Bela safra

por Jorge Coli 22/12/2015

Que beleza, o concerto com o qual o Theatro São Pedro encerrou sua temporada de 2015! Foi um presente de festas que aqueceu o coração nestes tempos de perspectivas futuras não muito calorosas.

 

Eram os formandos da Academia de Ópera, cantores, maestros, mostrando o resultado de um trabalho sério: artistas de nível muito alto, alguns excepcionais. Exceto o maestro André dos Santos que regeu a maior parte das obras (Luiz Fernando Malheiro, anunciado para o dia 20, preferiu ceder a batuta àquele que é o coordenador da academia), e a cantora convidada Marly Montoni, todos os outros eram alunos.

Havia dois maestros na turma dos novos acadêmicos – Pedro Messias, Flávio Lago – e os seguintes cantores: André Rabello, Camila Titinger, Caroline Jadach, Daniel Umbelino, Dayvison Duque, Debora Dibi, Eduardo Fujita, Gustavo França, Johnny França, Jorge Trabanco, Mar Oliveira, Maria Sole Gallevi, Meghan Dawson, Rachel Alonso e Roseane Soares.


Turma de 2015 da Academia de Ópera do Theatro São Pedro de São Paulo [foto: divulgação]

Eles encarregaram-se de um programa substancial, em solos, duetos, conjuntos e peças orquestrais, 16 ao todo, de diversos compositores. Demonstraram que há ali uma safra de belos artistas, alguns já maduros para lançarem-se em carreiras profissionais, outros revelando qualidades cheias de promessas. Assinalo a qualidade excepcional de um tenor como Mar Oliveira (a ária de Lenski, do Eugene Oneguin, de Tchaikovsky, por ele interpretada, demonstrou musicalidade, beleza de timbre, domínio de todas as dificuldades; seu duque de Mântua foi ainda melhor). Lembro Camila Tittinger, cuja voz desabrocha nos médios e nos agudos; a presença cênica, o domínio vocal do sempre excelente Johnny França; a sutileza atenta dos jovens maestros Flávio Lago e Pedro Messias, que regeram admiravelmente páginas de Carlos Gomes e de Leoncavallo.

No entanto, é melhor guardar na memória todos os nomes que listei acima. Eles, mais Marly Montoni, voz calorosa, cheia, que nos ofereceu uma impressionante Ária do compositor, na Ariadne em Naxos, de Richard Strauss, e uma poderosa Chimène, no Le Cid, de Massenet, anunciam uma grande e bela história musical por vir. Aos bravos da plateia entusiasmada ajunto aqui, mais uma vez, os meus.

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