Aos 84 anos, Edino Krieger ganha livro sobre carreira e realizações

por Nelson Rubens Kunze 09/04/2012

Em termos de música, o catarinense Edino Krieger, há décadas radicado no Rio de Janeiro, já fez de tudo: foi violinista, crítico, produtor e administrador cultural, e ainda encontrou tempo para escrever uma consistente obra que o coloca entre os principais compositores do país. Agora, ao completar 84 anos (em 17 de março passado), Edino ganha um importante registro de sua vida e obra por meio de uma publicação do Sesc. Trata-se de uma extensa pesquisa realizada pela professora Ermelinda A. Paz, que há 17 anos trabalha sobre o legado do artista. “Tínhamos como meta principal cobrir o universo do homem e do músico em todas as suas facetas e dimensões. Passamos de simples admiradores a pesquisadores, nos transformamos em críticos e, por fim, já nos sentíamos amigos”, escreve Ermelinda na introdução. E segue: “Construímos sua história contando com sua efetiva participação, em especial na revisão do catálogo temático, e ainda em depoimentos ao longo de nossos encontros, somando-se a essas consultas e buscas em arquivos públicos, privados e no arquivo particular de Edino Krieger, além de importantes depoimentos colhidos na comunidade musical”.

Ermelinda A.Paz é professora titular da UFRJ e professora adjunta da UniRio, autora de diversas publicações relacionadas à pedagogia musical, como “Villa-Lobos, o educador”, “500 canções brasileiras”, “Pedagogia musical brasileira no século XX” e “Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira”. Seu trabalho sobre Edino Krieger ficou tão extenso, que acabou editado em dois bonitos volumes de capa dura: o primeiro livro contém os capítulos “O homem e seu mundo”, “O crítico musical” e “O produtor musical”; já o segundo traz informações sobre o compositor – como o seu catálogo temático de obras e discografia –, os prêmios, distinções e homenagens, as referências e indicações das fontes de pesquisa, alguns anexos e índice onomástico.

No capítulo em que conta sobre a vida de Edino Krieger, Ermelinda volta ao século XIX para falar da colonização alemã em Santa Catarina e do entorno social e cultural de Brusque, cidade natal de Krieger, e de como ali se desenvolveu a música. A autora escreve sobre o ambiente familiar e as influências que sofreu o pequeno músico. Aos 14 anos, após apresentar-se ao violino em um concerto beneficente, Edino recebeu do governador Nereu Ramos uma bolsa de estudos para seguir sua formação no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro. Na capital, Edino passou a frequentar aulas com os mais destacados professores da época e travou contato com personalidades que o marcaram pelo resto da vida, como Hans-Joachim Koellreutter. Em 1948, Edino ganhou nova bolsa, dessa vez para ir aos Estados Unidos, onde estudou composição com Aaron Copland no Berkshire Music Center, em Massachusetts.

Outro interessante capítulo é o que trata do compositor como crítico, no qual Ermelinda apresenta um detalhado levantamento dos textos escritos por Edino Krieger e publicados na imprensa carioca – na “Tribuna da Imprensa”, entre os anos de 1950 e 1952, e no “Jornal do Brasil”, especialmente entre os anos de 1966 e 1977. Trata-se em sua grande maioria de críticas de apresentações musicais, num total de 663 textos. Já no capítulo dedicado ao produtor musical, Ermelinda destaca o trabalho de Edino Krieger na rádio MEC, na rádio JB, nos Concursos Corais, nos Festivais de Música da Guanabara, nas Bienais de Música Brasileira Contemporânea, na direção musical da Funterj, no Instituto Nacional de Música e na presidência da Funarte.

O lançamento da publicação pelo Sesc, na bela Sala Leopoldo Miguez da Escola de Música de UFRJ, no último dia 31 de março, foi precedido por um concerto da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa com obras de Edino Krieger. Sob direção dos maestros Vantoil de Souza Junior, titular, e de Eder Paolozzi, assistente, a sinfônica interpretou a Abertura carioca (2008), a Abertura solene (2007), o Canticum Naturale (1972) e o terceiro movimento da obra Terra Brasilis (1999).

Os dois volumes de “Edino Krieger – compositor, produtor musical e crítico”, de Ermelinda A. Paz, são um rico e valioso registro da atividade e criação de um dos mais destacados músicos de nosso tempo. Além de sua importância intrínseca, seria ótimo se a iniciativa servisse de exemplo para outras instituições, para que, assim como o Edino Krieger de Ermelinda A. Paz, cada vez mais criadores brasileiros pudessem ser publicados e divulgados.

Os livros de Ermelinda A. Paz sobre Edino Krieger serão distribuídos a todas as bibliotecas do Sesc e Centros de Estudo de Música. Em breve as publicações também estarão disponíveis para download no portal do Sesc.

[Nelson Rubens Kunze viajou ao Rio de Janeiro e assistiu ao lançamento de “Edino Krieger – compositor, produtor musical e crítico” a convite do Sesc Nacional.]