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Em busca da música (28/7/2017)
Por João Marcos Coelho

Embora ainda não tenha lido integralmente o livro de ensaios sobre música, de Lorenzo Mammì, que a Companhia das Letras está lançando neste finalzinho de julho, comecei a saboreá-lo aos poucos, como quem se aproxima devagar de textos ao mesmo tempo muito claros e objetivos, mas de singular profundidade reflexiva. Reúne uma seleta de artigos publicados na grande imprensa e também no mundo acadêmico sobre a música sem adjetivos nos último 30 anos.

Ele mesmo diz, no prefácio, que separou apenas por comodidade o livro em duas partes: uma sobre música popular (“diz respeito a um período relativamente curto da música popular brasileira e internacional, desde Caymmi, figura exemplar da era do rádio e dos primeiros LPs, até o atual desaparecimento do disco”); outra sobre música de concerto, “organizados pela data de publicação”.

Mammì reúne o melhor do filósofo e do músico. O rigor do primeiro e a paixão pelo objeto de seu estudo (afinal, ele é pianista, embora não público).

O título do livro é “A fugitiva”. Sim, dupla referência. Primeiro, a Proust e a seu monumental “Em busca do tempo perdido”, que merece de Mammì um artigo até aqui inédito sobre a pequena frase de Vinteuil que perpassa a maratona de romances proustiana.

A segunda referência de “A fugitiva” é à própria música: “A música não é um objeto, algo que se possa segurar entre as mãos, manter diante dos olhos; tampouco é um conceito que se possa revirar no pensamento. (...) Música e linguagem não se bicam – invejam-se, quando muito”. Em suma, “há dificuldades objetivas, às vezes insuperáveis, sempre que se aborda a música com as armas do pensamento. Ela não se deixa encarar: é um assunto que, em sua essência, escapa”.

Mammì diz que tenta “surpreender a música com a guarda baixa, a descoberto”. E exemplifica: “quando ela passa do som para a notação; quando escola em comportamentos; refletida no pensamento de um escritor (Stendhal, Baudelaire, Proust) ou na postura de um ouvinte”.

A fina escrita exige leitura mais atenta. Mas, ao mesmo tempo, surpreende quase sempre pelo que os francês chamam de “bon mot”. A música de Debussy o encanta “justamente por ser ela um fluxo sem direção, sempre à beira da falta de sentido”. Debussy o ajudou a ouvir João Gilberto e “o jazz das décadas de 1960 e 1970 me ajudou a entender a vanguarda pós-weberniana, a reconhecer naquelas construções tão minuciosas um cenário montado para o surgimento de reações espontâneas, quase neurológicas”.

Especialmente atraentes são as 24 páginas de verbetes sobre a história da música, que o crítico do extinto “Jornal da Tarde” lhe encomendou em 1995-6 para publicação no jornal, mas permaneceram inéditos.

Uma clarividência que se torna divertida e originalíssima na prosa sobre música popular. Em “Caymmi”, ele começa assim: “A baiana o chama para dançar, mas ele não vai. Se Anália não quiser ir, vai só. Se por acaso chover, aí não vai mesmo. As letras de Caymmi falam da liberdade de ir e vir. Quem canta é o homem perfeitamente livre”. Até aqui um hábil jogo de citações de versos do compositor baiano. Mas na sequência vem o raciocínio agudo: “Suas músicas inventam o folclore, mas não lhe pertencem, porque o folclore pressupõe uma comunidade rígida da qual não se pode escapar. Caymmi já se desgarrou dela, mas pode voltar quando quiser. Da modernidade, aproveita o que quer, sem compromisso”.

Numa palavra, “A Fugitiva” é o livro brasileiro sobre música a ser lido em 2017.

[O livro “A fugitiva” de Lorenzo Mammì está disponível na Loja CLÁSSICOS. Clique aqui para saber mais.]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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