Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 22 de Janeiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Festival Vermelhos: música na natureza (13/9/2016)
Por Nelson Rubens Kunze

Terminou domingo, dia 11 de setembro, em Ilhabela, no litoral paulista, o II Festival Vermelhos de Música e Artes Cênicas. Uma programação diversificada e de altíssimo nível – basta dizer que participaram artistas da envergadura de Antonio Meneses, Jean Louis Steuerman, Rosana Lamosa, Julio Medaglia e Fabio Zanon (para ficarmos na área dos eruditos) – movimentou a Baía dos Vermelhos, assim chamada em razão dos peixes vermelhos de suas águas. Mas não se vê muito do mar. O Centro Cultural Vermelhos está situado dentro de uma extensa área florestal e apenas em alguns pontos mais elevados, por entre as árvores, se avista o Canal de São Sebastião.

Idealizado por Samuel MacDowell de Figueiredo – um advogado amante da música e das artes –, o Centro Cultural Baía dos Vermelhos quer se transformar em um importante polo para a divulgação e difusão de arte, bem como para o ensino e promoção sociocultural da população local. O complexo já tem dois módulos praticamente terminados: o Teatro de Vermelhos, uma impressionante estrutura metálica suspensa, aberta dos lados, que abriga um grande palco e uma plateia para 900 espectadores; e o Anfiteatro da Floresta, um palco menor, coberto, com 220 assentos ao ar livre, entre as árvores, que acompanham a topografia do terreno. O Festival Vermelhos, este ano em sua segunda edição, é a atividade de maior destaque e repercussão do Centro Cultural. Centenas de pessoas – residentes, turistas e pessoas que vieram de São Paulo especialmente para a ocasião – puderam desfrutar dos lindos dias quase primaveris com muita boa música.

No Anfiteatro da Floresta apresentou-se música instrumental brasileira: inicialmente, um show do Grupo Pau Brasil, formado por Nelson Ayres (piano), Teco Cardoso (sax e flauta), Rodolfo Stroeter (contrabaixo), Paulo Belinatti (violão e guitarra) e Ricardo Mosca (bateria), com um programa que abrangia de Ary Barroso e Lamartine Babo a Villa-Lobos; e na segunda parte, um recital de piano solo do excepcional músico e improvisador André Mehmari. Não há o que dizer dessas excelentes apresentações, a não ser registrar novamente o seu absoluto alto nível.


André Mehmari em apresentação no Anfiteatro da Floresta [Foto: Revista CONCERTO]

Já o grande Teatro de Vermelhos abrigou as apresentações de caráter erudito. E aqui, além da qualidade da programação, o que surpreendeu foi o resultado acústico do novo teatro, muito satisfatório. Assisti, primeiro, à Camerata Baldini, dirigida pelo violinista Emmanuele Baldini, que contou com a participação, como solistas, da soprano Rosana Lamosa e do pianista Jean Louis Steuerman. É verdade que se perderam sutilezas musicais da refinada interpretação de Lamosa e Steuerman para canções, de apenas voz e piano, de Schumann, Brahms e Richard Strauss – mas essa formação e repertório são quase um extremo de nuanças de timbre, articulações e dinâmicas. Já a Camerata, com seus 12 integrantes, soou bem e equilibrada no amplo espaço, que projetou com propriedade também o violino solista de Baldini.


Estrada une o Anfiteatro da Floresta ao Teatro de Vermelhos, distantes cerca de 500 metros um do outro [Foto: Revista CONCERTO]

A impressão de que o espaço é mesmo adequado para maiores volumes sonoros ficou ainda mais reforçada com a apresentação da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, que encerrou o Festival na tarde de domingo. Dirigida por Cláudio Cruz, a Ojesp tocou a abertura de A força do destino, de Verdi, o Concerto para violoncelo de Schumann – com o violoncelista Antonio Meneses – e as brilhantes e virtuosísticas Danças sinfônicas de Rachmaninov.


O Teatro de Vermelhos antes da entrada do público, para o concerto da Orquestra Jovem [Foto: Revista CONCERTO]

Já virou lugar comum falar do extraordinário trabalho desenvolvido por essa orquestra jovem bem como falar da maturidade artística atingida pelo violoncelista Antonio Meneses (aliás, documentados no CD presente que a Revista CONCERTO distribui este ano para seus assinantes). Ambos estavam em uma ótima tarde. E, no repertório sinfônico, o Teatro de Vermelhos evidenciou de forma inequívoca seu potencial, fazendo soar de maneira equilibrada e coesa os diversos naipes orquestrais.

O Festival Vermelhos explora a ligação das artes com a natureza. Com músicos dessa categoria integrados ao público em um espaço inserido em um meio ambiente de grande exuberância tropical, tem-se a sensação de um concerto ao ar livre – com sua informalidade e a interferência dos ruídos da natureza. Uma perfeita interação entre música e natureza, com todos seus desdobramentos sensoriais e emocionais...

[Clique aqui para saber mais sobre o Centro Cultural Baía dos Vermelhos.]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Janeiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3
 

 
São Paulo:

24/1/2018 - Espetáculo O compositor delirante

Rio de Janeiro:
24/1/2018 - José Carlos Vasconcellos - piano

Outras Cidades:
27/1/2018 - Ilhabela, SP - Balés O lago dos cines, de Tchaikovsky e Melhor único dia (estreia), de Henrique Rodovalho
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046