Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 27 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Quanto custa uma orquestra sinfônica? (28/3/2017)
Por Nelson Rubens Kunze

A Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo acaba de lançar um programa de apoio a 13 orquestras sinfônicas profissionais do interior do estado, o projeto “Toca Aqui” [clique aqui para ler a notícia]. Por meio de um convênio com as respectivas prefeituras, serão destinados R$ 80 mil para cada grupo, totalizando um total de R$ 1,04 milhão. Os municípios contemplados são Barretos, Campinas, Guarulhos, Jundiaí, Limeira, Piracicaba, Registro, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São Caetano do Sul, São Carlos e Sorocaba. Não restam dúvidas de que é uma iniciativa auspiciosa e muito bem-vinda.

Em outubro de 2014, a Revista CONCERTO publicou, em sua matéria de capa, uma reportagem de João Luiz Sampaio sobre o panorama das orquestras sinfônicas no estado. A matéria identificou 9 orquestras razoavelmente organizadas, que tinham uma programação regular ao longo do ano, mas com realidades institucionais e financeiras muito distintas umas das outras: havia orquestras públicas financiadas pelo município e havia associações privadas sem fins lucrativos; os orçamentos anuais variavam de R$ 400 mil (Filarmônica de São Caetano do Sul) a R$ 10 milhões (Sinfônica de Campinas); o número de músicos de cada grupo ia de 29 (Sinfônica de Jundiaí) a 82 (Santo André e Campinas); e assim também variavam os números de apresentações anuais, de 6 (Jundiaí) a 70 (Campinas). Transparecia na matéria o fato de haver uma elevada demanda por música clássica em geral, como sintetizou o violinista Emmanuele Baldini, um dos entrevistados: “Afinal, em todas as minhas viagens, há uma constante: a fome de música e cultura de um público que sente a falta de oportunidades para se enriquecer pela música”.

A reportagem da Revista CONCERTO deixa claro que ainda estamos em um momento estruturante da música orquestral no interior e, salvo talvez a Sinfônica de Campinas, muito longe de ter grupos consolidados. Grande parte das orquestras funciona como projetos avulsos, em que os músicos são contratados por cachê apenas para determinadas apresentações. Claro que são iniciativas importantíssimas e merecedoras de todo o apoio. Mas creio que o “Toca Aqui” da Secretaria de Cultura, como política pública de estímulo à música clássica, é tímido, deveria ir muito além e estar de fato comprometido com a consolidação de instituições mais sólidas. Ainda que insuficiente, o projeto tem um grande mérito: o de chamar a atenção para a importância da descentralização da atividade musical pelo interior do estado.

Mas quanto, afinal, custaria a manutenção de uma orquestra sinfônica? Tomemos uma pequena orquestra clássica, com 42 músicos, um maestro, um gestor e um assistente, ou seja, 45 profissionais. Um grupo com essas características poderia realizar uma temporada de 2 concertos a cada 15 dias, de fevereiro a dezembro, totalizando cerca de 44 apresentações. Além disso, a orquestra desenvolveria um programa de difusão e educação musical junto às escolas do município, que resultaria em pelo menos mais uma apresentação semanal.

Considerando o trabalho dos 45 profissionais, cada um recebendo um salário médio de R$ 4 mil/mês, isso somaria um total anual de R$ 2,16 milhões. Como esses músicos seriam contratados, para que se garantisse a perenidade e solidez da iniciativa, é preciso somar os tributos e os encargos trabalhistas (digamos mais 50% do valor acima), o que daria um total de R$ 3,24 milhões. A esse montante, seria necessário acrescentar ainda uma verba para solistas e maestros convidados, recursos para comunicação como assessoria de imprensa, anúncios e programas impressos, além de verba para aluguel de partituras e direitos autorais, no valor total de mais R$ 260 mil. Vamos supor, ainda, que a orquestra estabelecesse uma parceria com a Prefeitura e pudesse usar o teatro municipal da cidade como sede, local de ensaios e apresentações. Nesse caso, portanto, não recairiam sobre a orquestra os custos de manutenção do teatro. Com tudo isso, podemos concluir que uma pequena orquestra sinfônica profissional custaria algo em torno de R$ 3,5 milhões por ano.

É muito dinheiro? Sem dúvida, é muito dinheiro! Mas nem tanto, se levarmos em conta que o governo paulista “deve” à área da cultura algo em torno de R$ 600 milhões (!). É esse o valor – já com o desconto imposto pela crise econômica – que teria de ser acrescido à pasta da cultura neste ano de 2017, se o governo tivesse mantido o índice de repasse que utilizou em 2010, ou seja, 0,71% do orçamento governamental total (e não menos de 0,4%, conforme dados obtidos do Portal da Transparência da Secretaria da Cultura).

Portanto, se houvesse uma política pública verdadeiramente atenta aos interesses da cultura e da música clássica em São Paulo, seria possível aportar não apenas R$ 80 mil reais para cada uma das 13 orquestras selecionadas, mas sim patrociná-las com um orçamento de R$ 3,5 milhões por ano, o que resultaria em um investimento total de R$ 45,5 milhões para as 13 orquestras. Com todo esse patrocínio, não gastaríamos nem sequer 10% do valor que o governo “deve” à área da Cultura. Ou seja, ainda sobraria dinheiro para ressuscitar a Banda Sinfônica e para recompor os combalidos cofres do Theatro São Pedro, da Emesp, da Osesp, do Conservatório de Tatuí e das demais 20 organizações sociais – de todas as áreas culturais – que hoje lutam por sua sobrevivência.

Imaginem só o que seria de São Paulo se tivéssemos 13 orquestras organizadas no estado, com temporadas regulares e consistentes programas de educação musical e formação de plateias, dirigidas por esses mesmos competentes maestros que hoje estão aí lutando para manter a duras penas seus programas? Imaginem só o que significaria essas orquestras trabalhando integradas em rede, dinamizando e alimentando mutuamente as temporadas?

Aí sim teríamos um programa efetivo de apoio à música clássica no interior do estado, de desenvolvimento e promoção social, de um inédito impacto social e econômico. Esperemos que o “Toca Aqui” possa ser o embrião de uma nova era para a música sinfônica em São Paulo.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

A Camerata Romeu e a reinvenção da música Por João Marcos Coelho (26/4/2018)
Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp Por Nelson Rubens Kunze (25/4/2018)
Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

29/4/2018 - Coral Paulistano Mário de Andrade

Rio de Janeiro:
29/4/2018 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
28/4/2018 - Porto Alegre, RS - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046