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Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 (22/1/2018)
Por Camila Frésca

A Dubai Opera House foi inaugurada pouco mais de um ano antes do Louvre Abu Dhabi, em 31 de agosto de 2016, com um recital de Plácido Domingo. O fato de que o prédio não devia ser apenas mais uma moderna construção no meio dos arranha-céus de Dubai (a cidade possui muito mais deles do que Abu Dhabi) fica claro quando se vê que todo o bairro leva o nome do empreendimento – a Dubai Opera localiza-se no “Opera District”.

Da mesma forma que o Louvre Abu Dhabi, o prédio é de longe o que há de mais interessante. Com projeto do dinamarquês Janus Rostock, o edifício é uma homenagem à história marítima dos Emirados. Foi construído em formato de navio – mais especificamente um dhow, veleiro de madeira utilizado para a pesca – e uma infinidade de detalhes remetem à água, ao movimento do mar, às peças de um navio ou à pesca de pérolas. A sala principal é multifuncional: dos 2 mil assentos, 900 podem ser realocados ou mesmo retirados, deixando toda a parte da plateia livre para shows com pessoas em pé ou eventos variados. Esse é um dos três modos em que a sala pode funcionar. O segundo, modo “teatro”, pode abrigar produções dramáticas, musicais, balés, palestras e conferências. Finalmente, no modo “sala de concerto”, uma série de adaptações, incluindo torres e refletores no palco, são acionados para criar um invólucro em torno da orquestra, com o objetivo de proporcionar um ambiente acústico ideal para a música sinfônica e a ópera. O prédio ainda conta com bares, espaços de convivência, um jardim, banheiros inacreditavelmente sofisticados e um restaurante no último piso.

Vista externa da Ópera de Dubai [Camila Frésca / arquivo pessoal]

O distrito da Ópera foi lançado no centro de Dubai em 2013. Além dela, ele inclui galerias de arte, museus, estúdios de design e outros espaços culturais, bem como hotéis e torres residenciais. Fica também ao lado de toda agitação do Burj Kalifa, o já mencionado “prédio mais alto do mundo”. O site da ópera não economiza adjetivos ao definir o empreendimento: “localizada no que é classificado como ‘o mais prestigiado quilômetro quadrado do mundo’ em Dubai, a Dubai Opera é o radiante centro de cultura e artes de Dubai e a brilhante pérola do Opera District”.

Nos dias em que estive em Dubai, a programação da ópera era basicamente de shows populares e um espetáculo de Natal. Optei por uma visita guiada, o que proporcionou andar por espaços reservados e conhecer alguns dos muitos detalhes que envolvem a bela arquitetura do edifício – como por exemplo descobrir que tudo o que aparenta ser madeira dentro da sala de concertos apenas emula o material, uma vez que devido às temperaturas elevadas do verão, a expansão e contração da madeira influiria demais na acústica.

A administração da Ópera de Dubai é privada, sem nenhum tipo de subvenção do governo e contando com patrocinadores que incluem nomes como Jaguar e Mastercard. Também não há companhias residentes e, até onde pude apurar, nenhum projeto de longa duração. Trata-se, em suma, de uma sala que recebe espetáculos e que também pode ser alugada para os mais diferentes fins, como casamentos, feiras, recepções e festas.

A programação de óperas e concertos é toda preenchida por produções estrangeiras. A temporada de 2018, segundo anunciado no site, é composta por montagens de Aida e Eugene Onegin pela Ópera Nacional da Polônia, apresentações dos balés Romeu e Julieta e Lago dos Cisnes (Houston Ballet) e concertos da Orquestra de Câmara do Festival de Verbier e da Orquestra Jovem da União Europeia. Há também uma série que ao longo do ano terá seis concertos de música de câmara, intitulada “Music in the studio”, que acontece numa das salas de ensaio da casa. O musical Evita, um espetáculo de Kung Fu e shows de pop, rock e jazz completam a programação.

Fica claro que não existe um conceito ou projeto artístico para o espaço e que a questão cultural está subordinada à comercial. É uma programação pobre para os enormes recursos do prédio. Parece também que o nome “ópera” está lá mais para agregar a propalada sofisticação da música de concerto do que de fato refletir uma ênfase no gênero.

Tudo bem, talvez sejam observações um tanto severas para um teatro que mal completou um ano de funcionamento. Mas não parecem de todo despropositadas quando se vê o apuro dedicado ao projeto arquitetônico.

[Clique aqui para ler a parte 1, sobre o Louvre de Abi Dhabi.]

[Clique aqui para ir ao Site da Ópera de Dubai.]

Veja abaixo outras imagens da Ópera de Dubai:
[Camila Frésca / arquivo pessoal]





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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