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Aleyson Scopel faz ótima apresentação no Rio de Janeiro (16/12/2016)
Por Nelson Rubens Kunze

O rosto de menino bem comportado, a simplicidade e o andar despretensioso talvez iludissem. Mas bastaram alguns poucos compassos para confirmar que estávamos diante de um grande pianista: Aleyson Scopel. Aos 34 anos, com técnica apurada, ampla sonoridade e musicalidade natural, Aleyson surpreende pela densidade de sua interpretação, sóbria e sem afetações – música pura.

Foi essa a impressão que ficou após o belo recital que assisti na quinta-feira, dia 15 de dezembro, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. Já fui meio “aquecido”, pois, no dia anterior, em Belo Horizonte, tinha acompanhando uma apresentação do mestre Nelson Freire (que estava na capital mineira para receber a homenagem de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Minas Gerais). E Aleyson Scopel – aliás, vencedor do extinto Concurso Nelson Freire, da OSB – não decepcionou.

Aleyson Scopel [Divulgação / Daniel Ebendinger] 

O recital foi uma pequena viagem pela história da música para piano, em quatro estações: Schubert, Debussy, Rzewky e, depois do intervalo, Franz Liszt.

De Schubert, Aleyson escolheu a Sonata D 664 em lá maior. Se de imediato o artista já demonstrou o domínio absoluto que tem sobre o instrumento, sua interpretação pareceu-me um pouco arrebatada demais.

Seguiram-se três peças do segundo livro das Imagens de Debussy, em uma leitura bastante convincente. Aleyson soube extrair a poesia das paisagens etéreas do compositor francês.

A partir daí, primeiro com a peça do norte-americano Frederic Rzewsky (nascido em 1938), mas sobretudo com a extraordinária Sonata em si menor de Liszt, o recital alcançou alta qualidade artística.

Winnsboro Cotton Mill Blues é uma das Quatro baladas norte-americanas escritas por Rzewsky em 1979. Por um lado, foi impressionante o senso rítmico e dinâmico que Aleyson imprimiu à partitura; por outro, criou climas de elevada musicalidade nas passagens do lirismo gingado do “blues”. Foi uma bela e convicta interpretação dessa interessante obra de Rzewsky.

Mas foi a ótima interpretação da Sonata em si menor de Franz Liszt o ponto máximo do recital. Com grande concentração, o pianista levou a plateia por uma emocionante aventura musical. Aqui seu pianismo virtuosístico e seu lirismo expansivo estavam em casa. Sem deixar cair a tensão, Aleyson percorreu, em um grande arco orgânico, a narrativa musical de Liszt, demonstrando também compreensão da difícil partitura, uma das mais instigantes e ambiciosas criações para piano do compositor romântico.

O recital na Sala Cecília Meireles foi o último de uma série de apresentações que Aleyson Scopel realizou pelo Brasil neste segundo semestre, nas cidades de Brasília, Recife, Manaus e Goiânia.

[Nelson Rubens Kunze viajou ao Rio de Janeiro a convite da produção do recital.]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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