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Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 (22/1/2018)
Por Camila Frésca

Andar pelas cidades de Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, é espantar-se a todo momento. Estradas moderníssimas são circundadas por uma variedade de arranha-céus, que formam uma espécie de compêndio da arquitetura contemporânea. Shoppings centers podem incluir uma pista de esqui (Mall of Emirates) – em um local em que as temperaturas chegam frequentemente a 50 graus – ou instalarem-se no “prédio mais alto do mundo” (o Burj Khalifa, com 160 andares) – sendo, por sua vez, “o maior shopping center do mundo” (The Dubai Mall). O espanto é ainda maior quando se sabe que, até o final da década de 1960, os Emirados Árabes eram pouco mais do que uma dispersão de aldeias de pescadores divididas em sete territórios autônomos – até que foram descobertos largos campos de petróleo. Hoje, esse pequeno país é uma das economias mais desenvolvidas do Oriente Médio, com um produto interno bruto (PIB) per capita que o coloca como uma das nações mais ricas do mundo.

As iniciativas ousadas se estendem às mais diversas áreas. Numa visita ao país, no final de 2017, fui conhecer dois grandes empreendimentos dedicados à cultura: a Ópera de Dubai e o recém-inaugurado Louvre de Abu Dhabi. Ambos são um refresco na paisagem, já que apostam em edifícios baixos e de arquitetura marcante ao invés de espigões.

Dentro dos projetos que pretendem colocar Abu Dhabi na rota cultural internacional, o Louvre Abu Dhabi é dos mais ambiciosos. Intitulado “museu de arte e civilização”, foi aberto no dia 8 de novembro de 2017 e faz parte de um acordo de trinta anos entre a cidade de Abu Dhabi e o governo francês, envolvendo valores impressionantes: US$ 525 milhões foram pagos por Abu Dhabi para utilizar o nome do Louvre durante três décadas; a construção consumiu mais de US$ 600 milhões e ainda serão gastos US$ 747 milhões a título de empréstimos artísticos, exposições especiais e conselhos de gestão. O Louvre Abu Dhabi é um museu completamente separado do Louvre em Paris. A ideia é que ele desenvolva sua própria coleção permanente e, enquanto isso, exiba obras emprestadas de 13 museus franceses. O Louvre será a fonte dominante de material, mas as coleções do Pompidou, Musée d’Orsay e do Palácio de Versailles estão inclusas no pacote. O contrato ainda proíbe a criação de qualquer instituição similar com o nome “Louvre” em todos os outros emirados dos Emirados Árabes, na Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Bahrein, Qatar, Egito, Jordânia, Síria, Líbano, Irã e Iraque.

Vista externa do Louvre de Abu Dhabi [Camila Frésca / arquivo pessoal]

Como se não bastasse, o Louvre Abu Dhabi será apenas uma das atrações do Distrito Cultural da Ilha Saadiyat – uma espécie de bairro cultural literalmente levantado no meio do deserto e que planeja abrigar “o maior” conjunto de instituições culturais do Oriente Médio. Além do Louvre, está programada a abertura, nos próximos anos, do Museu Nacional Zayed (que atualmente funciona num modesto prédio na cidade de Al Ain), com projeto da empresa britânica Foster e Partners; o Guggenheim Abu Dhabi, dedicado à arte contemporânea, com projeto de Frank Gehry e que será, igualmente, “o maior” Guggenheim do mundo e o único a ser localizado no Oriente Médio; um centro de artes cênicas cuja concepção original previa o projeto da prestigiada arquiteta iraniana Zaha Hadid, falecida em 2016; um museu marítimo com design do arquiteto japonês Tadao Ando; e uma série de pavilhões artísticos.

O prédio do Louvre Abu Dhabi tem aproximadamente 24 mil metros quadrados. O projeto é do renomado Jean Nouvel, que aliás lançou seu nome no mundo da arquitetura internacional ao desenhar o Instituto do Mundo Árabe, em Paris, na década de 1980. O edifício impacta desde a primeira vista, com uma ampla cúpula de alumínio e aço que parece flutuar e que filtra o sol em raios aleatórios de luz. Segundo Nouvel, sua inspiração foi tanto o teto vazado dos tradicionais souq (mercados) quanto os raios de luz solar que passam entre as folhas das palmeiras em um oásis. A cúpula “flutua” acima de um conjunto de edifícios brancos em forma de cubo, que constituem os 8 mil metros de galerias que abrigarão a coleção permanente e exposições temporárias. Algumas dessas galerias têm janelões de onde se pode ver o mar.

Mas, se a estrutura impressiona, o conteúdo decepciona. A galeria de entrada dá início a uma exposição didática de obras e artefatos que parte de civilizações antigas para evoluir cronologicamente. O guia oferecido na entrada dá as boas-vindas aos visitantes prometendo “um encontro com a arte como nunca antes. Além da beleza, da civilização e do tempo, descubra algumas das conexões mais profundas e muitas vezes surpreendentes da humanidade”. De fato, nas galerias seguintes, nos deparamos com uma seleção que reúne numa mesma sala obras bastante variadas no que diz respeito a técnicas, gêneros e épocas. Esta parece ter sido, portanto, uma escolha curatorial proposital, embora nem sempre fique claro ao visitante qual conexão procurou se estabelecer entre obras bastante díspares (é provável que os áudio-guias disponíveis pudessem auxiliar nesse aspecto, mas optei por não utilizá-los). Também não deixa de ser irônico ver peças antigas (como um tratado árabe de navegação do século XVI) retornarem a seu local de origem através de um contrato bilionário.

Além da questão conceitual, também parece estranho ao visitante a quantidade de obras. É verdade que há algumas peças importantes, como La Belle Ferronnière, o retrato de Leonardo da Vinci de uma senhora desconhecida; uma esfinge grega do século VI a.C.; um autorretrato de Van Gogh ou mesmo Fountain of light, de Ai Weiwei, obra de 2007, entre várias outras. No total, o Louvre Abu Dhabi está expondo 620 obras e artefatos. O museu ainda não está em pleno funcionamento, mas, ainda assim, a quantidade parece ínfima quando lembramos que só o acervo do Louvre de Paris possui mais de 380 mil itens, 35 mil deles em exibição permanente.

Saí imaginando a satisfação dos franceses em fechar tão bom negócio...

[Clique aqui para ler a parte 2, sobre a Ópera de Dubai.]

Veja abaixo outras imagens do Louvre de Abu Dhabi:
[Camila Frésca / arquivo pessoal]







Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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