Bons e novos ventos com o Trio Capitu

por Camila Frésca 09/11/2016

Com algum atraso – já que foi lançado no final de 2015 – chegou às minhas mãos “Novos ventos”, disco de estreia do Trio Capitu. E, como se tratou de uma ótima descoberta, achei que valia a pena compartilhar com os leitores do Site CONCERTO.
 
O grupo foi formado em 2012 por jovens musicistas, todas atuantes na Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro: a flautista Sofia Ceccato, a oboísta Janaína Perotto e a fagotista Débora Nascimento. A ideia nasceu não apenas da convivência artística, mas também da amizade que unia as três, que possuíam juntas um “brechó itinerante”. A formação exclusivamente feminina inspirou o nome Capitu, a mítica personagem de Machado de Assis: “É sempre difícil escolher um nome para representar um trabalho. A questão de explorar o feminino veio vindo aos poucos”, explica Sofia. “Uma das ideias iniciais era homenagear alguma artista brasileira. Porém, achamos que Capitu, por ser uma personagem, vive no imaginário das pessoas, e pode representar todas as mulheres em uma só, além de suscitar um certo mistério, fugir do óbvio. Foi uma inspiração que nos trouxe muitas boas energias!”

 


[Divulgação / Leo Aversa]

Embora a formação flauta, oboé e fagote nos remeta às trio-sonatas barrocas e conte com um rico repertório, as artistas decidiram apostar no novo – não à toa, o CD é intitulado “Novos ventos”. Todas as obras são de autores brasileiros, tendo sido escritas ou adaptadas especialmente para o Trio Capitu. Os compositores são Nilson Vieira, Marcos Lucas, J. Orlando Alves, Chiquinha Gonzaga (com três peças arranjadas por Isaías Ferreira), Sérgio Roberto de Oliveira, Alexandre Schubert, Rogério Rosa e Anderson Alves. A direção artística do CD é de Dhyan Toffolo. O lançamento foi viabilizado por meio de uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo, que reuniu 142 benfeitores.

Ser “novo” aqui não significa ser difícil ou hermético: com inteligência, o disco traz um equilíbrio entre peças mais e menos complexas para o ouvinte, nunca deixando a audição árida ou sem interesse. Outra surpresa foi descobrir a qualidade dessas três musicistas e sua afinidade enquanto conjunto, a despeito do pouco tempo de existência do Trio. Há também uma nítida liberdade de repertório, que integra com harmonia o tradicional com o popular e o contemporâneo.

Infelizmente, há poucos espaços para apresentações de música de câmara no Brasil, o que em parte explica a diminuta existência de grupos permanentes. O Trio Capitu tem conseguido tocar com certa regularidade em centros culturais e festivais, mas Sofia explica que o grupo está sempre à procura de novas oportunidades. “Temos experimentado a realização de concertos em espaços alternativos, para conhecer novos artistas e públicos. Duas experiências recentes foram na série Janelas Abertas, do Espaço Botica, e o Conversa Acústica, na Casa Benet Domingo, ambas no Rio de Janeiro. As duas séries exploram a proximidade com o público e trabalham com ‘contribuição espontânea’, que já é super bem aceita pelas pessoas que frequentam os espaços, apesar de ser uma novidade na nossa cultura. Estamos sempre atentas às possibilidades!”, conclui.

Que os “novos ventos” trazidos pelo Trio Capitu permaneçam e se desenvolvam numa longa e vigorosa carreira. Mais informações sobre o grupo podem ser encontradas no site www.triocapitu.com.

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