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Papo de ópera (13/4/2009)
Por Irineu Franco Perpetuo

O lançamento, no último sábado, dia 11, do livro “Ópera à Brasileira”, de João Luiz Sampaio, na Sala São Paulo, deixou-me com algumas questões fervilhando na cabeça. No mesmo dia, por coincidência, recebi um e-mail de um antigo vizinho, que, depois de anos, residindo em Londres, como produtor de música pop, anunciava sua volta ao Brasil. Imaginei o seguinte diálogo entre nós:

ELE: Irineu, vi que você participa desse livro de ópera que acabou de sair. Eu não sou dessa área, mas queria me aprofundar mais. Agora que estou voltando para São Paulo, vou poder ver muita ópera por aí?
EU: Na verdade, não.
ELE: Como não? E o Municipal?
EU: Está fechado para reformas. Sabe como é, o teatro é quase centenário. Precisa de uma garibada.
ELE: Tudo bem. Mas não arranjaram outro lugar para abrigar as óperas enquanto isso?
EU: Não.
ELE: Mas por quê? Ano passado não teve ópera?
EU: Teve sim. Nove, por sinal. Do barroco ao século XX. Títulos conhecidos e títulos pouco feitos. Uma programação variada e interessante.
ELE: Isso é muito?
EU: Dá quase uma ópera por mês. Na estrutura atual do Municipal, é o máximo que dá para fazer.
ELE: Bem, então não devia ter público.
EU: Teve sim. Quase sempre o teatro estava lotado, e, muitas vezes, os ingressos esgotavam antes da estreia.
ELE: Ah, então acho que os espetáculos eram ruins.
EU: Olha, de algumas coisas gostei muito; de outras, pouco; e, de outras, não consegui gostar.
ELE: Mas você é chato.
EU: É verdade. E não tenho pretensões a dono da verdade. De qualquer forma, o público aplaudiu sempre. E, se você der uma olhada no que saiu nos jornais, vai ver que o tom geral da crítica especializada foi de elogio.
ELE: Então deve ter sido a política! Não teve eleição para prefeito no ano passado? Na certa, ganhou a oposição, e mandou todo mundo embora. No Brasil é assim: troca-se o chefe do Executivo e as políticas não têm continuidade.
EU: Só que foi a situação que ganhou. O prefeito foi reeleito, manteve o secretário de Cultura, etc. Ninguém foi para a rua.
ELE: Uma temporada variada, com público, elogiada pela crítica... As mesmas pessoas continuam nos cargos, e, no entando, nesse ano não acontece nada? Difícil de enteder... Bem, sempre dá para tomar um avião para o Rio.
EU: Lá o Municipal também está fechado. E a Cidade da Música, que foi inaugurada no final do ano passado, antes de ficar pronta, teve as obras paralisadas. Um imbróglio.
ELE: E onde tem ópera, então?
EU: No cinema. Estão passando as montagens do Metropolitan de Nova York.
ELE: Ah, muito legal. Mas não é a mesma coisa do que assistir ao vivo, né?
EU: Não mesmo. Mas, em 2009, parece que não vamos ter alternativa. Deve ser culpa da turma de olhos azuis que deflagrou a tal da crise global.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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