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Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas (5/7/2017)
Por Camila Frésca

Encerramos o primeiro semestre da temporada e, a despeito das dificuldades econômicas que afetam fortemente atividade musical tivemos, ao menos em São Paulo, alguns excelentes concertos. Grandes atrações internacionais aportaram por aqui, e para ficar em violinistas, houve estrelas do porte de Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin. Conferi apresentações dos três artistas e tive algumas surpresas – boas e más.

Isabelle Faust esteve por aqui em maio, iniciando sua residência artística com a Osesp. Além de interpretar o Concerto para violino de Brahms com a orquestra, realizou três recitais com as dez sonatas para violino e piano de Beethoven, ao lado de Alexander Melnikov. Não vou me ater a suas apresentações, pois elas foram tema de um artigo que escrevi em maio [leia aqui]. Em poucas palavras, Faust supriu as expectativas – que não eram poucas, dada sua fama e reconhecida competência – e fez um memorável ciclo das sonatas de Beethoven (em setembro, ela retorna para tocar as sonatas e partitas de Bach, além do concerto de Szymanowski).


Isabelle Faust [Divulgação / Detlev Schneider], Vadim Repin [Divulgação / Gela Megrelidze] e Julian Rachlin [Divulgação]

Em junho, outros dois destacados nomes do instrumento subiram ao palco da Sala São Paulo, dentro das séries internacionais do Mozarteum Brasileiro e da Sociedade de Cultura Artística. O primeiro deles foi o russo Vadim Repin, que solou à frente da Sinfônica Estatal de Istambul. Acredito que, dentro da tradição do violino como instrumento de bravura e alta virtuosidade, o nome de Repin supera o de Rachlin e mesmo o de Faust. O que, se de um lado pode ser uma glória para o profissional, não deixa de ser um fardo. Quanto maior a fama que um artista carrega, maiores as expectativas em torno de suas aparições, e ele deve sempre se apresentar em sua melhor forma, sob o risco de decepcionar a audiência – que, em épocas de internet, pode facilmente ter acesso a outras de suas performances, bem como compará-las às de outros violinistas. Pois Vadim Repin estava longe de sua melhor forma, ou no mínimo não esteve num dia bom: interpretando o Concerto de Max Bruch (no dia anterior, ele havia tocado o de Sibelius), ele parecia desconcentrado, por vezes mesmo com o olhar meio perdido, vagando pela sala enquanto a orquestra tocava. Com esbarrões e pequenos problemas de afinação mais frequentes do que se espera em artistas desse calibre, a impressão geral foi a de uma interpretação mal acabada, sem refinamento. Assim, a despeito de toda a expectativa, foi uma apresentação decepcionante. É verdade que no bis ele reverteu parte da má impressão tocando as Variações sobre o carnaval de Veneza, de Paganini, peça na qual a virtuosidade se sobrepõe à profundidade ou refinamento. (Ainda assim, há no Youtube interpretações suas dessa peça feitas com mais graça e leveza, como aqui).

Exatamente uma semana depois, já nos últimos dias de junho, Julian Rachlin se apresentou com a Royal Northern Sinfonia, da qual é principal regente convidado. Nascido na Lituânia e radicado na Áustria, Rachlin é um dos grandes violinistas de sua geração (embora não tenha um nome tão estelar quanto os de Faust e o de Repin); primeiro estendeu sua atuação para a viola e, mais recentemente, para a regência. Ele já se apresentou por aqui antes, é verdade, mas eu nunca o tinha ouvido, seja ao vivo ou em gravações. Pois qual não foi a surpresa ao ver o músico de estatura pequena entrar no palco e reger a orquestra com visível alegria, além de enorme musicalidade. À boa impressão na regência, seguiu-se a incredulidade ao vê-lo interpretar o Concerto de Mendelssohn: a virtuosidade extrema se casava ao cuidado no acabamento de cada frase, somados à mesma musicalidade que havia demonstrado ao conduzir a orquestra (com quem estava perfeitamente entrosado, aliás); tudo com leveza e um perfeito sentido musical. Como se não bastasse, na segunda parte ainda tocou viola e terminou a noite com uma solar interpretação da Sinfonia italiana. E eu, que havia comparecido sem grandes expectativas, saí de lá boquiaberta com o talento desse artista, que não deixa nada a dever aos maiores nomes do violino na atualidade.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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