Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Quarta-Feira, 28 de Junho de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Nasce uma estrela (11/4/2017)
Por Jorge Coli

Nasce uma estrela. Isso ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo, durante a apresentação de Fidelio, de Beethoven, ópera dada em forma de concerto. Essa estrela se chama Marly Montoni.

Foi sua estreia naquela nobre sala, e num difícil papel, o de Leonore. Mas quando ela se levantou para sua primeira intervenção, no quarteto do ato 1, quando pronunciou as palavras “O perigo é grande” em tom de angústia melancólica, sentia-se, de imediato, que ali estava a verdade do personagem.

Marly Montoni é muito bonita, tem uma fina elegância natural, gestos nobres e expressivos, e irradia um carisma que atrai os olhares. Nesse sentido, foge das posturas convencionais tão frequentes entre os cantores de ópera e, por assim dizer, cria os seres que encarna a partir de dentro. Antes de qualquer movimento seu, eles já estão lá, em sua alma. Transparecem pelos olhos.


Apresentação de Fidelio no Theatro Municipal de São Paulo [Revista CONCERTO]

Leonore tem uma grande cena, em que canta a ária “Venha, esperança”, precedida do recitativo “Abominável!”, no qual expressa sua indignação contra o poderoso Pizarro. Marly Montoni deu a ela seu timbre aveludado e escuro, que obedece a uma gama infinita de inflexões ao criar matizes dramáticos. Sabe projetar a voz, e nenhuma das intenções musicais escapou ao público, que a saudou com um triunfo de aplausos.

Ricardo Tamura faz uma carreira internacional. Sua voz tem cores muito jovens. Interpretou Florestan: eram evidentes os sinais de cansaço vocal, de grande esforço e imprecisões nas notas altas, com tropeços de vez em quando. Não chegou a comprometer, porém, o conjunto, de qualidade bastante homogênea, com uma distinção para a deliciosa Marzelline de Caroline de Comi, voz de mel, delicada e sedutora. Giovanni Tristacci assegurou muito bem o papel de seu namorado, o ingênuo Jaquino. Carlos Eduardo Marcos impôs seu Rocco, e Douglas Hahn seu sinistro Pizarro.

O sombrio drama político e pessoal de Fidelio termina de maneira eufórica: triunfam a justiça e a razão, ou seja, o Iluminismo. Desde o início, na bela regência de Roberto Minczuk, havia uma luminosidade, um otimismo, que pareciam subjacentes mesmo nos momentos mais cruéis. Como se o maestro exaltasse antes o destino humano positivo do que suas provações desesperadas. Ao explodir o final, estávamos numa festa dionisíaca, maravilhosamente sustentada pelo coro e pela orquestra.

Isso se acentuou no bis, em que o público era convidado a tirar fotos, coisa que o próprio maestro e cantores não se privaram de fazer. A euforia aumentou, todos saíram felizes, levando Beethoven na alma.
 





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 1
 

 
São Paulo:

28/6/2017 - Quinteto de Cordas da Orquestra Jovem do Estado

Rio de Janeiro:
29/6/2017 - Ensemble San Carlino (Itália)

Outras Cidades:
30/6/2017 - Curitiba, PR - Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba e Florilegium Musicum
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046