Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Terça-Feira, 22 de Agosto de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Helder Parente, talento infinito (21/3/2017)
Por Rosana Lanzelotte

Minha vida musical foi marcada pelo convício com o grande músico e amigo Helder Parente, que nos deixa de forma tão inesperada e prematura.

Nosso primeiro encontro aconteceu durante a Oficina de Curitiba, em 1974, onde ele, recém-chegado de sua especialização no Mozarteum (Salzburg), era professor e eu aluna. Denis Borges Barbosa, outro que nos abandonou cedo demais, havia idealizado um espetáculo chamado “A Rainha Virgem” com repertório elisabetano, que foi apresentado com grande sucesso no Guairinha. Além de tocar flauta magistralmente e cantar como um menestrel, Helder coreografou as pavanas e galhardas que dançamos. Sua presença era magnética, carismática, um verdadeiro animal de palco – “bête de scène”, como dizem os franceses.


Helder Parente [Reprodução]

Nesse mesmo ano, Myrna Herzog e eu o chamamos para integrar o conjunto ao qual demos o nome de Quadro Cervantes. No ano seguinte, Clarice Szajnbrum se juntou a nós para formar o grupo que atuou durante 15 anos. Fizemos turnês por todo o Brasil, levados pela Rede Nacional de Música, da Funarte gerida por Edino Krieger, e pelo Circuito Sulamérica. Gravamos dois discos, incensados pela crítica, que hoje fazem a alegria dos que os acham no youtube. Além do talento infinito, Helder enriquecia as interpretações com ideias, instrumentos. Apareceu um dia com um “gemshorn” que ele mesmo havia fabricado, outra vez trouxe uma viola-de-roda encomendada na Europa. Ensinava-me a tocar castanholas, dava aulas de flauta doce a Myrna, e com ela aprendia viola da gamba.

A curiosidade o levava a descobertas de repertórios e instrumentos, mas não se limitava à música antiga. Presenteava-nos com partituras contemporâneas, tocávamos com frequência a sonata a ele dedicada pelo compositor e musicólogo americano Colin C. Sterne (1921-2008), inspirou Ronaldo Miranda a escrever Cantares, dedicada ao Quadro Cervantes em 1986.

Helder incentivou Myrna a fundar, a partir de 1983, a Academia Antiqua Pro-Arte, a primeira orquestra barroca da América Latina, por ela dirigida, e na qual tivemos juntos a vivência extraordinária de tocar, pela primeira vez no Brasil, os concertos de Brandenburgo de Bach com instrumentos de época.

No início da década de 1990, Myrna e eu fomos morar fora do Brasil, e Helder levou o Quadro Cervantes para outras aventuras, com a colaboração preciosa de Nicolas de Souza Barros e Mario Orlando. Gravaram, ainda com Clarice Szajnbrum, dois CDs, um dos quais comemorativo dos 500 anos do Descobrimento. Essa nova formação participou também do Sonora Brasil, Circuito Nacional de Música organizado pelo Sesc, que resultou em outro CD (2008).

Helder é reverenciado pelos pesquisadores de música e educação de todo o Brasil por inestimáveis contribuições à área. Especializado no método Orff, mesclava-o com o método Gazzi e temperava-o com parlendas e ditados da cultura popular brasileira. Foi professor do Conservatório Brasileiro de Música, dos Seminários de Música Pro-Arte e da Unirio. Formou várias gerações de músicos, que estão órfãos de seu generoso mestre. Não recebeu, entretanto, o título de Doutor, que tanto teria merecido.

Vai Helder, tocar, cantar e dançar com os anjos, enquanto aqui choramos a sua perda.





Rosana Lanzelotte - é cravista e pesquisadora

Mais Textos

O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Agosto 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

27/8/2017 - Banda Sinfônica Jovem do Estado e Trio Corrente

Rio de Janeiro:
30/8/2017 - João Tavares Filho - piano

Outras Cidades:
26/8/2017 - Sorocaba, SP - Luca Luciano (Itália) - clarinete e Duo Daniela Lucatelle - piano e Fábio Bartoloni - violão
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046