Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Terça-Feira, 19 de Junho de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza (9/6/2017)
Por Nelson Rubens Kunze

Estreou ontem, em diversas cidades brasileiras, o filme “Filhos de Bach”, produção teuto-brasileira dirigida por Ansgar Ahlers. Assisti à pré-estreia e gostei. O filme, que tem argumento e roteiro do próprio Ahlers, conta a história de Marten, um professor de música aposentado, na Alemanha, que recebe a notícia de que o seu melhor amigo de infância, que emigrara ao Brasil e a quem nunca mais encontrara, deixou-lhe em testamento um manuscrito autógrafo de um dos filhos de Bach. O problema é que, para recebê-lo, Marten tem de viajar a Ouro Preto. Começa então uma aventura que irá mudar a vida não só desse pacato professor alemão frustrado, mas de um grupo de meninas e meninos brasileiros, internos de um reformatório das vizinhanças de Ouro Preto.

Se você pensou em uma história de choque cultural ou crítica social, esqueça! “Filhos de Bach” não se propõe a isso. É um filme com uma mensagem fraternal, uma história de encontros e de confraternização, em que as diferentes culturas e maneiras de ser se descobrem e se complementam.

Se há clichês e uma caracterização um tanto caricata dos personagens – o alemão professor de música meio desajustado, a inspetora autoritária, o brasileiro cordial e alegre –, eles parecem intencionais e contribuem para uma narrativa que, qual um conto de fadas, se desdobra nas intersecções da fantasia e da realidade. Direto e despretensioso, o filme expõe, candidamente e com um humor sutil, faces de nossa humanidade, conquistando por sua delicadeza, sensibilidade e inocência.

Cândido, aliás, é o nome do zelador do reformatório (ele mesmo um ex-interno da instituição), que, ao lado de Marten, é o fio condutor da trama. Como o Cândido de Voltaire, esse jovem negro da periferia de Ouro Preto vive a vida com um exagerado otimismo ingênuo mesclado a uma extroversão e alegria “tipicamente brasileiras”. E ele fala alemão, pois trabalhava em Ouro Preto com o musicólogo alemão Karl, aquele antigo amigo de Marten, que lhe deixara a partitura em testamento.

E tem a bonita música, que acompanha o filme do começo ao fim. A trilha é toda baseada em temas de Bach, mas em versões brasileiras arranjadas com muito bom gosto (arranjos de Henrique Cazes, David Christiansen, Jan Doddema e Gilvan de Oliveira). [A trilha do filme será lançada em CD pela gravadora Biscoito Fino.]

Além dos atores alemães Edgar Selge (Marten), Franziska Walser, Peter Lohmeyer e Hans-Peter Korff, o elenco traz os brasileiros Pablo Vinicius, Aldri Anunciação, Thais Garayp, Dhonata Augusto, Stepan Nercessian (como diretor do reformatório) e Marília Gabriela (como ministra da justiça).

“Filhos de Bach” traz uma mensagem humanista, em que a música serve de instrumento para a criação de vínculos. Não há propriamente compaixão, mas solidariedade, já que os dois lados estão “perdidos” e se “salvam” mutuamente. A gente sai do cinema de bem com a vida, com uma sensação de que aquele happy end meio improvável poderia mesmo ser realidade. Uma sensação tão crível – ou tão pouco crível – quanto à história de que uma partitura manuscrita de um filho de Bach possa estar mesmo perdida em algum canto da cidade de Ouro Preto...


 

[Fotos: divulgação / Conspiração Filmes]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Julia Lezhneva: Triunfo barroco na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (12/6/2018)
Movimento Violão, 15 anos de atividades eternizadas num lançamento de fôlego Por Camila Frésca (4/6/2018)
Dois elencos, duas Traviatas Por Jorge Coli (28/5/2018)
Uma grande surpresa e um grande concerto para piano Por João Marcos Coelho (25/5/2018)
Suisse Romande: Master class na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (15/5/2018)
Um matrimônio espirituoso, vivo e musical Por Jorge Coli (8/5/2018)
“Fausto” é novo marco artístico do Festival Amazonas de Ópera Por Nelson Rubens Kunze (7/5/2018)
Clássico em terreno popular: o encantador recital de Cristian Budu na série “Tupinambach” Por Camila Frésca (3/5/2018)
Um "Faust" digno dos grandes teatros internacionais Por Jorge Coli (2/5/2018)
Cristian, Jamil e OER empolgam o Municipal lotado Por Irineu Franco Perpetuo (30/4/2018)
Verdi futurista aterrissa no Theatro Municipal do Rio Por Nelson Rubens Kunze (30/4/2018)
Ótima "Traviata" estreia em Belo Horizonte Por Nelson Rubens Kunze (27/4/2018)
A Camerata Romeu e a reinvenção da música Por João Marcos Coelho (26/4/2018)
Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp Por Nelson Rubens Kunze (25/4/2018)
Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
 

 
São Paulo:

19/6/2018 - Trio Musikar

Rio de Janeiro:
19/6/2018 - Maur Trio

Outras Cidades:
20/6/2018 - Natal, RN - Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046