/Guri e o Neojiba da Bahia, para ficar apenas em exemplos do segmento musical. O contrato de gestão, espinha dorsal da parceria, é firmado entre a administração direta (Prefeitura por meio de sua Secretaria de Cultura) e a OS. O modelo de Calil para o TMSP, contudo, criou primeiro uma Fundação pública, que então, por sua vez, firmaria o contato de gestão com a OS. Gerou um órgão com duas cabeças – a Fundação e a OS –, em que se torna extremamente complicado, senão impossível, definir e delimitar competências e responsabilidades. Este é o Theatro Municipal que temos.

John Neschling também reconhece o problema, ao escrever: “Todos esses corpos abrigados numa única fundação pública, como é o caso hoje, com os estatutos atuais, e que ainda por cima necessita de uma instituição paralela para funcionar, como uma entidade pagadora, é uma insanidade que jamais dará certo”.

Mas Neschling não pretende se engajar na mudança. Para ele, “a decisão de abandonar esse modelo disfuncional para se implementar um modelo que funcione, necessita, no entanto, de uma mudança na lei atual. Não há tempo hábil nem oportunidade política para essa operação delicada no que resta desta gestão. Portanto há que se garantir o bom funcionamento do Theatro e dos Corpos Estáveis no que resta desta temporada, o que está praticamente assegurado, e preparar-se para um trabalho político de fundo imediatamente após o início da nova gestão”.

Do ponto de vista pessoal e artístico do maestro John Neschling, talvez uma boa saída, sem dúvida....

Prefiro entender o amadurecimento do TMSP como uma operação complexa e contínua e pensar em aprimorar seu funcionamento já, o que parece ser também o desejo do diretor que sucedeu Herencia na Fundação Theatro Municipal, Paulo Dallari. A ele cabe o desafio de propor novas soluções filtrando os sucessos da gestão anterior. Pois, sim, acredito que o TM avançou novamente e de forma determinante nos últimos anos, seja em seu processo de institucionalização – especialmente ao celetizar os contratos de praticamente todos os artistas da casa (o que se tinha até então eram contratos temporários, constantemente contestados judicialmente) –, seja na integração de seus diversos setores – escola de música, escola de dança, orquestras de formação, quarteto, coros e orquestra profissional –, e seja também, por que não, em algumas de suas produções de alto nível de qualidade.

E o que fazer com o esdrúxulo modelo de gestão, com o órgão de duas cabeças? Parece incontornável a necessidade de alterar a lei para viabilizar uma estrutura mais transparente, direta e simples. Mas até lá, lendo com a atenção as declarações de Paulo Dallari e de John Neschling, creio que é possível identificar uma solução provisória e convergente, que o diretor da Fundação inclusive expõe: por que não separar já, operacionalmente, a Praça das Artes e o Theatro Municipal?

De um lado ficaria o Theatro Municipal com seus corpos estáveis (orquestra, coro e balé), submetido à gestão da Organização Social IBGC, que contrataria seus músicos, funcionários e diretores (inclusive diretor executivo e diretor artístico). O contrato de gestão entre o IBGC e a Fundação TMSP definiria as diretrizes públicas e as linhas mestras que orientariam o teatro, mas a execução e direção caberiam ao IBGC, que arca com a responsabilidade. Uma vez assinado o contrato de gestão, a Fundação passaria a ser “apenas” o supervisor e fiscalizador do contrato de gestão – é assim que funciona a parceria público-privada.

Já de outro lado, teríamos toda a Praça das Artes e suas unidades (Escola de Música, Escola da Dança, Orquestra Jovem, Orquestra Experimental de Repertório, Coral Paulistano e Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo), que ficaria submetida à estrutura gerencial da Fundação TMSP.

Seria altamente desejável que a crise do Theatro Municipal de São Paulo servisse de impulso para novas mudanças em sua estrutura de gestão, no sentido de garantir a construção de um teatro moderno, democrático e de alto nível para São Paulo, maior metrópole de uma das maiores economias do mundo. E devemos aproveitar o momento agora, em que temos uma Prefeitura comprometida com o teatro, o que já demonstrou repetidas vezes em sua disposição e engajamento, inclusive financeiro.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

27/10/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Rio de Janeiro:
29/10/2017 - Ópera Liquid Voices: A história de Mathilda Segalescu, de Jocy de Oliveira

Outras Cidades:
29/10/2017 - Vitória, ES - II Festival Sesi de Ópera
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046