Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Quarta-Feira, 13 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza (9/6/2017)
Por Nelson Rubens Kunze

Estreou ontem, em diversas cidades brasileiras, o filme “Filhos de Bach”, produção teuto-brasileira dirigida por Ansgar Ahlers. Assisti à pré-estreia e gostei. O filme, que tem argumento e roteiro do próprio Ahlers, conta a história de Marten, um professor de música aposentado, na Alemanha, que recebe a notícia de que o seu melhor amigo de infância, que emigrara ao Brasil e a quem nunca mais encontrara, deixou-lhe em testamento um manuscrito autógrafo de um dos filhos de Bach. O problema é que, para recebê-lo, Marten tem de viajar a Ouro Preto. Começa então uma aventura que irá mudar a vida não só desse pacato professor alemão frustrado, mas de um grupo de meninas e meninos brasileiros, internos de um reformatório das vizinhanças de Ouro Preto.

Se você pensou em uma história de choque cultural ou crítica social, esqueça! “Filhos de Bach” não se propõe a isso. É um filme com uma mensagem fraternal, uma história de encontros e de confraternização, em que as diferentes culturas e maneiras de ser se descobrem e se complementam.

Se há clichês e uma caracterização um tanto caricata dos personagens – o alemão professor de música meio desajustado, a inspetora autoritária, o brasileiro cordial e alegre –, eles parecem intencionais e contribuem para uma narrativa que, qual um conto de fadas, se desdobra nas intersecções da fantasia e da realidade. Direto e despretensioso, o filme expõe, candidamente e com um humor sutil, faces de nossa humanidade, conquistando por sua delicadeza, sensibilidade e inocência.

Cândido, aliás, é o nome do zelador do reformatório (ele mesmo um ex-interno da instituição), que, ao lado de Marten, é o fio condutor da trama. Como o Cândido de Voltaire, esse jovem negro da periferia de Ouro Preto vive a vida com um exagerado otimismo ingênuo mesclado a uma extroversão e alegria “tipicamente brasileiras”. E ele fala alemão, pois trabalhava em Ouro Preto com o musicólogo alemão Karl, aquele antigo amigo de Marten, que lhe deixara a partitura em testamento.

E tem a bonita música, que acompanha o filme do começo ao fim. A trilha é toda baseada em temas de Bach, mas em versões brasileiras arranjadas com muito bom gosto (arranjos de Henrique Cazes, David Christiansen, Jan Doddema e Gilvan de Oliveira). [A trilha do filme será lançada em CD pela gravadora Biscoito Fino.]

Além dos atores alemães Edgar Selge (Marten), Franziska Walser, Peter Lohmeyer e Hans-Peter Korff, o elenco traz os brasileiros Pablo Vinicius, Aldri Anunciação, Thais Garayp, Dhonata Augusto, Stepan Nercessian (como diretor do reformatório) e Marília Gabriela (como ministra da justiça).

“Filhos de Bach” traz uma mensagem humanista, em que a música serve de instrumento para a criação de vínculos. Não há propriamente compaixão, mas solidariedade, já que os dois lados estão “perdidos” e se “salvam” mutuamente. A gente sai do cinema de bem com a vida, com uma sensação de que aquele happy end meio improvável poderia mesmo ser realidade. Uma sensação tão crível – ou tão pouco crível – quanto à história de que uma partitura manuscrita de um filho de Bach possa estar mesmo perdida em algum canto da cidade de Ouro Preto...


 

[Fotos: divulgação / Conspiração Filmes]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

16/12/2017 - Ópera A flauta mágica, de Mozart

Rio de Janeiro:
15/12/2017 - Nádia Figueiredo - soprano

Outras Cidades:
16/12/2017 - Itapetiniga, SP - Quinteto de Fagotes
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046