Banner 180x60
Boa noite.
Quarta-Feira, 13 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo (25/5/2017)
Por João Marcos Coelho

Individualmente, a violinista alemã Isabelle Faust, de 45 anos, e o pianista russo Alexander Melnikov, de 44, estão entre os melhores em seus instrumentos na cena internacional. Ela ainda mais do que ele. O duo existe há mais de uma década e gravou a integral das sonatas de Beethoven em 2008 para o selo Harmonia Mundi [veja aqui].

Isabelle e Alexander compartilharam por três noites – nos dias 21, 22 e 23 de maio – com o público paulistano, na Sala São Paulo, suas refinadíssimas interpretações dessas maravilhosas dez sonatas para violino e piano. Interpretações meticulosas, amadurecidas. Impecáveis.

No domingo, 21, eles encerraram o concerto com a Sonata nº 9, apelidada “a Kreutzer” e a mais famosa do ciclo beethoveniano. O último movimento da sonata é um fogoso Presto, grand finale para uma obra grandiosa.

Só assisti ao concerto do domingo. E confesso que saí antes do extra. Queria ficar com os sons da Kreutzer na cabeça. Fiquei sabendo depois pelo texto de Camila Frésca neste mesmo espaço [clique aqui para ler], que o duo tocou, de extra, o Noturno, de John Cage (1912-1992). A obra é de 1947, e nela ele explora as distinções de timbres entre os instrumentos. A escrita está cheia de ressonâncias sustentadas. Camila Frésca escreveu que parte do público retirou-se ruidosamente, atrapalhando quem se interessou por aquele extra no mínimo estranho.

Na segunda-feira, dia 22, eles interpretaram as seis sonatas intermediárias, de 6 a 8. Nos extras, abriram espaço para a música contemporânea, tocando a primeira das quatro peças opus 7 de Anton Webern (1883-1945). São quatro aforismos que juntos não chegam a 5 minutos. A primeira peça tem 9 compassos e 55 segundos. Não deve ter dado nem tempo de o público perceber que o extra era estranho. Quando começaram a sentir incômodo, ela terminou.

Na terça-feira, Isabelle e Alexander tocaram as sonatas restantes, incluindo a que leva o apelido “Primavera”, a quinta, por ser a mais haydniana, ou mozartiana, do ciclo. No extra, novo choque: Vertical Thought II, do norte-americano Morton Feldman (1926-1987), deve ter soado pra lá de estranha para um público que tinha assistido mais de uma hora de Beethoven, Nesta peça, dizia o parceiro de Cage, ele quis capturar “a respiração do som”. Muito mais aérea do que o noturno de seu amigo, este pensamento vertical soa estático. Nova debandada do público, provocada pela estranheza.

Com certeza, esta não é a melhor maneira de levar música contemporânea ao público. É, ao contrário, a melhor maneira de deixá-lo cada vez mais hostil à música do nosso tempo.


John Cage, Anton Webern e Morton Feldman [Reprodução]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

15/12/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Coro Acadêmico da Osesp e Coro da Osesp

Rio de Janeiro:
13/12/2017 - Orquestra Sinfônica de Barra Mansa

Outras Cidades:
13/12/2017 - Vitória, ES - Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046