Banner 180x60
Boa tarde.
Sexta-Feira, 20 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Pego no contrapé, o fenômeno Golijov curte um estranho silêncio criativo (1/12/2016)
Por João Marcos Coelho

Sempre fiquei muito intrigado com as histórias de silêncios criativos de compositores. Por que o sujeito para de repente de compor? Sinuca estética? Não sabe para onde ir?

O exemplo mais notável, claro, e que vocês já sacaram, é o do finlandês Jean Sibelius (1865-1957). Depois de escrever sete sinfonias e conquistar uma glória ambivalente – o mundo anglo-saxão o amava de paixão, os europeus o detestavam –, Sibelius curtiu um constrangedor silêncio criativo. O crítico do New York Times na época, Olin Downes, era seu fã de carteirinha e repetiu-lhe centenas de vezes a pergunta sobre a oitava sinfonia, que jamais se concretizou.


Osvaldo Golijov [Divulgação]
 
Algo parecido pode estar acontecendo com o compositor argentino Osvaldo Golijov, hoje com 55 anos. Ele surgiu, 40 anos ainda incompletos, como um meteoro superbrilhante no começo dos anos 2000, com uma arrebatadora Pasión segun San Marcos, uma das obras contemporâneas encomendadas na Alemanha para marcar a passagem dos 250 anos da morte de Johann Sebastian Bach. Dominou a cena contemporânea nos Estados Unidos. Passou a ser rapidamente um dos compositores mais requisitados para encomendas de obras, ganhou o seletíssimo prêmio MacArthur. Glória rápida e fulminante.

Pra vocês terem uma ideia, naquele período um pool de 35 orquestras sinfônicas se juntou, Osesp inclusive, para encomendar uma obra ao Hermano, que fez muito sucesso, fazendo uma mistura ralinha, ralinha, de música bem comportada com toquezinhos populares. Em 2011, entretanto, ele literalmente sumiu do mapa. Acusado de plagiar uma obra de terceiros, foi logo em seguida flagrado copiando uma melodia de “dois grandes compositores populares brasileiros vivos”, num quarteto de cordas supostamente novo e seu, por Lúcia Guimarães, correspondente do Estadão em Nova York. Superelegante, Lúcia não deu nome aos bois. Mas Alex Ross, na New Yorker, e o New York Times, entraram na parada. E Golijov sumiu – e parou de compor.

Nos últimos cinco anos, só aparecia virtualmente, para cancelar encomendas previamente recebidas. E adiar a ópera encomendada pelo Met. Ano passado, estreou no Festival de Tanglewood uma peça para violoncelo e cordas curta, pouco mais de 10 minutos.

E esta semana ele desistiu de vez da ópera. Ou melhor, o Met parece ter se cansado de esperar a ópera anunciada para a temporada 2018/19. “Conflito de agendas” foi a única explicação oficial do Met. “Conflito artístico”, foi a explicação do compositor.

Ao que tudo indica, o prodígio porteño seguirá um caminho silencioso daqui para a frente. Saudades de umas poucas obras do seu passado recente, como “Ainadamar” e Last Round para noneto de cordas, de 1996, obra que cheira demais a Piazzolla, mas tudo bem. E só. É pouco. Será que é tudo que Golijov tem a dizer como compositor?





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

28/10/2017 - Banda Sinfônica Jovem do Estado

Rio de Janeiro:
30/10/2017 - Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse

Outras Cidades:
20/10/2017 - Jacareí, SP - Ópera La Traviata, de Verdi
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046