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Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição (23/5/2017)
Por Nelson Rubens Kunze

Fui a Manaus, no fim de semana passado, para assistir ao Festival Amazonas de Ópera. Bom, falar em “milagre na floresta” já virou lugar comum para quem acompanha o festival. Não deixa mesmo de ser um milagre, a começar pelo fato da existência do próprio Teatro Amazonas – essa joia, que está festejando 120 anos, encravada no meio da selva. Mas, para nosso país, acostumado a iniciativas efêmeras e imediatistas – quando não fraudulentas, vide Theatro Municipal de São Paulo –, existe um milagre talvez ainda maior, que é a manutenção, por já 20 anos, deste Festival Amazonas de Ópera, uma iniciativa cultural de alto nível artístico e com ambição de qualidade. Este “milagre” se deve, em primeiro lugar, ao dinamismo e habilidade política do secretário da cultura Robério Braga, criador e também diretor geral do festival. E, em segundo, ao talento e competência do maestro Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do evento desde sua quarta edição. O Festival Amazonas de Ópera, que já entrou para a história da música brasileira, foi também motor para a mudança da paisagem cultural de Manaus – e assim do estado do Amazonas –, que hoje conta com uma atividade de formação e difusão musical rara para padrões brasileiros.

Tannhäuser

E se foi com a tetralogia de O anel do nibelungo, de Richard Wagner (1813-1883), que o Festival Amazonas de Ópera alcançou uma das maiores glórias da ópera brasileira, é de Wagner, também, o principal título desta 20ª edição, Tannhäuser. Escrita em 1845, a ópera já prenuncia a revolução que o compositor realizaria, com a interação da palavra ao som em seu drama musical. Tannhäuser, apesar de sua música contínua, ainda guarda uma estrutura de números, com suas conhecidas árias e cenas de coros.

Assisti à terceira récita, na sábado dia 20, com regência (além da direção musical) do maestro Luiz Fernando Malheiro, que, com musicalidade e noção teatral, conduziu a Amazonas Filarmônica, o Coral do Amazonas, o Corpo de Dança e o Balé Folclórico do Amazonas, obtendo um resultado muito satisfatório.

De corte tradicional, funcionou bem a montagem dirigida por Caetano Pimentel. Os cenários, simples, procuraram recriar as ambientações propostas por Wagner, com auxílio de uma boa iluminação. Nos figurinos, igualmente simples, destacou-se o bonito traje de Elisabeth. A dimensão transcendental/religiosa do amor personificada em Elisabeth – em contraposição ao amor carnal proposto por Vênus – ganha proeminência na encenação, em especial por uma enorme cruz que domina o palco no terceiro ato.

Tannhäuser, um exigente papel de tenor heroico, foi interpretado pelo cantor mexicano Luis Chapa, que enfrentou a partitura com galhardia e competência. O barítono Homero Velho, com voz equilibrada e cuidado na interpretação, fez um bom Wolfram. Igualmente bem foi a mezzo soprano Andreia Souza, de bonita voz, que fez Vênus, o polo oposto da virgem Elisabeth, por sua vez interpretada com muita sensibilidade pela soprano Daniella Carvalho. Foram destaques ainda o baixo Anderson Barbosa como Hermann, o conde da Turíngia, e o barítono Arthur Canguçu, que fez Biterolf (bonita voz e, junto com Homero, a melhor pronúncia do alemão). No todo, o elenco apresentou-se bastante equilibrado, tendo a participação ainda de Juremir Vieira, Enrique Bravo, Murilo Neves e do sopranista Bruno de Sá fazendo o jovem pastor.


O Rei Davi

A segunda atração à qual assisti, no domingo dia 21, foi o salmo sinfônico O Rei Davi, do compositor suíço Arthur Honneger (1892-1955). Uma das primeiras obras de Honneger que alcançou êxito internacional, O Rei Davi foi escrito por encomenda, em 1921, para acompanhar uma peça de teatro de René Morax. Dois anos depois, Honneger reescreveu a partitura criando a versão sinfônica que foi apresentada em Manaus, com coro, solistas e um narrador.

Dirigida pelo maestro Otavio Simões, a obra foi interpretada pela Amazonas Festival Orchestra, o Coral do Amazonas e os solistas Dhijana Nobre (soprano), Luisa Francesconi (mezzo soprano), Juremir Vieira (tenor), Isabelle Sabrié (fazendo o papel da pitonisa) e Homero Velho (como narrador). Em um estilo eclético moderno – há passagens que lembram Carmina Burana, outras que remetem a corais barrocos –, Honneger conta a história bíblica de Davi, em 27 breves movimentos musicais. Foi boa a interpretação, apenas incomodou o desequilíbrio entre a narração amplificada e o canto acústico dos solistas.

Além de uma série de concertos, recitais e cursos, o XX Festival Amazonas de Ópera ainda terá a encenação de Onde vivem os monstros, de Oliver Knussen (nascido em 1952), remontagem da produção original da temporada 2016 do Theatro São Pedro, de São Paulo.


20 anos de Festival Amazonas de Ópera

Aliás, a riqueza na escolha dos repertórios também é uma marca do Festival Amazonas de Ópera, que sempre programou títulos que iam além do grande repertório, sem, contudo, deixá-lo de lado. No programa impresso deste ano, imagens de algumas encenações ilustram a história dos 20 anos do festival, e vejam a multiplicidade (desde 1997 até 2016): Carmen de Bizet, Alma de Claudio Santoro, La traviata de Verdi, Tosca de Puccini, Madama Butterfly de Puccini, Il Guarany de Carlos Gomes, A ópera dos três vinténs de Kurt Weill, La bohème de Puccini, As valquírias de Wagner, Condor de Carlos Gomes, Siegfried de Wagner, O crepúsculo dos deuses de Wagner, O anel do nibelungo de Wagner, Otello de Verdi, O holandês voador de Wagner, Ça Ira de Roger Waters, Sansão e Dalila de Saint-Saëns, Romeu e Julieta de Gounod, Diálogo das Carmelitas de Poulenc, Lulu de Alban Berg, O morcego de Johann Strauss Filho, Manon Lescaut de Puccini, Medeia de Cherubini e Romeu e Julieta de Gounod.

Em um momento difícil da vida nacional, em que restrições orçamentárias servem de pretexto para severos e injustificáveis cortes de importantes atividades em torno da música clássica e da ópera – São Paulo acaba de por fim ao projeto lírico do Theatro São Pedro, até então dirigido justamente por esse grande baluarte da ópera nacional, Luiz Fernando Malheiro –, Amazonas dá o exemplo de que é possível e necessário, sim, promover cultura. Vida longa ao Festival Amazonas de Ópera!

[Ainda é possível assistir no YouTube à transmissão feita ao vivo do espetáculo. Clique aqui.]

[Texto editado em 24/05, às 17h30: Estava errada a observação em relação ao retorno de Tannhäuser de Roma sem o bastão. Conforme o libreto, o bastão não está nas mãos de Tannhäuser, e sim nas mãos do Papa, que é citado por Tannhäuser. Portanto, a leitura apresentada na montagem de Manaus está correta e coerente com o libreto. NRK]




A montanha de Vênus, Ato I de Tannhäuser [Divulgação / Wander Luis]


Ato III de Tannhäuser, produção do Festival Amazonas de Ópera [Divulgação / Antonio Neto]



Elenco de solistas de O Rei Davi, de Honneger [Divulgação / Antonio Neto]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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