Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 19 de Fevereiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Helder Parente, talento infinito (21/3/2017)
Por Rosana Lanzelotte

Minha vida musical foi marcada pelo convício com o grande músico e amigo Helder Parente, que nos deixa de forma tão inesperada e prematura.

Nosso primeiro encontro aconteceu durante a Oficina de Curitiba, em 1974, onde ele, recém-chegado de sua especialização no Mozarteum (Salzburg), era professor e eu aluna. Denis Borges Barbosa, outro que nos abandonou cedo demais, havia idealizado um espetáculo chamado “A Rainha Virgem” com repertório elisabetano, que foi apresentado com grande sucesso no Guairinha. Além de tocar flauta magistralmente e cantar como um menestrel, Helder coreografou as pavanas e galhardas que dançamos. Sua presença era magnética, carismática, um verdadeiro animal de palco – “bête de scène”, como dizem os franceses.


Helder Parente [Reprodução]

Nesse mesmo ano, Myrna Herzog e eu o chamamos para integrar o conjunto ao qual demos o nome de Quadro Cervantes. No ano seguinte, Clarice Szajnbrum se juntou a nós para formar o grupo que atuou durante 15 anos. Fizemos turnês por todo o Brasil, levados pela Rede Nacional de Música, da Funarte gerida por Edino Krieger, e pelo Circuito Sulamérica. Gravamos dois discos, incensados pela crítica, que hoje fazem a alegria dos que os acham no youtube. Além do talento infinito, Helder enriquecia as interpretações com ideias, instrumentos. Apareceu um dia com um “gemshorn” que ele mesmo havia fabricado, outra vez trouxe uma viola-de-roda encomendada na Europa. Ensinava-me a tocar castanholas, dava aulas de flauta doce a Myrna, e com ela aprendia viola da gamba.

A curiosidade o levava a descobertas de repertórios e instrumentos, mas não se limitava à música antiga. Presenteava-nos com partituras contemporâneas, tocávamos com frequência a sonata a ele dedicada pelo compositor e musicólogo americano Colin C. Sterne (1921-2008), inspirou Ronaldo Miranda a escrever Cantares, dedicada ao Quadro Cervantes em 1986.

Helder incentivou Myrna a fundar, a partir de 1983, a Academia Antiqua Pro-Arte, a primeira orquestra barroca da América Latina, por ela dirigida, e na qual tivemos juntos a vivência extraordinária de tocar, pela primeira vez no Brasil, os concertos de Brandenburgo de Bach com instrumentos de época.

No início da década de 1990, Myrna e eu fomos morar fora do Brasil, e Helder levou o Quadro Cervantes para outras aventuras, com a colaboração preciosa de Nicolas de Souza Barros e Mario Orlando. Gravaram, ainda com Clarice Szajnbrum, dois CDs, um dos quais comemorativo dos 500 anos do Descobrimento. Essa nova formação participou também do Sonora Brasil, Circuito Nacional de Música organizado pelo Sesc, que resultou em outro CD (2008).

Helder é reverenciado pelos pesquisadores de música e educação de todo o Brasil por inestimáveis contribuições à área. Especializado no método Orff, mesclava-o com o método Gazzi e temperava-o com parlendas e ditados da cultura popular brasileira. Foi professor do Conservatório Brasileiro de Música, dos Seminários de Música Pro-Arte e da Unirio. Formou várias gerações de músicos, que estão órfãos de seu generoso mestre. Não recebeu, entretanto, o título de Doutor, que tanto teria merecido.

Vai Helder, tocar, cantar e dançar com os anjos, enquanto aqui choramos a sua perda.





Rosana Lanzelotte - é cravista e pesquisadora

Mais Textos

Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Fevereiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 1 2 3
 

 
São Paulo:

20/2/2018 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Coro da Osesp

Rio de Janeiro:
20/2/2018 - Adriana Ballesté - violão

Outras Cidades:
22/2/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046